Tal como eu, o meu pai também gosta de velharias e objetos vintage que tem vindo a colecionar ao longo da vida. Uns compra-os, outros vai "herdando" de familiares e amigos que conhecem bem esta sua paixão e acabam por lhe oferecer peças. Inicialmente, o acervo foi-se acumulando aqui e ali, de forma algo desordenada, até que uma das minhas irmãs decidiu meter mãos à obra e distribuir as peças pelos escritórios da empresa da família. O resultado foram pequenos espaços expositivos que passei a chamar de "mini museus". O mais curioso é que o meu pai, apesar dos seus quase 94 anos, continua a presidir à empresa e a conviver diariamente com esta coleção. Havia, contudo, duas peças que ainda não tinham encontrado lugar nas prateleiras, por estarem bastante degradadas: dois organizadores de secretária, provavelmente do início do século XX, conhecidos genericamente como Desk Sets. Um deles é um porta correspondência com tinteiros; o outro uma bandeja que agrupa, além de dois tinteiros de vidro, um pequeno suporte metálico destinado às antigas penas de aparo. Estes conjuntos eram presença habitual em escritórios, escolas, entidades públicas e até em secretárias domésticas numa época em que praticamente só se escrevia à mão (ou à máquina). Particularmente aprecio bastante objetos concebidos para um fim muito específico mas cuja estética não foi descurada. Ao ponto de, cem anos depois, já sem utilidade prática, se assumirem como peças decorativas. A seguir, mostro um pouco do processo de recuperação destes dois organizadores e o ambiente em que ambos acabaram por ser integrados: a entrada de um dos escritórios. Achei particularmente feliz a forma como a minha irmã conseguiu colocar lado a lado peças de origens, escalas e épocas tão diferentes de forma harmoniosa, dinâmica e leve. Tirou partido da iluminação e de truques simples que explico a seguir. Boa visita!
MIMETISMO: ESCONDER O QUE NÃO SE QUER VER
Já ouviu falar de mimetismo aplicado à arquitetura e ao design? De forma simplificada, mimetizar significa "disfarçar" algum elemento no ambiente. Ocultar uma porta ou um armário, por exemplo. O objetivo desta técnica é manter uma estética mais limpa, com menos informação e poluição visual. Nesta casa deparei-me com um problema: precisava de ocultar as caixas de eletricidade logo à entrada da moradia. A solução mais óbvia seria escondê-las com um quadro, mas até nisso havia entraves: além de não me apetecer gastar muito dinheiro, um quadro que cobrisse as duas caixas teria que ser grande e consequentemente pesado. E com tantos fios a passarem naquela parede seria uma temeridade a colocação de buchas ou parafusos que sustentassem um eventual quadro de dimensões generosas, sob pena de furar algum tubo. Foi quando lembrei-me destas molduras do Ikea, baratinhas, levíssimas mas, sejamos honestos, um pouco feiosas. Que tal então lançar mão do mimetismo e usar a cor exata da parede para tornar as molduras e os fundos invisíveis e totalmente camuflados? Foi um trabalho fácil de executar, rápido e que, a meu ver, deu bastante resultado: os dois quadros integraram-se completamente na parede. Por serem leves, foram pendurados com simples “amigos do senhorio” e continuam fáceis de remover sempre que preciso de aceder às caixas. As ilustrações com suas cores fortes, acabaram por ganhar destaque, sem pesar no ambiente. Conclusão: fiquei fã da técnica e de certeza que vou voltar a usá-la!
Nota: as ilustrações são da autoria da artista plástica Isabel Rocha Leite.
REMODELAÇÃO DE UMA CASA NA VILA (PARTE II)
Quando há dois anos publiquei aqui o primeiro post sobre a casa, tinha a certeza de que partilharia convosco cada etapa das obras e imaginei-vos a acompanhar tudo, passo a passo. Mas depressa percebi que a realidade era bem menos emocionante: iria simplesmente postar dezenas de fotos de um “durante” sem graça de paredes que passavam de esburacadas a rebocadas e pouco mais. Decidi então esperar pelo momento certo, e ele chegou! Hoje divido convosco o resultado final da casa, com imagens do "agora" e do "antes". Excetuando as camas, um sofá e os tapetes, praticamente tudo o resto são peças recicladas por mim, provenientes das mais variadas origens: encontradas por aí, oferecidas por amigos, herdadas da família. Foram anos de um trabalho moroso e, no fim, quando tudo ficou pronto, confirmei o que suspeitava mas relutava em aceitar: que, somando o que já tinha em uso em casa ao que estava guardado na arrecadação, seria possível montar um novo lar… e ainda sobrava!
Nas próximas fotos, vou mostrar as escolhas que fiz para cada espaço e deixar os links das peças que aparecem nas imagens e que já foram destaque em publicações do blog. Espero que gostem porque ao vivo a casa transmite ainda mais originalidade, conforto, personalidade e é tão gratificante ver o resultado dessa transformação!
VIDA NOVA PARA UM APARTAMENTO SEM GRAÇA
Na minha vida de arquiteta acontece bastante o seguinte: entro num apartamento nem tão apertado assim, mas entupido de móveis, com os estores a deixar passar apenas uma nesga de luz e um quase nada de ventilação, e imediatamente ponho-me a imaginar como o mesmo se transformaria se o mobiliário obsoleto saísse, uma ou outra parede fosse abaixo e as persianas subissem completamente deixando a claridade entrar a rodo. Se por vezes saio desses mesmos apartamentos para nunca mais lá voltar, de outras é-me dada a oportunidade de operar essas mudanças! E quando chego ao fim de meses de trabalhos, pontuados por alguns revezes, mas também por gratas surpresas, concluo inevitavelmente que o mérito nunca é meu e sim do próprio imóvel, que ali jazia, cheio de potencial, apenas à espera de alguém que suba os estores, derrube uma parede e ouse com alguma cor. Nas próximas imagens vão ver como um andar de três divisões tornou-se num 2 quartos com sala e cozinha integrada e para aqueles que, como eu, gostam MESMO deste tipo de assunto, deixo, no final do post, plantas muito simples do antes e depois das obras para uma melhor orientação. Como extra, sugiro que espreitem aqui e aqui duas peças transformadas de propósito para esta casa. Enjoy!
MOVEL EM MADEIRA TRABALHADA GANHA NOVA ROUPAGEM
Em meados do ano passado recebi de uma instituição centenária em extinção, da qual eu fazia parte, boa parte do mobiliário da sua sede. Uma herança um tanto ou quanto pesada, no sentido literal do termo, uma vez que me obrigou a encontrar um local para guardar o recheio, mas também um legado bastante desafiante, pois irá obrigar-me a dar largas à imaginação se quiser modernizar as peças, continuando a respeitar a história que elas encerram e que eu tão bem conheço. A primeira que transformei, foi um móvel que em minha opinião encaixava-se como uma luva no local que eu tinha em mente, mas cujo trabalhado da madeira, além de lhe dar um ar sisudo e carregado, não realçava. Optei por dar-lhe uma cor mostarda e no caso usei tinta chalk paint cor Arles da Annie Sloan que é cara, reconheço, mas das tintas deste tipo que já utilizei, é sem dúvida a que tem melhor cobertura e evita duas etapas estafantes: lixar e dar primário. Além do que, as cores são só fabulosas! Perdi a conta de quantas voltas dei à peça e em quantas posições me coloquei para conseguir alcançar todos os cantos e retorcidos. Usei também vários tamanhos de pincéis e apliquei umas quantas demãos. Digamos que foi um trabalho em que arrisquei mas que depois de pronto encheu-me de orgulho. No final, dois pequenos detalhes, que não parece mas fazem uma certa diferença: tassels pendurados nas ferragens e tecido autocolante no interior. E aí o têm, de roupagem nova, saído de um ambiente taciturno para uma casa renovada e cheia de luz que pode ver aqui.
QUINTA DO ROSSIO
UMA CASA NAS ARDENAS
No final do ano passado estive na Bélgica. Gosto de lá ir quando está frio e os Marchés de Noel animam e enchem de cor e sabores as ruas. Geralmente, deambulo maioritariamente por Bruxelas, onde sinto-me (quase) uma local, porém desta vez uns amigos convidaram-nos a ir às Ardenas conhecer a casa que está na sua família há 100 anos. Das conversas que tinha com eles, ouvia com especial atenção as histórias que contavam de lá, de como tinha sido viver no seio de uma família numerosa, numa casa rústica e de modestas condições, num país de inverno rigoroso, e de como a casa deixou de ser morada da família mas passadas quatro gerações, continuava a ser ponto de encontro de avós, filhos, netos, tios e primos. De modo que, quando o carro parou à frente da casa, numa tarde de dezembro cinzenta e gelada, a impressão que tive é que eu ia ao encontro de uma velha conhecida. Ao entrar, fui imediatamente abraçada pelo calor de um velho fogão a lenha e na cozinha uma generosa mesa cuidadosamente posta, esperava por nós. As memórias são muitas e estão em cada canto: no bric a brac de objetos expostos, nos quadros que enfeitam as paredes, nas fotos desvanecidas, no piso de ardósia já gasto, nas portas que rangem ao abrir. O aparelho de televisão não existe, a internet é falha. Resta ler, pescar e dar uns mergulhos no rio que corre atrás da casa, fazer jogos no jardim que à noite os javalis invadem, desfrutar de randonnées pela natureza. Ali, as horas passam lentamente, marcadas pelos sinos da igreja do outro lado da rua. Uma vez por ano, em Agosto, todos os caminhos vão dar a esta casa, dezenas de parentes encontram-se, festejam os laços que os unem e antes de se dispersarem tiram a tradicional foto de grupo, tendo como pano de fundo a centenária fachada de pedra que tantas recordações encerra.
ANTES E DEPOIS DE UM ANDAR CENTENÁRIO
Passei semanas a pensar como proceder com esta publicação. Remodelar andares antigos, mantendo tudo aquilo que faz parte do seu caracter e da sua personalidade é das coisas que mais me dão prazer de fazer na vida. Vivo tão intensamente todo o processo que quando este chega ao fim tenho uma dificuldade imensa em me separar das casas. Desta vez, quando a obra ficou concluída, dei por mim com centenas de fotografias e dezenas de vídeos no telemóvel, um acervo importante e interessante que relata bem todo o trabalho que foi realizado neste andar centenário. Intervenções cirúrgicas que trouxeram esta casa para o século XXI sem no entanto despojá-la da sua essência e originalidade. Fiquei sem saber como partilhar tanto que tinha na manga, de uma forma que não se tornasse enfadonha. Como os meus conhecimentos tecnológicos não são muitos, recorri ao sobrinho, que conseguiu que eu fizesse upload para esta página de dois vídeos perdidos no telefone: um filmado durante as obras e o outro feito no dia em que entrei na casa pela última vez. São um pouco longos, reconheço, e quando os fiz foi sem intenção de os partilhar daí não terem um cunho profissional. Mas quando me vi com tantas imagens em mãos e comecei a organiza-las para esta postagem, acabei por achar que para os amantes do "antes e depois", os filmes fariam bem mais sentido. Para aqueles que não têm tempo, deixo algumas fotos, sendo certo que os vídeos falam por si e demonstram bem melhor aquilo que aconteceu nos meses que os trabalhos duraram. Conheci o último casal, já muito velhinho, que aqui habitou por longos anos, muitos mesmos. E conheci também a família que mudou-se para este andar há escassos 2 meses, e cada vez me convenço mais de que as casas têm fases e acolhem. Um ciclo terminou para uns mas uma página em branco se abriu para outros que ali criarão novos afetos e novas memórias.
CASA PRÁTICA E ACOLHEDORA
Não é o que mais tem aparecido por aqui, nestes anos todos de blogue, mas é sem dúvida o meu tipo de post preferido: entrar em lares da vida real e registrar as ideias, as soluções, observar como cada um vive a casa à sua maneira, moldando-a mas também adaptando-se ao que ela tem para oferecer. Este apartamento em Bruxelas, e é a 5ª (ou será 6ª?) casa que a minha filha habita em 11 anos de Bélgica. É pequeno, mas bem localizado, ao lado de um parque e num bairro bem fornecido em termos de lojas. Às quartas feiras, um marché instala-se junto à praça principal, animando e perfumando as ruas com seus produtos frescos de diversas proveniências. Para se ter ideia da aldeia global em que vivemos, a dois passos da casa há uma loja de...pastéis de nata! do sabor tradicional aos mais inovadores, com recheio de chocolate belga ou speculoos. Enfim, não existem mais fronteiras nem exclusividades!
O apartamento fica num prédio com mais de cem anos, com uma arquitetura comum aos edifícios Bruxelenses da época e parece ter sido originalmente uma casa unifamiliar, a determinada altura dividida em 3 pequenas moradas para arrendamento. Laura e o namorado ocupam o 1º andar. Não é grande mas tem aquelas características que aumentam e potencializam qualquer espaço: luz natural em abundância, pé direito alto, portas grandes que dividem as assoalhadas sem as enclausurar. Se o quarto é enorme mas não tem roupeiros suficientes, nada de desespero: prateleiras e varões à vista solucionam o impasse. A sala não comporta uma mesa de jantar? sem dramas: a mesa vai para a cozinha, ganha banco com almofadas e até poltrona e luminária à cabeceira, duplicando as funções como canto de leitura. Não existe espaço para uma estante de livros? o parapeito da janela é um bom apoio. Gosto destas soluções descontraídas, que abraçam os defeitos de uma casa e transformam as partes negativas em aliadas de peso. São soluções descontraídas, sem nenhum padrão ou estilo definido mas que definitivamente tornam único, um lar.
A CASA DOS MEUS AVÓS
Em 2013 visitei a casa dos meus avós paternos, no nordeste do Brasil. Senti que seria a última vez que lá ia e tirei fotos de alguns elementos que mais me marcaram na minha infância e dos quais gostaria de guardar memória. Fotografei-os não por serem bonitos ou dignos de algum registo especial mas para não me esquecer das sensações que eles me causavam quando, uma vez por ano, nas chamadas "férias grandes" escolares, a minha mãe embarcava numa longa viagem transatlântica com as 3 filhas para se reunir à família.
Na verdade ficávamos sempre hospedados na casa dos avós maternos, um casarão dos anos 50, bonito, confortável e bem decorado, curiosamente situado na mesma rua da casa simples dos avós da parte do pai. Passávamos portanto os meses de férias de verão a saltitar entre uma casa e outra. Dois mundos diferentes. Dormíamos na vivenda da família da mãe e brincávamos na casa dos pais do meu pai, que é onde estavam os mais de 20 primos que tínhamos por lá.
Meu avô paterno tinha dado um pouco do terreno da casa a cada filho quando estes casavam (menos ao meu pai que tinha imigrado para Portugal) para que estes construíssem seus próprios lares, de modo que todos moravam porta com porta numa grande comunidade. É imaginar a alegria, a cumplicidade, as brincadeiras que emanavam daqueles 20 miúdos, ou mais, criados praticamente como irmãos. Para as minhas irmãs e eu era aterrar (literalmente) em um ambiente totalmente novo, que ao mesmo tempo nos seduzia e nos intrigava. Eles eram livres e audaciosos, nós, recatadas e tímidas. Olhando hoje para aqueles tempos, sinto que nos esforçámos para nos integrar mas não tenho a certeza que o tenhamos conseguido. Até porque o que ficou mais na minha memória não foram tanto as brincadeiras que inventávamos juntos mas as sensações que a casa sempre me passou.
A primeira e mais importante era a falta de vidros nas janelas. Aliás nem existiam janelas. Haviam vãos que eram encerrados por venezianas, treliças, grades abertas e demais elementos vazados que permitissem arejar a habitação e enganar o calor que se faz sentir naquela região 365 dias por ano. Esta falta de fronteira entre interior e exterior era novidade para mim. Nas poucas noites que lá dormi, estar deitada na cama e ouvir os passos ou as conversas de quem passava na rua era quase perturbador.
A casa tinha sido acrescentada ao longo dos anos, sem qualquer coerência ou harmonia nos materiais usados e era uma autêntica manta de retalhos no que diz respeito aos acabamentos. Nem sequer havia um estilo único, cada cómodo tinha sido decorado ao bel prazer de quem o ocupava. O quarto dos meus avós era muito austero, com móveis grandes e escuros e lembro que as paredes da sala ostentavam vários trabalhos feitos pela minha avó: tapeçarias e pratos pintados. Símbolos religiosos também estavam bastante presentes, o que ia muito na contramão da educação que os meus pais me davam. A parte mais recente da casa era a cozinha, móveis bem alinhados, paninhos pintados pela avó, onde os eletrodomésticos eram guardados cuidadosamente dentro de sacos, talvez para não apanharem pó lá de fora, não sei.
Na época era tudo muito extraordinário para mim. A minha realidade era um apartamento grande e requintado no centro de Lisboa, onde minha mãe impunha suas regras espartanas e não havia lugar ao improviso. Hoje entendo esta casa, espelhava a história de vida dos meus avós: o terem vindo do província, terem acrescentado a casa à medida que a família crescia, o terem partilhado mais tarde o terreno para ajudar os filhos, a falta de vidros por razões práticas e a generosidade de manterem as portas sempre escancaradas para filhos, genros, noras e mais uma penca de netos que todos os dias entravam, saiam, dormiam, comiam e brincavam sem ter que pedir licença. Estou convicta de que, afinal, já era a tal "casa com vida" de que tanto se fala hoje em dia.
Meu avô costumava sentar-se nesta cabeceira da mesa entre as 11h30 e o meio dia, para almoçar. Para ele, o dia começava e acabava muito cedo. A porta amarela só era trancada à noite, na hora de se recolherem:
O BAÚ DO ENXOVAL
Em Abril último a minha sogra deixou-nos. Teve uma vida longa, um casamento pautado por muito amor, construiu uma família com valores sólidos e não fosse o desgosto de ter perdido um filho há uns anos, teria, penso eu, vivido no melhor dos mundos. Como sempre nestes casos, depois que a pessoa parte, sobra uma casa cheia de moveis e de recordações de uma vida inteira, difícil emocionalmente de desmanchar. Felizmente, não calhou a mim essa tarefa e sim à filha e esta, sabendo do meu gosto por moveis e objetos do passado, deixou que eu ficasse com aquilo que quisesse. Não trouxe tudo que gostaria e sei que talvez um dia ainda venha a lamentar, mas apesar de não me faltar criatividade, a verdade é que não tenho espaço físico para tanto nem tempo ilimitado para resignificar peças. Guardei numa arrecadação algumas coisas que, penso, ainda poderei vir a usar e quando já tinha encerrado o lote, a cunhada pediu que eu ficasse também com o baú do enxoval. Não pude recusar uma peça que conviveu cerca de 70 anos com a minha sogra e foi tão significativa em sua vida, e imaginei-a, jovem, determinada e confiante como sempre foi, a vir da aldeia para a capital, para casar com o seu mais que tudo e iniciar sua carreira de professora primária, acompanhada de uma arca pesada em sonhos e peças bordadas por ela. O baú, apesar dos anos, estava bem conservado portanto o que fiz foi apenas dar-lhe um ar mais rústico pois a arca, ultimamente guardadora de cobertores e mantas, iria ser reconvertida em móvel de TV na casa de praia, substituindo um de gosto e qualidade muito duvidosos, que um dia foi lá para casa com estatuto de temporário mas ameaçava tornar-se definitivo. A tarefa foi relativamente rápida e a transformação, tudo menos radical: livrei a peça de um verniz luzidio e alaranjado, limpei com palha de aço finíssima as ferragens e coloquei-lhe umas rodas. Sim, móvel de televisão que se preze tem que ter rodinhas, ainda mais que no verão, os sobrinhos gostam de virar a TV para o exterior e assistir futebol sentados lá fora, a curtir as noites Algarvias.
PEQUENO ALMOÇO DE FÉRIAS
UMA CASA COM CHEIRO A FÉRIAS
TOALHA DE VERÃO
TROCA DE CASA
PLANOS PARA O QUARTO DAS FILHAS
O quarto depois do desbaste:
CASAS DE BANHO E COZINHAS DO SÉCULO PASSADO
PURO ACONCHEGO
SOUS LE CIEL DE PARIS
NOTA: as fotos foram tiradas pela minha filha, com o telemóvel (o que explica a pouca qualidade das imagens), num fim de semana que passou chez Zeyna.











