Dizem que a inspiração vem de todo o lado. E é verdade, as ideias surgem em qualquer lugar, quando menos se espera — basta ficar atento. Estava eu num espaço infantil quando, de repente, avisto caída no chão uma pequena bolsa para transporte de fraldas e toalhitas. Achei-a tão útil e tão apelativas as estampas e as cores dos tecidos que tirei discretamente uma foto antes de a devolver à dona. Habitualmente, guardo estas imagens durante algum tempo e procuro depois mais ideias online sobre o tema, até chegar à minha própria solução. Foi assim que descobri que este tipo de bolsa se chama diaper clutch. Percebi logo que poderia ser uma excelente forma de aproveitar retalhos, caso decidisse investir em exteriores mais elaborados — e de facto, foi. Durante as minhas pesquisas, encontrei também um modelo interessante, acompanhado de um tutorial acessível e claro. Comecei por fazer dois estojos mais simples que ofereci à filha e à sobrinha para que estas pudessem fazer o test drive: usá-los nas suas rotinas com os filhos e dar-me feedback sobre dimensões, utilidade real e possíveis melhorias. As minhas duas "cobaias" foram unânimes: o estojo é útil e ajuda a organizar a mala quando saem com as crianças. No entanto sugeriram um ligeiro ajuste nas dimensões, de forma a tornar a nécessaire mais compacta e confortável de usar. Desta colab nasceu a minha própria versão: bolsas atrevidas, com medidas exclusivas que partilho abaixo para quem quiser aventurar-se!
CADEIRA ESTOFADA COM RETALHOS
Parece que ando, sem querer, a especializar-me em restauração de cadeiras! depois desta foi a vez de uma também de estilo muito clássico mas com um trabalho de madeira bastante mais imponente. Não exatamente o meu gosto, confesso, e por isso mesmo resolvi que ao mesmo tempo que preservaria os seus traços originais, iria arriscar no estofo: um tecido fora da caixa, totalmente dissonante da época da peça e do seu desenho de forma a dar-lhe um ar mais jovial e, claro, mais a minha cara. A ocasião foi também a desculpa perfeita para finalmente experimentar a técnica Quilt As You Go (QAYG) que andava há tanto tempo na minha lista. Basicamente, o processo consiste em fixar retalhos sobre uma entretela termocolante com a ajuda do ferro de passar e depois pespontá-los, à máquina ou à mão, prendendo os retalhos à base, obtendo textura e movimento. Recomendo: é uma técnica relaxante, divertida e perfeita para dar nova vida às centenas de sobras que se acumulam em casa de quem costura. Talvez não utilizasse o QAYG num assento que viesse a ter muito uso, mas numa cadeira de quarto, como é o caso, que serve apenas como apoio, não vejo problema.
Quando verbalizei a ideia de um estofo marcante, houve quem sugerisse exatamente o contrário, ou seja, a colocação de um tecido neutro que deixasse brilhar o trabalho da madeira. Mas quem me conhece sabe que sou fã de misturas improváveis e que tenho uma queda especial pelo invulgar. Nesta cadeira tão rebuscada, não fazia sentido ser diferente: já tinha personalidade mas ganhou (ainda) mais ousadia. Tal como eu queria!
DRAWSTRING BAGS
Não é segredo para ninguém que quando se trata de costura, a minha paixão são as colchas em patchwork para crianças (pode ver algumas aqui). É o tipo de projeto que faço com um sorriso nos lábios e de coração cheio! Mas quando o tempo anda escasso e fica difícil dedicar-me a uma peça tão grande e complexa, eu volto-me para uma outra preferência destinada aos mais pequenos: os drawstring bags (ou sacos com cordões, em bom Português!). Como utilizo sempre padrões bem dispostos, a prenda chama logo a atenção da criança e as mães dão-me um feedback positivo: são ideais para levar brinquedos ou muda de roupa para a escola ou passeios e o sistema de cordão para abrir e fechar é fácil, levando a criança a desenvolver o hábito de organizar os seus pertences desde cedo.
Pessoalmente, o que mais me encanta na criação destes sacos é a liberdade de mesclar estampas e cores à vontade. Como se destinam ao público infantil, um toque lúdico e divertido é não só bem-vindo, como praticamente uma condição sine qua non para que sejam tão bem aceites. E para completar, posso utilizar muitas sobras, o que, diga-se de passagem, é especialmente aliciante numa casa onde os tecidos multiplicam-se do nada!
EMBALAGENS E ETIQUETAS PARA PRESENTES DE NATAL
Já há alguns anos que para mim, os fins de semana que antecedem o Natal são bastante atarefados, dedicados à produção de embalagens e etiquetas para os presentes que serão oferecidos na quadra. Desde que resolvi limitar ao máximo o uso de papel de presente, que fazem embrulhos lindos mas trazem também um grande impacto ambiental, tenho procurado inspiração e puxado pela criatividade para confeccionar invólucros cujo objetivo maior é poderem ser reutilizados. Ou seja, a pessoa recebe a oferta e aproveita o pacote para embalar outro presente e desta forma evitar algum desperdício. Não é novidade que neste tipo de projeto tento jogar com o que tenho em casa, uso tecidos mais em conta para o corpo dos sacos e retalhos, geralmente com padrões alusivos à época, para detalhes e aplicações. Este ano resolvi também dedicar-me um pouco mais à máquina de bordar, pois se, de facto, não praticarmos, não aprendemos a tirar todo o potencial que este tipo de equipamento oferece. Óbvio que é mais tempo "perdido" em tentativas e erros mas no final, penso que as experiências correram bem. Portanto o que vão ver aí para baixo é de tudo um pouco: embalagens lúdicas, outras mais sérias, aproveitamento de materiais vários, personalizações. No quesito etiquetas, também houve inovações com a introdução de carimbos e decalques. Quando vos mostro este tipo de trabalho, não é à espera que quem visita o blogue, venha a fazer pacotes tão elaborados. Não. A intenção é apenas motivar, sugestionar. A 8 dias do Natal, o tempo urge, eu sei, mas se tem em casa algum tecido engraçado, umas fitas sobrantes e boa vontade, é meter mãos à obra!
Mais sugestões de embalagens e etiquetas, pode ver aqui!
E O MIMO VAI PARA...
Meu sincero obrigada a todas que dedicaram um pouco do seu tempo a escrever um comentário carinhoso. É bom ouvir da vossa parte, que continuam a passar por aqui e a tirar inspiração daquilo que mostro. Gosto muitíssimo de vos ler, acreditem. Este ano, foram 15 as participantes, e uma vai receber em casa uma almofada para decorar a casa no Natal. Desta vez tentei inovar, juntando ao patchwork, o bordado à máquina. Em Março último investi numa máquina de costura que também borda, mas confesso que não consegui me dedicar a estudar a máquina como ela merece. Aliás, eu, que nunca faço resoluções de Ano Novo, quero mesmo em 2024 "perder" mais tempo a explorar as infindáveis possibilidades de bordados que a máquina permite e oferece, pois só assim tirarei total partido dela. Isto tudo para vos dizer que a almofada não ficou tão perfeita como eu imaginei, que tive coisas ali de refazer duas e três vezes, mas é de fato com os erros que aprendemos.
Agora deixemo-nos de justificações e vamos ao que interessa, o número gerado pelo programa on-line:
PROJETO RÁPIDO DE FIM DE SEMANA
As minhas filhas, que até à adolescência tiveram sólidos hábitos de leitura, vinham, de há uns anos a esta parte, desprezando esta atividade tão importante. Não sei se por preguiça de comprarem livros, se por alegada falta de tempo, o fato é que um hábito que fez sempre parte da rotina das duas, acabou por ser posto de parte. Até que, recentemente, uma delas voltou da rua com um eReader e a outra, num impulso, resolveu também aderir à novidade. Os tablets são bem pequenos (ecrã de 6") e permitem escrever notas ou aceder ao dicionário. Existem capas da marca à disposição para venda, mas as duas pediram-me se eu poderia colocar mãos à obra e fazer dois estojos exclusivos com local para guardar o fio para carregar. Descoberto um tutorial fácil na Internet, a execução foi simples, prazerosa e terminada em algumas horas no fim de semana. Ler, é um hábito, diria mesmo uma mania, que tenho incorporada à minha rotina. Já perdi a conta de quantos livros li este ano, e chego ao cúmulo de, se um não está do meu agrado, começar um novo e levar ambos adiante ao mesmo tempo. Detalhe, só os leio em inglês, para não perder a fluência na língua e desenvolver ainda mais a gramatica e o vocabulário. Mesmo não sendo daquelas que precisa sentir o cheiro dos livros, nem do tipo que os guarda religiosamente em casa, as miúdas ainda não conseguiram me convencer com o eReader. Talvez um dia. Mas o que é verdade, é que tem funcionado para elas, e bem!
RESULTADO DO SORTEIO DE 10 ANOS
Agradeço a todas as participantes que deixaram uma palavra simpática no post de 10 anos de aniversário do blog. Gosto francamente da interação que se gera entre quem está deste lado do ecrã e quem vai passando quando tem tempo, para verificar as novidades. Foram 10 as candidatas e 2 delas vão ganhar uma bota de Natal feita em patchwork, super versatéis ambas pois verão que não só os lados das botas são diferentes, como também é possível usa-las com a aba dobrada ou não, ou movendo os enfeites que estão dependurados. Ou seja, uma única bota consegue bastantes variações.
E vamos aos números gerados pelo programa on-line:
BLANKETS (& BEYOND)
Não sou de fazer balanços nem retrospetivas do que quer que seja, mas há dias, pus-me a pensar sobre o meu percurso no patchwork, técnica que cada vez me cativa mais, e concluí que claramente existe um item que adoro produzir: mantas para bebés. Cada uma que me sai das mãos é única, pensada para aquele pequeno em especial e uma prenda muito pessoal. E quando algumas pessoas olham e apenas veem uma coberta ou um tapete para brincar, eu enxergo todo um trabalho que houve por trás na pesquisa do bloco ideal, na definição das cores, na busca pelos tecidos perfeitos, nos padrões que misturados, casam bem e surpreendem. Quando chega a parte da confeção e está tudo determinado na minha cabeça, essa, ao contrário do que as pessoas pensam, é a parte mais fácil: requer concentração (muita), paciência (alguma) e horas de execução, mas é um processo quase automático, um automatismo envolvido em dedicação e capricho, diria. Penso que por todas essas razões, comecei a olhar para as mantas com um olhar especial e a constatar que certas pessoas também começam a ver nestas peças mais que junção de tecidos. A confirmação deu-se depois que fiz este car seat quilt para a minha sobrinha, foi sucesso entre as amigas e acabei por passar o ano de 2022 a desenvolver mantas, algumas a pedido, sempre com o desafio de ir ao encontro dos gostos das mães, sem no entanto deixar de lado a minha habitual linguagem de over mescla de padrões. Pelo meio do trajeto considerei ir um pouco mais além, colocar o nome da criança e ano de nascimento e também, porque não, uma marca que representasse o que gosto de fazer e pra quem gosto de o fazer e saiu um nome enorme, em inglês, que abrange além daquilo que mais gosto de costurar (Blankets) outras peças que se materializem frutos das minhas pesquisas e criatividade (Beyond). E são essas as imagens que vos deixo abaixo: alguns blankets, os "amazing little ones" que usufruem delas e os Beyond que vão surgindo pelo caminho.
PICNIC RUG
Não é a primeira manta para piquenique que faço. As outras duas, que podem rever aqui e aqui, foram tão bem recebidas e passados estes anos, sei que ainda continuam a uso, que decidi costurar mais uma e leva-la para um bebé em Londres, onde fiz as fotos. Na minha opinião é uma prenda original, que não só acompanha o crescimento da criança como ainda é extensiva ao resto da família que acaba também por disfrutar da manta. Desta vez, inovei no bloco mas insisti no tecido resinado no verso, que permite mais higiene e robustez ao conjunto. Aos olhares mais atentos, talvez não passem despercebidas duas palavras bordadas num dos quadradinhos: amor e hayati (minha vida). Palavras de ternura em português e árabe, a forma que arranjei de homenagear as duas origens da criança. Apesar de eu saber que peças em patchwork são sempre únicas, gosto de torná-las ainda mais exclusivas, personalizando-as. Mantas em patchwork são especiais e só pessoas especiais as podem receber!
MANTA PARA CADEIRINHA DE CRIANÇA
Após décadas sem crianças na família, eis que neste ano de 2022 vão nascer duas! Confesso que estou totalmente desabituada destas andanças: ignoro completamente quem são os atuais heróis dos filmes da Disney ou quais os brinquedos e produtos que estão na berra. No entanto, e depois que soube que os bebés iriam chegar, comecei a ficar mais desperta para o universo dos mais pequenos e dei-me conta que as cores e as estampas que se usam no mundo infantil nos tempos que correm são...todas e mais algumas! Esbatem-se as diferenças entre masculino e feminino e atreve-se com tons que há 20, 30 anos nem sequer eram considerados, como rosa velho, cinzento, verde tropa, caramelo, preto, castanhos. Para quem, como eu, gosta de sair da zona de conforto no que tem a ver com cores e padrões, esta descoberta foi, com a licença do trocadilho, ouro sobre azul! Com o Natal à porta, o tempo disponível a encolher e uma das crianças quase a vir ao mundo, encontrei, neste blogue a ideia interessantíssima de um pequeno quilt para se usar na cadeirinha de criança para carro. Este quilt, além de ser de execução relativamente rápida devido às suas reduzidas dimensões, tem a particularidade que eu achei genial, de levar tiras de lado. Estas permitem que o adereço seja atado à cadeirinha evitando assim cair durante o transporte ou num movimento mais brusco da criança. Uma peça como esta, três décadas atrás, teria me evitado vários dissabores! Fiz a manta com tecidos que já tinha em casa e que pelas suas características de colorido e padronagem não foram nunca comprados a pensar em bebés: usei bolas, quadrados, flores, estampa tie dye e até um tecido de estrelinhas de uma coleção de Natal. Quando a minha sobrinha recebeu o presente e adorou, senti-me super realizada mas principalmente, liberta de amarras. Eu que sempre fui avessa ao clássico e tradicional, estou entusiasmadíssima por poder daqui para a frente tornar-me (ainda mais) ousada nos meus trabalhos direcionados para os mais pequenos!
BEACH BAG
Estava eu sem ideias para as aulas de patchwork que frequento uma vez por mês, quando a prof popôs que eu fizesse uma mala de praia, sugestão que aceitei na hora, pois já tinha visto as minhas colegas fazerem várias, mas nunca me tinha aventurado numa, achando que talvez fosse coisa de um nível bastante acima das minhas capacidades. Não sei onde a prof foi buscar o tutorial, mas achei a execução tão simples que resolvi compilar abaixo para mais tarde recordar. E além de fácil, pareceu-me também um modelo que dá "para inventar", ou seja, que é super adaptável ao estilo e às cores favoritas de cada um, é passível de se colocar fecho ou um botão extravagante, por exemplo, enfim, é suficientemente flexível para ser levado sempre a um nível acima. Com o entusiasmo, não me fiquei somente pela beach bag e com as sobras do tecido jeans e do enchimento, ainda fiz uma pequena mala, com as cores que mais trajo atualmente e do tamanho certo que uso para trabalhar. Já estreei ambas e fizeram sucesso. Como bónus, e porque adoro a graça de surpreender, coloquei pequenas frases inspiracionais no interior. Gosto da ideia de partir de um trabalho simples e dar-lhe um twist por forma a que a peça diga bastante sobre nós. Aliás, é mesmo isso o que mais me atrai no DIY: a oportunidade de imprimir a minha personalidade naquilo que faço e uso.
MANTA EM CRAZY PATCHWORK PARA A ROSÁRIO
Neste início de Ano Novo, optei por mostrar-vos mais uma manta que fiz para uma bébé. O nascimento de uma criança traz felicidade, alegria e esperança de um novo porvir, exatamente o que ansiamos para 2021! Foi feita em Crazy Patchwork, uma técnica aparentemente sem técnica mas se consultarmos os tutoriais que pupulam por aí, os entendidos citam sempre uma ou duas regrazinhas básicas. Eu, passei por cima de todas elas, apenas separei os meus infinitos restos de tecidos por cores para me facilitar a vida e a partir daí foi coser retalho a outro retalho até formar blocos de 6 X 6 polegadas (sensivelmente 15,5cm X 15,5cm). A única coisa que falhou e que se olharem bem para as fotos eventualmente vão acabar por notar, é que o tecido jeans usado para unir os blocos tinha um pouco de strecht e isto dificultou-me imensamente o trabalho! Patchwork e elasticidade definitivamente não combinam e algumas costuras, por mais que eu tenha tentado dar o meu melhor, saíram um pouco tortas. Mas também, quem me manda ir comprar tecidos a uma loja em que por causa da pandemia, nos obriga a calçar luvas protetoras à entrada? Luvas plásticas impregnadas de gel (sim, dupla proteção, não vá a luva sozinha falhar!) + máscara tiraram-me totalmente a sensibilidade e o discernimento! Comprar tecidos sem sentir ou tocar, não existe! Nota mental para não voltar a lá entrar.

















