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PEQUENO ARMÁRIO DE RETROSARIA

7.4.25

Não me lembro bem como a peça veio parar às minhas mãos, há 20, 25 anos ? O que sei é que na altura não percebia nada de recuperação/restauração de móveis e portanto pedi a um amigo de um amigo, supostamente entendido no assunto, que fizesse uma limpeza ao pequeno armário que se encontrava algo deteriorado. E de fato, o antigo organizador, propriedade da Companhia de Linhas Coats and Clark (segundo carimbo que se encontra dentro das gavetas) voltou com melhor aspeto e durante um bom tempo serviu como mesa de apoio do sofá de casa,  até que desapareceu para a arrecadação e por lá ficou. Decidi resgatá-lo recentemente, no processo de mobilar esta casa que entretanto ficou pronta (mostrarei brevemente) e conta com, diria, 90% dos móveis oriundo de várias proveniências: ora encontrados na rua, abandonados em andares antigos, ou ofertados por amigos. Uma mistura interessante, verão a seu tempo!

Mas voltando ao pequeno armário de retrosaria, além das superfícies riscadas e da falta de um puxador, incomodava-me o verniz escuro que não deixava ver bem os dizeres que o organizador ostentava: palavras e desenhos pintados à mão num estilo bastante simples, anunciando a marca de linhas "carta". Infelizmente, apercebi-me desde o início que lixar o verniz escuro da peça iria consequentemente apagar desenhos e letras e fazer desaparecer a patine do tempo. Mas não tive alternativa. Cuidadosamente "decalquei" os dizeres em papel vegetal, para posteriormente reproduzi-los o mais fiel possível ao original, ciente de que nunca ficariam exatamente igual, pois tudo o que é feito à mão, tem os defeitos e as virtudes daquele que o executa. Foi um processo moroso e um tanto desafiante e se resultou bem ou haveria outra solução melhor que não me ocorreu, vou deixar ao vosso critério, basta fazer scrolling 👇para entender a metodologia que segui e julgar por vós próprios!

ESCRIVANINHA OBSOLETA GANHA COR, TEXTURA E PERSONALIDADE

29.1.25

Não sei se estarei errada, mas chego à conclusão que certos móveis pensados para funções muito específicas, caminham para um futuro incerto. E a escrivaninha tradicional, clássica, deve fazer parte desse lote! Construídas com gavetas, compartimentos vários, escaninhos e por vezes até com nicho secreto, serviam para guardar documentos, materiais de escritório e instrumentos de escrita. Mas na era digital em que vivemos, quem se senta a uma secretária para ler ou escrever? Estas e outras considerações passaram-me pela cabeça quando resolvi dar cara nova à escrivaninha escura e pesada (no sentido literal do termo, diga-se) que durante décadas vi na casa dos pais do marido, servindo ora de mesa de trabalho do sogro, ora de secretária de estudos da cunhada. Um móvel ultrapassado, diria eu, que para agravar, ainda tinha uma estante para livros, colocada sobre a base, mas que descartei completamente. Se já não é fácil aligeirar visualmente uma escrivaninha e encaixa-la numa casa atual, que dizer de uma escrivaninha + um alçado! Ponderada a decisão de meter mãos à obra no móvel obsoleto, decidi usar materiais que já tinha vontade de experimentar há algum tempo, nomeadamente o papel para decoupage e o decor wax ambos comprados neste site, mas à venda em inúmeros outros locais online. Quando se trata de tornar mais atrativa uma peça austera, a troca de puxadores é, a meu ver, quase inevitável, assim como acho também muito simpático forrar as gavetas. No tampo da escrivaninha usei um tapete de feltro que confere mais conforto à superfície de trabalho e ainda faz vezes de mouse pad para quem usa o rato. Enfim, não foi um trabalho fácil, passou por muitas etapas e consumiu bastaaaante do meu tempo (e por vezes da minha paciência) mas entre a peça mofar para todo o sempre numa arrecadação ou ser de alguma utilidade lá em casa, fiquei com a segunda opção! 


DE MÓVEL CONTADOR A CÓMODA ALTA

11.10.24
Há uma característica em mim que considero um defeito, não é grave mas por vezes, ao contrário do que à priori se possa pensar, limita-me: nos meus trabalhos, sejam eles qual forem, não gosto de repetir cores, padrões, blocos (no caso do patchwork) ou processos. O que me agrada é a novidade, o tentar algo diferente, aprender novas técnicas, ou seja, por mais contraditório que pareça, o desconhecido não me assusta, o que me desmotiva mesmo é a segurança daquilo que já conheço. Isto para dizer que repetir a mesma cor em dois moveis diferentes parece-me redutor e sem criatividade, mas desta vez não tive escolha: a lata de tinta pela metade jazia na dispensa, era exatamente o tom que se encaixava no contexto onde iria ficar o móvel e last but not least, existia o fator pressa que não me permitia grandes divagações nem inovações. No fim do trabalho, agradou-me a forma como ficou a peça, apesar de apenas ter levado um belo banho de chalk paint Paprika red (sim, aquela já usada aqui) e de ter sido completamente despido da over dose de ferragens barrocas que ostentava, dando lugar a uma mão cheia de puxadores minimalistas. Gavetas forradas nos mesmos tons e eis que surge uma cómoda, na minha opinião, bastante vistosa e cheia de personalidade, pois o vermelho, por mais que se queira, não consegue deixar ninguém indiferente!

NEW LOOK PARA CADEIRA ENCONTRADA NA RUA

9.9.24

Parece que a minha sorte de esbarrar em peças interessantes na rua estendeu-se ao marido, que um belo dia apareceu-me com esta cadeira em casa. A peça estava extremamente ressecada e com o estofo tão imundo que ele próprio calçou umas luvas e tratou de arrancar o assento, não fosse este estar infestado de bichos. O que me encantou na cadeira desde o primeiro momento, foram as suas curvas que me remeteram de imediato à estética dos moveis Thonet que tanto gosto. Uma sinuosidade suave que lhe confere uma personalidade ímpar. O processo de restauro foi simples mas um tanto ou quanto trabalhoso: Numa primeira fase tratei de arrancar o resto de estofagem que ainda permanecia e extraí da cadeira seguramente mais de 200 pregos que tinham servido para agarrar assento e encosto à estrutura. Seguiu-se uma segunda etapa onde lixei a madeira até à exaustão. Depois destas tarefas, tratei de consertar as mazelas que felizmente eram poucas: colar aqui e ali e disfarçar dois defeitos nos braços. Veio o acabamento que é sempre a parte melhor e mais relaxante e apliquei-lhe uma goma laca que lhe conferiu um tom mel lindíssimo. Por último foi escolher um tecido que realçasse mais ainda a beleza da cadeira e optei por um de padrão geométrico com um ar a lembrar o art deco e que, na minha opinião, foi a cereja no topo do bolo!

Carácter, individualidade, originalidade e presença seriam as palavras que eu usaria para descrever esta cadeira. Adicionaria ainda, conforto!

BANCO VIRA MESINHA DE CABECEIRA COM CANDEEIRO INCORPORADO

5.8.24

Duas situações inspiraram-me para a transformação de mais um banco antigo de cozinha: a sorte de volta e meia choverem banquinhos na minha horta e o fato de precisar desesperadamente de uma mesa de cabeceira que coubesse num vão de 30 cm. Depois de navegar horas a fio em lojas online à procura de algo pequeno que não só preenchesse o espaço em causa, mas também conferisse ao ambiente uma ideia de conforto, estilo e criatividade ao deitar (sim, sou exigente), lembrei-me de 3 bancos, coçados e gastos, que jaziam há tempos na arrecadação. Quando comecei a trabalhar num deles, a minha ideia era ser eu própria a eletrificar o banco, mas cedo vi que tal empreitada tinha dois problemas: levaria um tempo de projeto e execução que eu não tinha e nada me garantia que fosse bem sucedida na intensão. Passei então para um plano B que no final revelou-se bem simples: decapei o banco e abracei a sua madeira natural assim como todas as suas imperfeições e rusticidade. E como recuei na pretensão de me estrear como eletricista, comprei aqui um candeeiro lúdico e divertido, que parece estar sentado em equilíbrio periclitante, mas na realidade foi aparafusado ao tampo. Personalizei-o com um abajur mais colorido e.....nada mais! o resto é brincar com as perninhas do boneco que servirão para apoiar óculos, o livro da vez ou o telemóvel.

BANQUINHO COM PINTURA ORGÂNICA

14.3.24

A chamada pintura orgânica é uma tendência recente de decoração de paredes e moveis que sempre chamou a minha atenção. Como sou muito imediatista nos meus projetos, perdendo pouco tempo na conceção dos mesmos, nada melhor do que uma proposta criativa que permite o desenho de formas livres, sem moldes ou figuras perfeitas. Em suma, uma arte sem regras que apenas pede harmonia nas cores e traço solto. Mas se por um lado gosto de ousar e experimentar técnicas novas, por outro prefiro testar em peças pequenas que não requeiram grande responsabilidade, que é como quem diz, em caso de falhanço, fica mais fácil lidar com a frustração. A escolha recaiu então sobre um banco de personalidade forte que levou uma vida de superação: décadas ao serviço da patroa na cozinha; meses aos caídos em meio das obras do andar onde foi encontrado; e um ano à mercê das intempéries na pequena varanda desse mesmo andar. Um banquinho com tal resiliência merecia que alguém o olhasse com carinho! O material usado, foi o que tinha em casa: restos de tinta chalk paint e um marcador acrílico que havia servido para outras situações. A técnica, adaptei de alguns tutoriais que assisti: comecei por traçar as formas que pretendia, a lápis, sobre o assento do banquinho, pintei-as com as cores disponíveis, fiz um ligeiro decapé e finalmente, com o marcador acrílico, desenhei os elementos vegetais. Para selar o todo, duas demãos de cera incolor. Tudo na maior descontração e sem grandes pretensões. Foi um bom treino para uma primeira vez, e deu-me vontade de arranjar uma peça diferente do banco, com superfícies maiores, onde possa brincar mais com o tamanho das formas e dos desenhos. Enquanto isso não ocorre, fiquem com o velho banco, de vida sofrida mas resistente, de volta ao andar onde sempre habitou, mas agora, com incontáveis oportunidades pela frente.

BAÚ PAPRICA

11.2.24

Algumas vezes perguntam-me de onde tiro a inspiração para transformar moveis e objetos e eu costumo responder que a inspiração vem de todo o lado. E quando o digo, de facto sublinho: de todo o lado mesmo, literalmente. E a prova disso é este baú, que acabou por ganhar cor avermelhada e nome de condimento simplesmente porque no catálogo, a referência da tinta tinha uma sonoridade que não só me agradava como também remetia a um certo exotismo: paprika. E na incerteza do que fazer com o baú depois de me ter apercebido que originalmente, ele tinha um tecido maravilhoso, às riscas, mas que este havia sido pintado e era impossível lixar a tinta sem desfazer o pano já fino e gasto pelos anos, fui de fato pelo caminho de dar-lhe uma roupagem completamente distinta, com uma cor chamativa e um interior surpreendente: surgiu então a chalk paint Paprika Red pelo lado de fora e o tecido adesivo da Glu, lá para dentro. Uma parceria perfeita, que me levou a ficar com esta mala de porão, que certamente tantas viagens fez e tantas prendas transportou, aberta na sala lá de casa, só para apreciar o casamento feliz entre cor e padrão. Isto, é claro, enquanto ela não se muda definitivamente para a casa da vila que apresentei aqui. Até lá, vou lavando a vista...

MOVEL EM MADEIRA TRABALHADA GANHA NOVA ROUPAGEM

9.1.24

Em meados do ano passado recebi de uma instituição centenária em extinção, da qual eu fazia parte, boa parte do mobiliário da sua sede. Uma herança um tanto ou quanto pesada, no sentido literal do termo, uma vez que me obrigou a encontrar um local para guardar o recheio, mas também um legado bastante desafiante, pois irá obrigar-me a dar largas à imaginação se quiser modernizar as peças, continuando a respeitar a história que elas encerram e que eu tão bem conheço. A primeira que transformei, foi um móvel que em minha opinião encaixava-se como uma luva no local que eu tinha em mente, mas cujo trabalhado da madeira, além de lhe dar um ar sisudo e carregado, não realçava. Optei por dar-lhe uma cor mostarda e no caso usei tinta chalk paint cor Arles da Annie Sloan que é cara, reconheço, mas das tintas deste tipo que já utilizei, é sem dúvida a que tem melhor cobertura e evita duas etapas estafantes: lixar e dar primário. Além do que, as cores são só fabulosas! Perdi a conta de quantas voltas dei à peça e em quantas posições me coloquei para conseguir alcançar todos os cantos e retorcidos. Usei também vários tamanhos de pincéis e apliquei umas quantas demãos. Digamos que foi um trabalho em que arrisquei mas que depois de pronto encheu-me de orgulho. No final, dois pequenos detalhes, que não parece mas fazem uma certa diferença: tassels pendurados nas ferragens e tecido autocolante no interior. E aí o têm, de roupagem nova, saído de um ambiente taciturno para uma casa renovada e cheia de luz que pode ver aqui.

VIDA NOVA PARA UM MÓVEL DE COZINHA

25.7.23

Se não me engano este móvel saiu exatamente do mesmo apartamento onde se encontrava este outro. Aliás, agora que escrevo isto, a certeza é quase total, quanto mais não seja pois são ambos muito parecidos, e enquanto o outro estava cravado na parede de um quarto de arrumos, este cravado estava num canto da cozinha. De onde foi arrancado sem grande cuidado, diga-se, agravando ainda mais o seu estado de saúde que já não era dos melhores. Por estar fixado num canto, não tinha lateral (o outro tinha, era uma madeira tosca, mas pelo menos existia) e a parede da casa era o seu fundo. Ou seja o que me chegou às mãos, basicamente, foi um armário só com um lado, sem costas, com camadas de tinta e de gordura, mas a essa última característica, já me habituei. Tal como o outro, a cimalha também não é completa, já que estavam ambos colocados em posição de canto, mas quanto a isso, até acho que lhe dá um certo carisma, faz parte da sua história. O que fiz, basicamente, foi pedir a um carpinteiro que me fizesse uma lateral nova, depois desta colocada, lixei até à exaustão tintas velhas e gorduras; e com tinta, stencil e "transfers" elaborei um fundo para o móvel. Por curiosidade, quando descartei as telas plásticas que compunham as portas, estive que tempos a pensar onde iria arranjar rede de galinheiro com buracos que não fossem muito grandes, de modo a não ficarem desproporcionais depois de montadas no móvel. Já andava desmotivada com a procura quando, numa viagem rápida a Copenhaga, e depois e entrar numa rua que não fazia parte do roteiro para esse dia, dou de caras com uma loja enorme da Panduro, marca Dinamarquesa de arte e artesanato que adoro. Entro, e saio de lá feliz da vida com a tela de galinheiro com buracos pequenos e proporcionais, exatamente aquilo que queria! Prova de que quando tem de ser, as coisas acontecem mesmo! Nas fotos que ilustram este post, o móvel aparece colocado sobre dois bancos, pois a cozinha à qual ele se destina ainda não está em condições de o receber, mas breve, breve, irá encontrar o seu lugar em meio a móveis modernos, que decerto realçarão ainda mais a sua rusticidade. E voltarei para mostrar!

MESA DE APOIO INDIANA

6.2.23

Apesar do título que dei a esta postagem, não tenho certeza que a mesa tenha vindo da Índia, mas tendo em conta o estilo e também o fato de que a pessoa que a ofereceu passou parte da vida naquele país, é muitíssimo provável que a peça seja originária de lá. De vez em quando a minha cunhada lembra-se de me entregar o que tem lá em casa partido ou bastante estragado pelo uso, na esperança que eu faça algum milagre. Quase sempre passa meses guardado até eu me entusiasmar com o que me foi confiado, seja porque geralmente são peças que não fazem muito o meu gosto ou porque precisam de um restauro propriamente dito e não de um New look, e não sou nem pouco mais ou menos restauradora. A mesinha, dobrável, em madeira exótica trabalhada e um tampo em latão, estava partida e o verniz escuro que a cobria, não dava realce ao desenho rebuscado dos pés. Portanto a minha função foi basicamente fazer uma limpeza profunda, colar o elemento partido e dar-lhe um acabamento que conferisse leveza, no caso, cera. O resultado final pode não arrancar "uaus" de admiração e a mesinha não ser protagonista de um antes e depois impressionável, mas há peças mesmo assim, que não pedem roupagem nova, apenas cuidado e apreço. Uma espécie de afago que lhes levante a auto estima.


CADEIRA PRIMAVERA

14.7.22

A história da agora denominada cadeira primavera aconteceu como tudo na minha vida: no imprevisto. A cadeira em si, típica dos anos 20 com um ligeiro estilo art deco no formato dos braços, encontrei-a há cerca de 30 anos num andar abandonado. Lembro-me que mandei restaura-la e arranjei um tecido neutro, pois nessa altura ainda tinha o pensamento que o a ausência de cor seria a escolha mais segura. Alguns anos e 3 filhos mais tarde, quando o "neutro" já estava cinzento do uso e pejado de nódoas, troquei o estofo para um tecido meio vintage com umas flores lilases, que não desgostava mas também não achava que tivesse agregado grande coisa. E a cadeira, foi ficando, primeiro no quarto, a seguir na sala, daquelas peças em espera para um makeover mas sem nunca chegar a sua vez. Em janeiro último acabei por pegar nela, para limpá-la do verniz escuro e tirar-lhe os riscos, mas óbvio que durante o processo não tive o cuidado de proteger o tecido (nem sei se queria de fato protegê-lo) e acabei por ser obrigada a tirá-lo. Seguiram-se meses da cadeira na sala de casa, somente em "roupa de baixo" (dracalon usado pelos estofadores) à espera que eu tivesse alguma ideia boa para ela. Até que a inspiração chegou: no ano passado ofereci-me de anos (e estendi à família) uma estadia nas Penhas Douradas, Manteigas, Serra da Estrela, pois tinha o desejo de conhecer a reabilitada Burel Factory, cuja história é fascinante e a própria visita à fábrica com a maquinaria antiga e a mostra infindável de produtos que desenvolvem é um passeio inesquecível. Ficaram-me sempre na cabeça os painéis em 3D e as suas inúmeras possibilidades, e a vontade de encher a cadeira de flores não me saia da cabeça. Os painéis não são vendidos a metro pelo que plantar um jardim na cadeira deu-me um certo trabalho: passear com ela até ao estofador para que este fizesse os moldes daquilo que iria precisar para forra-la (e trazê-la de volta para casa porque a oficina do estofador é pequena e ele não podia ter lá a peça sine die), levar os moldes à loja da Burel no Chiado para obter um orçamento, seguindo-se a tarefa complicada de decidir as cores em meio a tantas e tão bonitas, e finalmente, voltar ao estofador com os painéis e implorar-lhe que fizesse o trabalho antes de ir de férias!! Enfim, estou agora a colher os frutos, ou melhor, as flores da minha escolha e completamente in love com a cadeira primavera!

MESINHA DE CABECEIRA VIRA EXPOSITOR COM LUZ

15.6.22

Ainda na saga da reforma da sede da empresa da família, o downsize obrigou a que passássemos de uma larga receção com sofás para um pequeno recanto de espera na entrada do escritório. Não encarei este aparente downgrade como um desprestígio mas antes como um sinal dos novos tempos em que as visitas já são poucas e grande parte das reuniões são feitas online. Também achei que seria uma oportunidade única de tirar o melhor partido possível da parede curva que já existia no local, e mandei fazer um banco à medida que conseguiu dar mais destaque ainda ao dito tabique. E como as velharias são muitas e os moveis na arrecadação continuam a acumular-se, pensei que dar um novo look a uma mesinha de cabeceira clássica poderia não ser de todo descabido: a dita cuja cumpria as medidas que precisava para compor o espaço exíguo e com alguma imaginação poderia servir de expositor a mais uns quantos elementos que continuam à procura do seu lugar. Afinal, como contei aqui, tive a quem sair, o meu pai é um vintage lover, que além de não jogar nada fora, ainda traz para casa (neste caso para o escritório) mais algumas peças. A reforma da mesinha foi rápida e fiz algo que não aconselho que repitam lá em casa: usei a tinta da parede para garantir que o tom fosse o mesmo e que o móvel ficasse completamente integrado. O resultado aparente foi sensacional, mas ao vivo e a cores deixa a desejar devido à textura um tanto ou quanto áspera que adquiriu. Adiante, cumpriu o propósito que eu imaginava e para que a coisa ficasse mais "com cara" de expositor, adicionei-lhe umas luzes leds. No fim, ainda ornou com o relógio modernista que acompanha este escritório há décadas e que a um certo ponto da reforma ficou meio desasado, sem um local para chamar de seu. Prova que com o tempo, tudo se ajeita e os objetos que realmente nos dizem alguma coisa sempre acabam por encontrar o lugar ideal.

O BENGALEIRO

19.5.22

As recentes obras de downsize e remodelação que se fizeram na sede da empresa da família, foram a desculpa perfeita que encontrei para tornar o espaço com mais cara de casa e ao mesmo tempo usar algumas velharias na decoração. É que eu não sou a única fã do vintage, o meu pai também partilha do meu gosto e até exagera na aquisição de peças, entupindo o espaço com itens amontoados, numa desorganização em que nada consegue se destacar ou brilhar. No amontoado encontrava-se um bengaleiro, peça que caiu em desuso mas que quando tratada com carinho, resgata as linhas de outros tempos e segue abrilhantando o ambiente. A minha missão nas obras de remodelação, foi encontrar o espaço certo para cada objeto e definir-lhes uma função, nem que fosse só decorativa. Foi assim que tendo como ponto de partida um papel de parede revigorante e que nada tem a ver com um espaço de trabalho, o trenó juntou-se ao par de skis e tornou-se expositor de livros, a máquina de costura destacou-se no corredor, as malas de viagem migraram e se empilharam na sala de reuniões e o dito bengaleiro, depois que se despiu do verniz escuro e ganhou novos e modernos cabides, foi receber e saudar os visitantes na entrada. Fico a dever a mesinha de cabeceira que tenho no momento entre mãos e que fará vezes de apoio ao sofá do pequeno espaço de espera. Nas fotos a seguir, além das demais peças já nos seus devidos lugares, verão o bengaleiro tal como se encontra junto à entrada do escritório e também uma pequena produção de como se poderia levar esta peça para casa e torná-la destaque num quarto. Criatividade e irreverência é o que pedem os objetos antigos!

MESINHA DE CABECEIRA PINK

22.11.21

Nunca pesquisei a fundo sobre o assunto, mas do que tenho observado, ouso dizer que Queen Anne foi o estilo mais popular nas casas Portuguesas lá pelos idos anos 50 do século passado. Sem muito ornamento, os móveis caracterizavam-se essencialmente pelas formas curvas nos pés e pernas, o que lhes conferia uma certa elegância. Na casa da minha sogra, toda a mobília da sala de jantar era neste estilo e incluía além de uma mesa extensível, 12 cadeiras e 2 grandes aparadores. As peças, quando isoladas, tinham o seu encanto, mas todas juntas tornavam o espaço, na minha opinião, bastante enfadonho, e quando foi preciso esvaziar a casa, só aceitei ficar com a mesa, que torna-se enorme quando aberta e que um dia espero repaginar. Mas como dizia, isoladas, as peças destacam-se pela sua airosidade, e as mesinhas de cabeceira, tão típicas, com uma gaveta e uma portinha, são pequenas, leves e graciosas. Adquiri um par delas a uma blog amiga que muito estimo e que, por força das circunstâncias se viu a braços com a árdua tarefa de desfazer a casa da mãe. Penso que fui feliz ao ousar dar a uma das mesinhas uma cor forte, que transmitisse energia e boas vibes. Usei mais uma vez, chalk paint e os Decor Transfers da Redesign with prima que já tinha utilizado aqui e aqui, são versáteis e as peças passam de corriqueiras a únicas. Ainda tenho a gémea desta para reformular e espero conseguir fazer algo que se harmonize com esta irmã mas que as duas não façam exatamente um conjunto. Digamos que continuem gémeas, mas não verdadeiras, que ambas ganhem em personalidade e também em individualidade, possam ser usadas juntas ou brilhem cada uma no seu ambiente.

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