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FESTA DE 18 ANOS EM CLIMA DE OUTONO

28.10.18
Por estes dias, a criança da casa completou 18 anos. Ele é um miúdo que apesar de gostar de conversar e conviver, não é muito dado a festas, principalmente se as luzes estiverem viradas na sua direção. Mas, maioridade é um marco na vida de qualquer pessoa e achei que a ocasião não poderia passar em branco. Pedi-lhe então que convidasse alguns amigos, chamei a família e esvaziei a sala de casa para conseguir lá fazer caber mesas que permitissem que todos jantassem sentados e em conforto. Rapidamente também cheguei à conclusão que uma decoração inspirada no Outono seria fácil de montar e teria o cariz masculino que pretendia. Nem todos os itens são meus: aluguei as mesas rústicas e as cadeiras, os copos e os guardanapos. Usei o serviço de pratos que foi prenda de casamento há quase 30 anos e dividi os vários modelos de talheres que tenho pelas 3 mesas. E o resto é, como se costuma dizer, fruta (e flores) da época, que nisso o Outono é pródigo e generoso: abóboras, dióspiros, romãs, castanhas e nozes, margaridas, girassóis, eucaliptos e folhas caídas. Até o menu teve sabores outonais e o creme de abóbora quentinho foi servido...na própria abóbora, como que para contrariar as temperaturas baixas que se fizeram sentir nessa noite.

PLANOS PARA O QUARTO DAS FILHAS

16.1.18
Neste final de ano aconteceu algo sui generis lá em casa. Aproveitando a rara ocasião em que as duas filhas estavam presentes, uma vez que ambas estudam fora e é difícil coincidirem em Lisboa, dei-lhes um ultimato para que fizessem uma limpeza aos armários do quarto delas, separando a roupa que já não servisse ou quisessem. Saí de casa e disse-lhes que queria tudo limpo e organizado até ao final da tarde, quando eu voltasse do trabalho. Mas qual a minha surpresa quando ao regressar, dei com a entrada do apartamento atafulhada de sacos: as duas não só tinham separado a roupa para doação como ainda embalaram tudo o que se encontrava no quarto e que elas definiram como artigos infantis que nada mais tinham a ver com elas. Ensacaram bonecas, porta retratos, desenhos, bijuterias, CDs, livros, enfeites. E perante a minha cara de espanto, viraram o feitiço contra o feiticeiro e lançaram-me o repto: que eu me livrasse dos móveis coloridos, das secretárias de estudo que já não utilizam e lhes desse finalmente um quarto de adulto. Reivindicam madeira natural e cores neutras  (vá lá, depois de muita conversa vão deixar-me colocar um só elemento com cor) e uma zona de chill out. Eu sei que elas têm razão em pedir este refresh. São 22 anos de uma decoração que evoluiu com elas até uma certa altura mas depois parou. Parou porque elas não estavam cá. Parou por preguiça minha (confesso). Parou porque a maior parte do tempo o quarto tem estado fechado e esquecido. Planos, tenho alguns. Dúvidas, muitas. A única certeza é que quero começar por tirar o lambril de madeira verde, arranjar uma cor para as paredes na paleta dos cinzas, e tentar remodelar uma ou duas peças velhas que tenho guardadas. O resto, como sempre, confio no acaso, vai cair do céu e vai dar certo!

O quarto depois do desbaste:









CADERNOS DE RECEITAS

30.11.17
Na prateleira da cozinha de casa, guardo os livros e cadernos de receitas que eram da minha mãe. Curioso que tenha sido eu a ficar com eles, logo eu, que não cozinho. Mais curioso ainda é que a minha mãe tivesse tantas receitas escritas ou coladas nas páginas agora amareladas dos cadernos, pois também ela, não cozinhava. Lembro-me da azáfama em casa em véspera de festas de aniversário ou Natal, a cozinha enorme, repleta de cheiros e sabores, mas sempre vinha alguém de fora confeccionar os pratos. Minha mãe, comandava: comprava os ingredientes e dava ordens, determinava as loiças, escolhia cuidadosamente a toalha, montava a mesa e elaborava os arranjos de flores. Os menus, dei-me eu recentemente conta, saiam desses livros que vos mostro. Receitas cuidadosamente copiadas nos cadernos, na sua letra gigante e bem desenhada. Gosto de folheá-los, pois ali, encontro um pouco da vida dela. Acho sintomático que as primeiras receitas dêem pelo nome de Pavê de Abacaxi, Pudim de Bananas, Galinha Copacabana, Carne recheada com Farofa e de repente haja um salto para Pudim de Bacalhau, Croquetes de Carne e Rissóis de Camarão: eram os meus pais a emigrarem do Brasil para Portugal e a adaptarem-se aos costumes da nova pátria. Assim como faz-me sorrir a organização da minha mãe que ao anotar as receitas, coloca entre parênteses os nomes das pessoas que as forneceram ou o local onde as encontrou. Ali reconheço tantos nomes e me vêm à memória as amigas dela que frequentavam a nossa casa. Também acho graça às observações de rodapé: "ótima receita para o Natal" ou ainda às apreciações: ótima, muito boa, boa. Em algumas páginas, rótulos retirados das latas ou recortados das caixas dos produtos, com fotos nada atrativas, evocam a singeleza e frugalidade de outros tempos. Vez por outra, em meio à caligrafia enorme da minha mãe, aparece a letra miúda da minha avó. Ela sim, ótima cozinheira, consequentemente grande abastecedora de receitas e também comentadora das mesmas: "Docinhos para aniversários, casamentos, etc", "quando quiser fazer mais, dobrar a receita". Manusear estes livros, por serem de receitas, deveria talvez estimular os meus sentidos. Atiçar o olfato e o paladar. Mas não. A comida nunca teve a menor importância na minha vida. Quando viro estas páginas finas e manchadas, o que me vem à cabeça são pessoas e a casa dos meus pais em dias de festa: casa cheia, iluminada e farta, onde a música tocava alta e as gargalhadas se sobrepunham.

DESFAZER E TORNAR A FAZER #3

14.2.17
Como mulher precavida e organizada que era, minha mãe tinha seu traje para a virada do século, já confeccionado pela modista e cuidadosamente pendurado no closet. Mas o destino trocou-lhe os planos, e a pouco mais de 1 mês para a grande data, ela partiu. Era um conjunto de seda, branco, como manda a tradição, saia travada e camisa com mangas curtas e flores aplicadas, bem ao estilo da minha mãe, que gostava de tecidos finos, bordados e algum brilho. Na altura em que perdi minha mãe, acabei por guardar boa parte das roupas de festa dela. Não sei bem porquê. Nem sequer as iria usar: sou mais alta, mais forte, raramente uso vestidos ou saias e também nunca tive imaginação para transformar roupas. Hoje sei, que numa primeira fase, agarramo-nos ao que era da pessoa para tentarmos permanecer perto dela (ou ela perto de nós) e só mais tarde nos apercebemos que as memórias estão na nossa cabeça e não tanto nas "coisas". Seja como for, estes últimos dias, tive entre as mãos tecidos que não estou habituada a manusear, que escorregam, desfiam mal se toca neles e estão fragilizados pelos anos. Desmanchei a camisa da festa que ela não chegou a ir e uma saia que fazia parte de outro conjunto que minha mãe usou no dia em que eu casei. Sofri com os tecidos que teimavam em se desfazer e em fugir dos meus dedos e pela primeira vez na vida, forrei, alinhavei e chuleei, mas consegui fazer aquilo que tinha imaginado: duas pequenas almofadas delicadas e com um certo requinte. Elegantes. Exatamente como minha mãe.

O RETRATO DE MINHA MÃE

4.3.16
A blogosfera tem destas surpresas: estamos descontraídos visitando os blogs que gostamos e de repente caímos num post que fala de alguma coisa que ficou esquecida muito lá atrás, na nossa infância. As memórias jorram então em catadupa e descobrimos que alguém que nunca conhecemos pessoalmente, mas com quem nos identificamos, sem querer, dá-nos as peças que faltavam para completar um puzzle inacabado. Diana é oftalmologista, "oftalma" como ela gosta de se apresentar, "porque a palavra tem alma no fim". É extrovertida, excêntrica, sem medo de se expor. Neste texto ela conta os sentimentos que a movem no momento, a mudança de casa e o que verdadeiramente importa para ela nesta fase da vida. E fala de quadros. E de pintores. De Chico da Silva e de Chabloz. E do Ceará, nordeste do Brasil. Acontece que meus pais são do Ceará, temos dois Chico da Silva na parede e Chabloz frequentava a nossa casa em Lisboa. E pintou o retrato de minha mãe, a recordação mais viva que temos dela, hoje. Era o início dos anos 70, eu vinha da escola e via minha mãe imóvel, em pose. A sala de casa imersa na fumaça dos cigarros de Chabloz, o cavalete, o desenho na tela que, dia após dia, ia tomando forma, o cheiro das tintas a óleo que o pintor combinava na paleta. Tudo me encantava. E tudo é autêntico no quadro, o penteado armado, a serenidade, o vestido, a cortina branca atrás. Mas também tem ilusão: o cadeirão verde não é na verdade um cadeirão verde mas uma cadeira de madeira com um pano verde em cima, e a barriga da minha mãe não é uma barriga oca e sim uma barriga com uma criança dentro. Que ela não sabia que estava ali mas que Chabloz assegurava que sim, baseado no que os seus olhos, habituados a observar as formas e as curvas do corpo humano, captavam. A peça que faltava no puzzle, era os dois quadros de Chico da Silva que assombraram a minha infância e de minhas irmãs e que nos perturbam até hoje. São quadros naif que representam bichos fantásticos, figuras ameaçadoras saídas da imaginação do autor, que sempre vimos em casa, e cuja história de como apareceram por lá perdeu-se no tempo. Afinal, soube pela Diana, Chico era protegido de Chabloz e de repente, tudo fez sentido. Foi Chabloz quem deixou as telas com o meu pai, provavelmente para que este encontrasse comprador. As telas foram enroladas, jogadas num armário e ali ficaram preteridas, até acabarem, anos mais tarde, nas paredes da casa de praia, onde permanecem, até hoje. No corredor, sítio de passagem, local secundário, porque são quadros que continuam a nos incomodar. Seria tão mais fácil retirá-los da parede e voltar a esquecê-los no armário. Mas não, eles estão lá, e agora percebo que talvez seja para nos remeter à nossa infância, à sala de casa transformada em atelier de artista, ao olhar sereno de minha mãe, à expetativa da chegada de uma irmã, às saudades. É assim a arte, causadora de tantas emoções que vão muito para além do que a obra representa ou os olhos possam enxergar.



A COZINHA DOS VERHOVEN

8.1.16
Em meados de Novembro último, todos nós assistimos, atónitos, aos atentados de Paris e às consequentes medidas rigorosas de segurança tomadas por alguns países vizinhos. Nomeadamente a Bélgica, e mais especialmente sua capital, que durante quase uma semana, literalmente parou: o metro foi fechado, as aulas do infantil às faculdades, suspensas, o comércio encerrado, aglomerações proibidas. À população foi pedido que se mantivesse o mais possível em casa. Eu tenho uma filha em Bruxelas, estudante de medicina e que nesse mês de Novembro estava em estágio com um médico. Na Bélgica, é comum os médicos terem os consultórios instalados nas suas próprias casas e saírem para fazer visitas domiciliárias. Foi com um clínico com esta rotina, um senhor em final de carreira, que Laura fez o estágio. Todos os dias, ela dirigia-se a pé para a casa dos Verhoven, participava das consultas e saía de carro com o doutor para as visitas em casa dos pacientes. Isto aliviou as minhas preocupações de mãe, pois pelo menos sabia-a longe do metro, do Campus Universitário onde diariamente circulam milhares de estudantes e fora das aulas ministradas em anfiteatros com mais de cem alunos. Mas o que me acalmou mesmo, foi quando dei-me conta que as pausas da Laura eram feitas numa cozinha linda, desarrumada, vivida, com móveis que pareciam não combinar, flores frescas colocadas sobre a bancada, restos de comida na mesa, desenhos dos netos espalhados pelas paredes coloridas. Como se ali, ela pudesse estar protegida de tudo, abraçada pela cor e pelo aconchego da família. As pausas e refeições eram feitas neste ambiente, na companhia do casal, de 5 crianças impedidas de ir à escola e do cão. Os Verhoven, acolheram a minha filha num período que acabou por ser difícil para todos, e podem até imaginar que eu lhes esteja grata por isso, mas nunca saberão a real dimensão desse reconhecimento nem desconfiarão o quanto a barafunda da cozinha deles apaziguou-me o coração e me fez acreditar que a vida por lá corria serena.
De Lisboa, entre os mil afazeres das festas de Dezembro enviei-lhes uma almofada feita sem estudo prévio, apenas com o que tinha em casa e em que nem a camisa do marido escapou. Uma prenda modesta face ao que recebi.

O QUE QUERES SER QUANDO FORES GRANDE?

18.4.15
Se uma casa é o espelho de quem a habita, o que dizer de um quarto de adolescente?
Este é o quarto do meu filho David e a pergunta "o que queres ser quando fores grande" fica respondida mal se passa pela porta.
David é um apaixonado pela aviação, e todos os seus momentos livres (e não livres) giram em torno do assunto. O quarto dele, que começou por ser um quartinho azul para o único rapazinho da família, transformou-se por força das circunstâncias no seu mundo temático. É ali que David pesquisa sobre aviões, troca ideias e experiências com colegas do "Aviation Lovers", pilota o Flight Simulator. Boa parte das suas economias são gastas em modelos miniatura, em "Add-ons" para tornar o mais realista possível os seus voos virtuais ou em aparelhos que lhe permitem ouvir em tempo real as comunicações entre pilotos e torre de controle. Um dos seus hobbies é o aircraft spotting que consiste em ir para lugares estratégicos e com boa visibilidade sobre a pista dos aeroportos, fotografar os aviões. O Flight Radar 24 permite-lhe saber exatamente qual aeronave vai pousar ou descolar, a origem ou o destino e a que horas. As fotos são depois postadas em várias comunidades de entusiastas do tema.
Para quem tem medo de avião, viajar ao seu lado é uma tranquilidade: à mínima turbulência David tem uma explicação técnica e lógica para o fenómeno. Tão lógica que até nos convence.
Lembro-me dele ter  6 ou 7 anos, e a professora dizer-me que viu-se obrigada a tirá-lo do lugar perto da janela, pois de cada vez que passava um avião, ele desconetava-se da aula. E é assim até hoje, sempre de olhos postos no céu.
"O meu sonho é estar aos comandos de um avião, sobre o oceano, à noite, com os passageiros a dormirem e só se ouvir o ronco dos motores" confidencia-me ele muitas vezes. E eu acredito que ele chegue lá.

CENTROS DE MESA

30.3.15
Para os 18 anos do filho, a minha irmã decide montar uma tenda no jardim e alugar 4 grandes mesas redondas com pratos, copos, guardanapos, toalhas, tudo branco e básico. Os amigos levaram a música e as strobe lights, a comida foi confecionada em casa. É típico desta minha irmã, não sair da sua zona de conforto, mas desta vez, exagerou, encomendando tudo o mais trivial possível, com a desculpa de que "para rapaz, é difícil escolher outra coisa".  Depois lança-me o repto, e de um dia para o outro, pede-me que arranje alguma ideia para os centros de mesa. O "alguma ideia" dela, significava um arranjo simples, bonito e de preferência, sem gastar muito. Exigência: usar a quantidade de velas brancas que lhe tinha sobrado dos cinquenta anos do marido. Sem tempo para divagações, e com budget limitado, passei na florista e trouxe uns quantos ramos de flores campestres. Recolhi pela casa, todos os bules, leiteiras, cafeteiras, açucareiros e xícaras órfãos de pai, mãe e restante família. E recorri ao Ikea (Where else?) para comprar lanternas, porta velas e castiçais. Ao chegar ao local do aniversário, reparei que no jardim havia à descrição rodelas de troncos de árvores. O resultado foi o que vem a seguir, fotografado ao fim da tarde enquanto ajudava na montagem, e à noite, já com as velas acesas. A festa esteve animada, com aniversariante e amigos participativos e felizes, e só terminou já altas horas, quando a polícia bateu à porta. Quem mandou não convidar os vizinhos?

A minha bancada de trabalho:
                                                             

ONTEM E HOJE

26.2.15
A ideia consiste em recriar fotos antigas, com as mesmas pessoas e na mesma posição. Para ficarem realmente fiéis, o ideal é as imagens serem tiradas no mesmo lugar e com roupas semelhantes. Não fui a esse preciosismo, seria impossível, mas em Julho último, reuni 3 filhos e 3 sobrinhos, e tentámos a experiência numa sessão fotográfica familiar, bastante íntimista e que não estava nos meus planos partilhar. Até que a Joana, no seu dia de anos, presenteou-nos com este vídeo emocionante, que me fez repensar. Sobretudo porque a ocasião acabou por ser um fim de tarde de muitas gargalhadas e memórias, em que os seis divertiram-se e recordaram com saudades férias e momentos esquecidos no passado.
O resultado, é uma série de imagens que relata o antes e o agora de uma amizade e mostra-nos o crescimento e a transformação de seis crianças. No "nosso" caso em concreto, em algumas situações, foi difícil reproduzir com rigor as posições, porque os mais novos acabaram por ficar mais altos que os irmãos ou primos mais velhos, e isto obrigou a reajustes. Mas valeu o esforço!

Cerca de 20 anos separam as 2 fotos abaixo:




NOSSA CASA NOS ANOS 70

13.9.14
Hoje o registo é diferente. Algo que tinha em mente há algum tempo: mostrar-vos a memória mais para trás que eu tenho de decoração, de estética, de dedicação ao lar. Pouco mais de um minuto, início dos anos 70. Minha mãe com um certo orgulho, mostra o apartamento alugado onde mora em Lisboa. Meu pai filma, para a posteridade. Nestes tempos as comunicações são difíceis e as tecnologias dão os primeiros passos. Um filme super 8 com a luz potente de um flash, é tudo o que se pode almejar, para um dia mostrar à família, lá longe no Brasil, como se vive na Europa.
Aparece o quarto das filhas, o papel de parede atrás das camas, uma estante repleta de bonecas (não me lembro das minhas amigas terem tantas bonecas quanto nós), uma cortina romântica na janela. O quarto do casal, um tanto ou quanto austero, o terço na cabeceira, e a almofada em ponto de Arraiolos, trabalho da minha mãe, na senhorinha ao canto. Depois vem a cozinha, impecavelmente limpa e arrumada para o outro dia. Mania que herdei: não vou dormir sem a cozinha estar pronta para a manhã seguinte. No parapeito da janela, vasos pintados de encarnado, pois na falta de um jardim (que ficara na sua terra) era aí que minha mãe cultivava sua paixão pelas plantas. O dedo verde, esse, não se me transmitiu.
E pelo meio, a animar o cenário, 3 crianças: duas filhas e um sobrinho. 
É como recordo minha mãe, atenta e cuidadosa com a casa. Se havia pouco, fazia muito. Se nada houvesse, inventava. E foi sempre assim, até partir.



Em tempo: para quem pergunta, sou a miúda com franjinha  no cabelo!

A MANTA DO ARTHUR

23.5.14
Há pouco mais de um mês chegou um bebé na família. Um primo sobrinho ( existe esse  grau de parentesco? ).
A minha prenda de boas-vindas para ele, é uma manta em patchwork. Não para lhe servir de agasalho, pois isso ele não vai precisar, mas para que ele apanhe os seus "banhos de sol" às 6h30 da manhã, no jardim de casa. Como é costume para os bebés que nascem onde o clima é quente ( e neste caso, húmido também ) durante todo o ano.
Escolhi tecidos com padrões cujos desenhos "coubessem" dentro dos triângulos, optando por vários tipos de xadrez, e também umas riscas. Tudo com cara de "homenzinho".
Como o Arthur nasceu a um oceano de distância, ainda não tive o prazer de o apertar no meu colo, mas o meu desejo é que ele se sinta mimado e acarinhado na manta, tanto quanto eu senti-me feliz ao costurá-la!

QUANDO O 29 NÃO EXISTE

28.2.14
29 de fevereiro é uma data peculiar. É como os Olímpicos ou o Mundial de Futebol, só acontece de quatro em quatro anos.
E como uma pessoa que veio ao mundo de livre e espontânea vontade nessa data incomum, faz, para comemorar o seu aniversário num ano que não é bissexto? Improvisa, é claro!
E tem as suas vantagens. Contar apenas com 1/4 da idade é uma delas. Passar dois dias a receber telefonemas e congratulações da família e dos amigos é outra. É fazer duas festas, dois bolos, cantar dois parabéns e receber um presente que vale por dois.
É identificar-se com o dia 28, por ser o "seu" mês, mas saber que tecnicamente teria nascido a 1 de março se não tivesse sido ano bissexto. É o amanhã que não chega. Porque hoje, ainda iria nascer amanhã, e amanhã, tinha nascido ontem.
É confuso? É. Para o facebook, que não reconhece a data, e coloca-a como tendo nascido um dia antes ou um dia depois.
E até para a mãe, que este ano optou por 28, mas no ano passado, escolheu o dia 1.
Mas quando é possível comemorar no dia certo, garanto-vos que a festa é de arromba! Privilégio de quem nasceu numa data banida do calendário.

Linha do tempo de uma filha alternativa:





AS FESTAS DE ANTIGAMENTE

22.10.13
Das dezenas de fotos antigas que tenho da minha família, infelizmente guardadas numa caixa sem que nunca ninguém, nem eu própria, tenha se preocupado em dar-lhes destino melhor, as que mais se destacam aos meus olhos, aquelas que comtemplo vezes sem conta, absorvendo cada detalhe das imagens, são as que numa sequência, contam os primeiros aniversários da minha mãe. 

Tudo naquelas fotografias, fascina-me.
Através delas, ano após ano, vejo a minha mãe passar de bébé a criança, perder os dentes, ganhar uma irmã.

Chama-me a atenção o cenário, sempre o mesmo, onde apenas um ou outro detalhe muda. As cortinas de crochet que a certa altura são substituídas por outras em renda, o relógio, a cristaleira, as flores nos dias de festa e o pormenor do frigorífico na sala, um luxo há 75 anos.

Não fico indiferente à elegância dos meus avós, em pose austera com as filhas junto à mesa, antes de começar a festa, eternizando o momento. Às roupas impecáveis, aos penteados cuidados, ao capricho extremo.

2º aniversário, Chapéuzinho vermelho, outubro 1938
E tento imaginar a deliciosa movimentação que não seria naquela casa nos dias (ou semanas) que antecediam a festa. O carinho da minha avó, que com o envolvimento de todos, até das vizinhas, decidia o tema, idealizava as lembranças, imaginava e montava as mesas, confecionava os bolos, enrolava os doces.

Festa da primavera, 3º aniversário, 1939

UM QUARTO A 6000 KM DE DISTÂNCIA

20.9.13
Há quem tenha uma segunda casa para passar férias. Há quem prefira um resort.
Eu tenho a sorte de ter um quarto. A 6.000 km de distância, na casa do meu pai. É melhor que qualquer hotel 5 estrelas, não só porque durante uns tempos volto a ser mais filha e menos mãe, mas ainda porque sou mimada com os quitutes da (nossa) Jesus.

O quarto nem sempre teve o aspeto que se vê hoje. Há alguns anos, a cama de dimensões exageradas, era um móvel planeado para o espaço, com mesas de cabeceira incluídas (muito anos 80), uma cama extra que saía de baixo, e um armador de rede para caber mais um. A explicação é simples: nós chegávamos lá com um filho, depois com dois e a seguir com três, e o quarto esticava e às tantas transformava-se num verdadeiro kibutz.

Até que o meu pai fez umas reformas, arranjou um quarto para as netas, outro para os rapazes, e felizmente uma oportuna praga do bicho da madeira comeu a minha mega cama dos eighties. Pude finalmente arrumar o quarto do meu jeito!

E fi-lo completamente diferente do quarto que tenho em minha própria casa: eu que convivo TÃO BEM com a cor, conservei as paredes brancas, arranjei moveis rústico e optei por acessórios feitos com materiais da terra.   

O SONHO COMANDA A VIDA

23.8.13
Quando iniciei este blog,jamais me passou pela cabeça escrever sobre a família.A intenção era e continua a ser,partilhar ideias de decoração e arquitetura, que é aquilo que inspira o meu dia a dia e o que mais gosto de fazer.
Mas os meses passam, vou vos conhecendo melhor e de vez em quando lá deixo escapar uma coisa ou outra sobre mim ou as pessoas que me são mais próximas. Nada mais justo, afinal, à medida que vos leio,também eu fico a saber um pouco mais sobre as vossas vidas.

Hoje vou vos falar da Bea.
Entre as duas fotos abaixo,passaram-se 10 ou 12 anos,não consigo precisar.
Foram anos de treinos intensos, vitórias, derrotas. Choros de alegria e de desilusão também. Lições que levou dos campos para a vida. Trabalho árduo dela. Apoio pleno e incondicional do pai.
Desde pequena com o objetivo de um dia jogar em equipe, por uma universidade Americana de 1ª divisão do ténis.
Em Setembro,há um ano, sagrou-se campeã Nacional sub-18 e o ideal Americano ficou mais perto.
Esta madrugada, ela embarcou para os EUA. Num misto de felicidade e inquietude. A bagagem pesada, carregada de mais sonhos e ilusões.


Criei os meus filhos,a saber que eles não eram meus,e sim do mundo. Esta, é a segunda filha que deixa a casa para voar mais alto. Admiro a coragem e determinação das duas.
Eu nunca fui assim.
Agora, com licença que eu vou aprender a ser mãe de filho único. Sim, sobra um mais novo. Mas que também já fala em partir.

18 ANOS DA BEA

11.6.13
Foi difícil convencê-la a comemorar.
Ela tinha os seus argumentos:final de ano letivo,exames nacionais à porta,mente focada no seu objetivo de partir em Agosto para o Texas,onde a espera uma full scholarship de atleta.

Acontece que mãe não desiste facilmente.Afinal é a maioridade e se tudo correr como planeia,é também o início de uma nova e tão sonhada etapa em sua vida.Além do mais a data caía num sábado,excelente dia para se organizar um almoço e chamar a família.

Hesitante,ela finalmente concordou e a minha cabeça começou a fervilhar.
Eu só tinha 2 premissas:iria usar tudo o que tivesse em casa e a comida viria de fora,afinal vocês conhecem os meus fracos dotes para a cozinha...
Resolvido atempadamente o assunto "catering",que para muitos é simples,mas para mim,revela-se um bicho papão,tudo o resto foi se desenhando virtualmente na minha cabeça uns dias antes,mas concretizado mesmo,na prática,na véspera e manhã do próprio dia.
É claro que há certas coisas com as quais conto e sei que funcionam numa comemoração lá em casa:esvazio a sala e entram em cena mesas e cadeiras desdobráveis que mantenho na arrecadação,e rezo para a meteorologia ajudar e eu poder estender a festa para o terraço:



O terraço que é a salvação....
Eu tenho esta característica de nunca ter as coisas absolutamente decididas e arrumadas com antecedência.Pois parece que se ponho mãos à obra muito tempo antes,tudo se arrasta e se torna cansativo.É esquisito mas eu sou assim.Gosto do imprevisto e do improviso e geralmente resulta.Gosto de tirar tudo dos armários e decidir na hora.E ninguém pode ajudar,senão confunde.
Portanto confirmadas as 24 pessoas, arranjei lugares sentados para todos,e para montar as 3 mesas usei toalhas, serviços, talheres, copos e guardanapos diferentes.Quando não se tem tudo igualzinho,o melhor é assumir o estilo tudo junto e misturado:



Zona de chill out no terraço.Notem que chuviscou e as nuvens estão negras,mas apesar do tempo não ter aberto,a temperatura esteve amena e deu para conviver ao ar livre.No próximo verão,espero ter a parede do fundo coberta por hera e bunganvilia.
O banco está bastante feio,afinal são 17 anos a apanhar chuva e sol.Costumo tapá-lo com cobertas e almofadas,para disfarçar a madeira seca.A vantagem é que vai mudando de visual.

Deixei umas mantinhas espalhadas,caso o tempo não colaborasse....
Com a ajuda do Corel Draw e do Picmonkey,fiz uns menus simples.
Só mesmo para dar uma graça e um ar mais elaborado ao almoço.
E como todos estavam à espera,tinha que haver numa festa da Bea, algum pormenor alusivo ao tênis, que é o desporto que ela vive e respira desde os 6 anos....Encontrei na loja de doces estas mini bolas que são chicletes.
A aniversariante.Feliz.Em foto do seu instagram  #sweeteighteen

PARABÉNS!!

1.3.13
Ela tem um olhar grande e azul e um sorriso que nunca se apaga...


...também tem uma amiga caveira magrinha,elegante...
...com quem se passeia por Bruxelas...  
...adora chocolates...
...e estuda para ser médica.
Assim é Laura no dia que completa 21 anos...
...vista por Isabel Rocha Leite, dona de um traço espontâneo, colorido, pessoal e intransmissível.

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