Mostrar mensagens com a etiqueta Antes e depois. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Antes e depois. Mostrar todas as mensagens

BEADED LAMPSHADE

9.11.18
Desde que vi a luminária de missangas da Regina que não me saiu da cabeça a ideia de fazer uma parecida. Afinal, material havia em casa, e em abundância: um candeeiro já mais do que usado e a precisar de um up e caixas e caixas de missangas e contas que já estiveram a um passo de irem parar ao lixo. Quando as minhas filhas eram crianças "fundaram" em sociedade com os primos uma empresa de bijuterias, fabricavam toda a sorte de bujigangas que vendiam na escola às amigas. Desta fase empreendedora da vida delas sobraram aqui por casa milhares de miudezas dos mais diversos formatos, cores e tamanhos e de materiais distintos como madeira, vidro, plástico ou massa. Com calma e paciência, foi a oportunidade única de usar boa parte do acervo da extinta firma e ainda dar cara nova ao candeeiro já caído em descrédito. Só não me foi possível aproveitar o abajur antigo pois a sua estrutura não me permitia esticar os fios de modo a dispor as missangas. Mas de resto, o candeeiro em si, levou duas cores de tinta em spray (o amarelo para dar a ilusão de que a lâmpada está sempre acesa) e o velho cabo branco saiu para dar lugar a um mais atual, coberto em tecido, enquanto as contas foram enfiadas completamente ao acaso sem que eu ligasse a harmonia ou combinações. De brinde, vai, no final do post, um simplicíssimo tutorial para quem quiser se habilitar a montar um Beaded lampshade!

BRIDE AND GROOM PADDINGTON BEARS

30.9.18
A minha sobrinha chegou-me esta semana, de surpresa, com dois porta chaves do ursinho Paddington. O Paddington Bear, para quem não sabe, é um personagem clássico da literatura infantil do Reino Unido, e as histórias contam as aventuras de um urso que nasceu no Peru e foi adotado por uma família em Londres. Mas dizia eu que a sobrinha, que mora em Londres e veio a Lisboa especialmente para o casamento de um amigo de infância luso-britânico, aparece-me com os ursinhos e pede-me ajuda: precisava, a pedido dos noivos, transformar os dois bonecos em noivinhos para enfeitarem o topo do bolo de casamento. Seria uma homenagem ao lado inglês do noivo e também um desejo da noiva, grande fã do personagem. A princípio fiquei meia apreensiva, pois entendi que a sobrinha queria que eu confeccionasse uns fatos especiais para os bonecos, que de tão pequenos cabiam na palma da mão. Mas quando trocámos ideias, chegámos à conclusão que não havia razão para descaracterizar o Paddington que tem como imagem de marca o chapéu vermelho e a canadiana azul. Sem estas roupas ele tornar-se-ia um Teddy Bear anónimo e comum. Pensámos que se um dia o ursinho se fosse casar, apenas adicionaria ao seu típico traje bicolor um acessório de gala e que a escolha certa seria um bow-tie com algum brilho. Já para a noiva, o investimento foi maior: conservámos o casaco azul mas o chapéu foi substituído pelo tradicional véu (foi uma boa surpresa descobrir, quando descosi o chapéu, que o boneco tinha orelhas!), flores do campo na "mão" e de repente tínhamos à nossa frente uma ursinha feminina mas que ainda assim, remetia ao Paddington. Foi uma brincadeira engraçada, que deixo aqui à guisa de inspiração, pois nunca me teria passado pela cabeça transformar um personagem do imaginário infantil em bonecos de topo de bolo. Soube, que apesar da abordagem e do projeto simples, os noivos emocionaram-se e foi isso que me deixou mais feliz.

CADEIRÃO ENCONTRADO NA RUA...

8.9.18
...não por mim, mas pela minha cunhada que prontamente levou-o para casa e ali ficou por vários meses, sem que ninguém tivesse coragem de pegar nele. Estava muito manchado, por ter ficado exposto ao sol e à chuva, faltava-lhe uma peça do encosto, tinha partes descoladas e um braço bastante ruído, provavelmente por algum cachorro. Mas o potencial estava lá, e começou a dar nas vistas mal iniciei a lixar, quando apareceu uma madeira não muito clara mas com uns veios bonitos. A parte delicada, foi o enxerto no braço. Tratou-se de uma primeira vez para mim e achei mesmo que não iria dar conta, mas no fim revelou-se um trabalho de marcenaria bem interessante de realizar.
Minha cunhada não é dada a DIY, e a cadeira, pesada e rústica iria ficar forever esquecida a um canto se eu não lhe lançasse mão. Trouxe-a comigo há alguns meses e demorei de propósito a trabalhar nela, pois só quero devolver a cadeira no dia do seu aniversário, daqui a alguns dias. Minha cunhada tem passado por problemas graves de há um ano a esta parte, que a têm deixado muito em baixo, e quero que ela tenha a surpresa de entrar na sua sala e se deparar com a cadeira renovada. Tenho a certeza que ela não a vai reconhecer, não está à espera de um tal presente de anos e imagino mesmo que ela no momento até já tenha esquecido o cadeirão, porque quando o levei de lá de casa fingi falta de convicção, e ainda lancei, com pouca firmeza, um "vou ver o que consigo fazer disto". Até a escolha do tecido para as almofadas não foi sem intenção: não é o tecido que a cunhada escolheria, ela é pessoa mais contida e clássica nos seus gostos. Mas o propósito foi mesmo esse, tirá-la da sua zona de conforto e dar um boost, um impulso, alguma cor à sua vida.

O DEPOIS E O ANTES DE UMA COZINHA

30.8.18
Ao escrever este post dou-me conta que boa parte do meu ano de 2018 foi passado a recuperar esta casa, mas que finalmente, acabou! Deu trabalho, houve muito investimento pessoal por ter sido eu própria a restaurar boa parte dos móveis, a encerar todas as portas e a pintar alguns elementos, que por serem corriqueiros não cheguei a mostrar aqui. Mas está pronta! E ao vos mostrar a cozinha, dou por encerrado este capítulo e espero poder voltar em breve à máquina de costura (parada desde Abril) e a postagens mais diversificadas. O processo de tornar esta cozinha mais consentânea com o estilo de vida atual sem contudo desvirtuá-la dos seus elementos originais, trouxe alguns desafios: foi preciso arrancar o móvel da parede e adaptá-lo ao novo espaço (leia como, aqui), deslocar a bancada, torná-la mais larga e recolocá-la numa posição mais alta para permitir que a máquina da loiça caiba em baixo e, pasme-se, sair à procura de um lava loiças em pedra que substituísse aquele que eventualmente existiu na casa mas, por alguma razão que desconheço, havia desaparecido. Aquilo que mais gosto quando intervenho num andar velho é que a remodelação seja coerente com a época de construção da casa. E, modéstia à parte, acho que consegui.

CASA DE BANHO COM BANCADA EM STENCIL

20.8.18
Um erro do empreiteiro da obra (leia-se, marido) que trocou as cores dos azulejos que eu tinha definido para cada casa de banho, e consequentemente, a cor da massa de microcimento aplicada no piso e paredes, fez com que pela primeira vez na vida eu tenha acabado com um ambiente totalmente tom sobre tom! Na altura fiquei bem chateada, não tanto pela troca das cores (nisso, eu daria um jeito) mas mais pela incapacidade dos homens de reterem na cabeça mais do que uma tarefa. No entanto, no decorrer da obra, fui-me apercebendo que as paredes casavam com o móvel, que este ornava com a janela, que esta última combinava com a porta, e que tudo junto, somado à luz natural de fim de tarde que entra abundantemente, tinha lá o seu encanto, apesar de eu, pessoalmente, precisar de um pouco mais de contraste para me sentir estimulada. Agradou-me de tal forma o conforto de jogar com o similar que quando, em viagem a Bruxelas, avistei pelo vidro da montra, dois cabides de parede com acabamento ferrugem, fiquei com a certeza que o local ideal para a dupla seria naquela casa de banho, cor de areia da cabeça aos pés. A bancada, que eu mostrei aqui, depois de passar largos meses em espera na sala lá de casa, foi com saudades que lhe disse adeus!

CASA DE BANHO COM BANCADA DE PÉ DE MÁQUINA

11.8.18
Finalmente o pé da máquina de costura que mostrei aqui assumiu com louvor as suas novas funções, numa despensa transformada em casa de banho.  Ele agora serve de base a um lavatório de pousar num espaço feito como gosto: com elementos que não combinam necessariamente, mas se coordenam; com materiais que tiveram outras vivências e com as características de época da casa, mantidas. Nos pormenores, outros dois itens que não dispenso: luminárias pendentes e cabides de parede. As imagens não são as melhores porque o espaço é estreito e a luz, artificial, mas cumpre o objetivo: levar-vos a não terem medo da mistura pois é quando elementos diversos se encontram e se destacam que a originalidade surge!

ARMÁRIO DE COZINHA

29.7.18
A minha presença pouco assídua aqui no blog tem sido por motivos de trabalhos grandes, que têm ocupado todo o meu tempo livre. Estou a intervir num apartamento dos anos 50 e alguns dos móveis que vão para a cozinha e as casas de banho, tenho estado eu própria a recuperá-los. São trabalhos que além de morosos, dependem dos canalizadores, eletricistas, colocadores de espelhos, entre outros para que os ambientes fiquem completos e eu possa mostrá-los. Obras de recuperação são mais lentas que fazer tudo novo (e consideravelmente mais caras também): há muitas condicionantes e surgem decisões que devem ser tomadas para modernizar a casa sem, no entanto, despojá-la das suas características originais. Nem sempre é fácil, mas para mim, é nesse equilíbrio entre o que fica e o que infelizmente deve partir, que reside o desafio. O móvel da vez, é um dos armário da cozinha. O único que ficou, pois os outros, além de estarem em bastante mau estado, seria difícil integra-los aos eletrodomésticos atuais. O móvel é grande, pesado, e para trocá-lo de posição enquanto o despia das camadas de tinta, era preciso chamar reforços. Foram muitos finais de tarde e fins de semana (mais do que aqueles que eu poderia supor) de volta dele mas eu acho que valeu a pena. Ainda falta colocar a rede de galinheiro nas portas, pendurá-lo no devido lugar e vir mostrar-vos o antes e depois da cozinha, um projeto que tem sido muito interessante para mim, pois alguns elementos foram mantidos (como este móvel) mas trocaram de lugar e para isso tiveram necessidade de ser adaptados e outros, como o lava loiças, pura e simplesmente não existiam e foi preciso procurar até encontrar um da época. Um verdadeiro quebra-cabeças que espero completar em breve!

ARMÁRIO RÚSTICO #3

28.6.18
Eu tinha prometido mostrar-vos o móvel quando ele estivesse completo e colocado na parede. Levou o seu tempo, mas aqui está ele. Sim, trata-se do guarda comida que apareceu aqui ainda num estado bastante primário e a seguir mostrei-o terminado mas ainda não no seu lugar definitivo. Finalmente, consegui pendura-lo na parede, e tal como tinha planeado, acrescentei-lhe umas poleias trabalhadas na base, que a meu ver lhe conferiram um certo acabamento, além de serem úteis pois ajudam a suportar o peso do móvel quando este estiver carregado. A parede em questão fica na marquise de uma cozinha e a minha aposta é que, quem for habitar esta casa, provavelmente colocará por baixo deste móvel suspenso, uma mesa para as refeições ou, quem sabe, um aparador. São meras hipóteses que coloco, pois o meu papel, na remodelação de casas antigas, apenas passa pela cozinha e casas de banho. Não decoro nem mobilo e a maior parte das vezes nem sequer chego a ver as casas ocupadas, o que considero uma pena pois com certeza seria interessante para mim, descobrir se quem se instalou no espaço, seguiu o mesmo fio de pensamento que eu ou pelo contrário, veio com uma ideia completamente diferente! Nas fotos, vão notar que o piso e o rodapé são os originais da casa, apenas foram limpos e polidos. Assim como a janela de madeira que ilumina uma das casas de banho do apartamento. Não tenho o "antes" dela, mas foi retirada a tinta velha deixando a madeira à vista e os vidros antigos, preservados. Com tempo ainda quero mostrar-vos as casas de banho que apesar de totalmente refeitas, conservaram características interessantes, assim como a cozinha, um verdadeiro desafio que ainda não acabou: tenho no momento entre mãos a recuperação do único móvel que existia naquele espaço, é  enorme e tem me dado água pela barba!

TOUR PELO QUARTO DAS FILHAS

9.6.18
Para fechar com chave de ouro a transformação do quarto das filhas, aqui fica um pequeno video realizado, não por mim, que pouco ou nada entendo de tecnologia, mas por Andy, um jovem talentoso e multifacetado, estudante de arquitetura e atleta de saltos ornamentais, que a convite da minha filha ficou por alguns dias cá em casa enquanto explorava e tomava-se de amores por Lisboa e arredores. Pouco mais de um minuto em que, quem andou por aqui, a incentivar e a adivinhar o que viria a seguir, vai finalmente poder ver, através do olhar divertido e irreverente do Andy, as peças que se encaixam. Clique and....enjoy!


__________________________                                      
FICHA TÉCNICA:
                                
IDEIA E REALIZAÇÃO         
Andy Kreiter

CAST (in order of appearance)
Val
Victoria
Bea
Andy
___________________________

Para quem perdeu, ou quer recordar, o processo que levou à transformação do quarto, aqui ficam os links:

ANTES E DEPOIS DO SOFÁ

11.5.18
Eu tinha guardado o sofá para um dia colocá-lo na sala, quando fosse feita a reforma que anda a ser adiada há anos, mas acabou no quarto das filhas, visto o "programa" delas pedir um local para chill out. O "programa" também me deixava liberdade para um, e somente um, elemento de cor no ambiente, e foi no sofá que me realizei. Relativamente pequeno e com umas orelhas que lhe conferem um certo charme, a ideia foi dar-lhe aquele twist que lhe permitisse passar do clássico ao contemporâneo. E nem os pés, que são novos pois os antigos tinham sido comidos pelo bicho, escaparam. Falta pouco para a reforma chegar ao fim: umas colchas lindas feitas pelas mãos de alguém que muitos de vocês conhecem e acompanham, estão quase prontas. E, apesar das miúdas já não precisarem de uma zona de estudo, desenhei e mandei fazer uma bancada estreita, da cor da parede, de linhas simples e que contempla uma pequena área para a pessoa sentar e escrever ou consultar o portátil. Está quase, vamos segurar um pouco mais a ansiedade!

BAÚ DE CABECEIRA

30.4.18
Quando alguém me perguntou se eu queria ficar com o baú, confesso que aceitei só por simpatia. Nunca pensei que algum dia pudesse vir a me ser útil. No entanto, quando precisei de uma mesa de cabeceira para o quarto das filhas, foi dele que me lembrei. Era feio de doer, mas tinha as medidas adequadas e apesar de velho, estava em bom estado. Foi um autêntico desafio livra-lo do verniz escuro que o cobria por inteiro, mas quando a camada preta desapareceu, revelou uma madeira cor de mel, ferragens trabalhadas e um papel com textura. Como para o meu objetivo ainda estava um pouco carregado, pintei o papel com uma tinta clara, com cuidado para não esconder os relevos. E de uma caixa sombria e sisuda, direi até, meia soturna, o baú passou a um elemento levemente romântico, que encaixou na perfeição entre as camas das miúdas.
Baús são peças que despertam indagações: será que rodaram o mundo ou terão levado uma existência mais pacata, encerrando o enxoval de uma vida? entre mala de viagem e arca de arrumação, acho que foi esta última a função que ele sempre cumpriu. Agora, passará a ser guardador de sonhos.

ARMÁRIO RÚSTICO #2

25.3.18
Três semanas depois, em meio à azáfama das obras no quarto das filhas, que virou a casa e a minha vida de cabeça para baixo (justificativa para a minha ausência no blog), parece que o armário ficou pronto. Parece, porque olhando bem, haveria lugar para mais uma lixadela aqui ou um polimento ali. Mas chega a uma altura em que é preciso aceitar a beleza da imperfeição e assumir que a peça está acabada. E para mim, o guarda comida ganhou nova vida. Continua com ares de moço simples, com a sua lateral feita de restos de madeiras toscas e a cimalha interrompida, mas ganhou um fundo de propagandas recortadas de revistas antigas e agora apenas espera que a parede que o irá receber fique pronta. Para quem perdeu o primeiro episódio da transformação deste móvel, sugiro que leia aqui enquanto aguarda pacientemente pela 3ª e última parte....

ARMÁRIO RÚSTICO #1

4.3.18
Desde que caí de amores por um móvel rústico, que estava pregado a um canto de uma assoalhada de um velho andar, que não tenho sossego. Os meus fins de semana têm sido passados na sua companhia e a tarefa ingrata de lixar, lixar e lixar sem fim à vista, por vezes me faz pensar se estarei no bom caminho. Mas enfim, não sou pessoa de desistir fácil, e enquanto como o pó da lixa, desconfio que me está a aparecer uma madeira cheia de nós, certo, mas que promete não me decepcionar. O móvel em causa é na verdade um guarda comida, muito simples, com as típicas telas nas portas para deixar respirar os alimentos, ferragens rudimentares, cimalha e uma das laterais inacabadas na parte que encostava à parede e, sem fundo. Ou seja, um móvel de execução grosseira, desprovido de ornamentos e com acabamentos descuidados, mas que na minha cabeça já está transformado: vou assumir a madeira e as imperfeições, colocar-lhe um fundo forrado de propagandas de revistas antigas e acrescentar-lhe na base, poleias em ferro trabalhado. Mas neste momento ele está assim, ó: ferragens e telas desmontadas, partes decapadas e outras em progresso. Faço duas promessas: que ele vai ficar lindo e que eu venho mostrar a evolução.

PÉ DE MÁQUINA DE COSTURA

19.2.18
A minha existência tem sido tudo, menos glamourosa, desde que estou a intervir numa casa em que alguns móveis estão a ser recuperados por mim. Como durante a semana a vida passa-se no escritório, e só me dedico aos móveis nos tempos livres, isto quer dizer que os momentos de ócio são raros e que os assuntos no blog andam menos variados, centrando-se essencialmente nos "antes e depois" das peças que tenho em mãos. Sorry, prometo que é só uma fase e que a programação eclética há-de retornar!
A peça da vez é um pé de máquina de costura. Lembro-me que foi um amigo nosso que nos deu, tínhamos nós acabado de casar. A mãe deste amigo havia tirado a máquina da base, para mandar eletrificar, ele sabia que eu apreciava coisas velhas e um dia apareceu lá em casa com o pé. Por uns tempos ainda serviu como mesa lateral do sofá mas rapidamente acabou na arrecadação e lá ficou por mais de 20 anos. Agora, nas obras deste apartamento, precisei de mais um móvel que servisse de bancada de casa de banho (no outro banheiro da casa usei o móvel de stencil) e lembrei-me do pé que, por uma coincidência incrível descobri ter exatamente as medidas que eu precisava: era suficientemente estreito para caber entre o vão da porta e a parede em que encosta e o seu comprimento, perfeito para não atrofiar o espaço da sanita. O que fiz no pé não vai arrancar de quem o vê um UAU enorme e super expressivo, pois apesar de eu gostar de transformar radicalmente, existem peças que apenas pedem limpeza. E acho que esta era uma delas. Pesquisei bastante no pinterest e instagram, pés deste tipo (com "pernas" em madeira e pedal de ferro), repaginados, mas francamente, as imagens que encontrei não me agradaram. Pintar apenas por pintar, para dizer que agora o pé ficou colorido e alternativo, não me diz nada. Optei então por tirar o verniz escuro e deixar a madeira no seu tom mel. No pedal em ferro, fiz o mesmo: palha de aço fina, deixar a cor de ferrugem à vista e cera no acabamento. Ainda não está terminado, falta a pedra mármore no tampo, falta o lavatório e falta o mais importante: assumir as suas novas funções!

BANQUINHO COM POMPONS DE FELTRO

10.2.18
A história deste banquinho é a seguinte: via várias vezes a senhora que limpa o prédio onde moro, periclitantemente equilibrada em cima do dito cujo, a polir as pedras das colunas que ficam na entrada. Um dia propus-lhe um negócio: eu arranjava-lhe um escadote em condições e ela, em troca, dava-me a banqueta. A resposta veio imediata: que se fizesse a permuta rapidamente, pois ela era pessoa baixinha, o banco curto, e estava mais do que evidente a dificuldade que tinha em aceder a cantos altos. E foi assim que eu ganhei um banco velho e sujo, e ela, um escadote novo e reluzente. A meu ver, troca mais do que justa! Depois seguiu-se a fase da ansiedade: lixar a tinta antiga para enfim descobrir as virtudes e os defeitos do banco. A coisa boa foi a sua estrutura, que se revelou robusta e bonita. A notícia má veio com a descoberta de um tampo minado pelo caminho dos bichos. Umas bases para pratos quentes, feitas em pompons de feltro, e que eu utilizava bem pouco em casa, foi a solução que encontrei para transformar o tampo agonizante num assento colorido e confortável. Desfiz as bases e colei uma a uma as bolas. A princípio julguei que a minha ideia iria resultar num banco frágil, quase só para enfeite, em que com o sentar, pompons se iriam soltar a pouco e pouco. Mas não, com doses generosas de cola de contato e os pompons bem chegados uns aos outros, obtive um "maciço" sólido e um banquinho de arrancar sorrisos!

MÓVEL REPAGINADO COM STENCIL

18.12.17
O que safou este móvel do abandono definitivo, é que era Agosto, mês desesperante em Lisboa, em que meia cidade está de férias, a outra metade em suspensão, faz um calor de rachar e eu com muito pouco que fazer. Achei que lixá-lo até à exaustão e descobrir o que poderia estar por baixo da tinta, seria uma boa maneira de aproveitar os finais de tarde de verão que se arrastam com luz até às tantas. Sim, eu sei, há gosto para tudo. Só não contava é que o móvel fosse feito de várias madeiras e contraplacados, tivesse portas e interiores irremediavelmente manchados e partes bem maltratadas pelo bicho. Algumas razões fizeram no entanto com que eu não desistisse dele a meio do processo: a sua frente assimétrica, os pés palito e o pesadíssimo tampo em pedra de lioz. Dois meses depois, com a peça totalmente virgem e sem decisão de acabamento à vista, acontece de eu embarcar de rajada para os EUA e trazer de lá inúmeros stencils, uma técnica bem em voga ali pelos anos 90 e que ressurge agora em força, com desenhos bem criativos e atuais. Ouro sobre azul para alguém como eu, que gosta de padrões mas que gosta muito mais ainda, de misturar padrões. O móvel está lá em casa, de passagem, pois a sua transformação ainda não acabou. Ele, que durante mais de 50 anos morou numa cozinha, vai ser reinaugurado como bancada de casa de banho. Curiosos? ah, eu também, mas vamos ter que segurar a ansiedade!

BELEZA SEM RETOQUES

12.11.17
Sempre hesito muito antes de publicar no blog os trabalhos que faço profissionalmente. Mas depois que os mostro, a onda de curiosidade em relação a conservação e restauro e a chuva de emails com perguntas sobre estes assuntos são tão grandes por parte de quem me lê, que acabo por me convencer que sim, que quem passa por aqui, tem um genuíno interesse por reabilitação de casas usadas pelas pessoas e pelo tempo. Esta intervenção foi especial, não tanto pelo apartamento em si, (sim, ele é lindo, mas estou habituada a isso, 99,9 % do meu trabalho como arquiteta é em remodelações) mas pelo que pude descobrir depois que levantei o linólio que cobria o piso da cozinha, raspei a tinta do interior da chaminé ou desmontei a parede que dividia duas salas. Por baixo do linólio, revelou-se um chão de madeira interrompido aqui e ali por mosaicos hidráulicos, num patchwork surpreendente. Sob a camada de tinta, apareceram delicados azulejos antigos. E quando descasquei cuidadosamente a parede, surgiu uma estrutura linda, de madeira, como se de um biombo se tratasse. Belas surpresas, que me levam a pensar que é um privilégio trabalhar nesta área, e uma responsabilidade acrescida deixar à vista uma beleza nua e crua, com marcas e defeitos. Sem disfarces.

O ROUPEIRO DE BONECAS

21.10.17
Eu sempre achei graça a miniaturas e mais ainda a móveis antigos para as bonecas. Acho que têm uma simplicidade e um charme, que os modernos, produzidos em série e em plástico, não possuem. Eram de fato réplicas de móveis verdadeiros, feitos em metal ou madeira, com pormenores interessantes, e utilizando elementos impensáveis nos dias de hoje: quem deixaria sua criança divertir-se com um brinquedo que precisou de pregos para ser montado ou exibe um espelho de verdade? Quando as minhas filhas eram pequenas, eu ia colecionando alguns, na esperança de ter suficientes para montar uma casa completa. Só que tudo isso leva tempo, e o tempo para ser criança é limitado. Elas cresceram, desinteressaram-se desse universo lúdico e as peças ficaram esquecidas cá por casa: caminhas, máquinas de costura, mesa de cozinha, louças de casa de banho e o roupeiro que vos mostro hoje. Fui dar com ele na prateleira da estante, completamente relegado e em péssimo estado. Posso garantir, no entanto, que o seu aspeto gasto devia-se não só aos seus anos de existência como também a muitas e muitas horas de brincadeiras. Enfim, peguei nele, e foi muito bom por uma vez ter uma peça pequena para trabalhar: em algumas horas, desmontei, lixei, encerei e forrei. Aaah ganhou novo fôlego o armário! e sabem do que gosto mais nele? de alguém se ter lembrado, quando o idealizou, que um prego tinha a escala certa para ser um puxador de porta!

ELA É LINDA SEM MAKEUP

14.6.17
Nos anos 70, os meus pais tinham o costume de levar as filhas aos jardins do Inatel de Oeiras. Aos domingos, depois do almoço, eles tomavam um refresco e apanhavam sol, enquanto nós corríamos e brincávamos por ali. Eu era criança, muito criança mesmo, mas se havia alguma coisa que me chamava a atenção no Inatel, era as cadeiras e mesas de ferro da esplanada. Gostava do desenho em leque das costas, das almofadas vermelhas nos assentos e dos pés, que mais tarde vim a saber tratarem-se de hairpin legs (ou pés "grampo de cabelo"). E, acreditem ou não, já adulta, sempre que passava a pé pelo complexo do Inatel, parava, só para contemplar o mobiliário de exterior. Era uma fascinação! Há uns meses atrás, ao chegar a Oeiras, a casa de uma amiga onde nos reunimos 1 vez por mês para fazer patchwork, deparo-me com a cadeira do meu coração à porta do prédio! Venho a saber que pertencia à vizinha de baixo, que num processo de mudança de casa, descartava na calçada o que não lhe interessava levar. Nessa hora fiquei genuinamente feliz e só  pensei na pessoa de sorte que sou. Não vão ver uma grande transformação na cadeira, apenas tirei-lhe a tinta velha, tratei a ferrugem e espetei-lhe com um mega almofadão. Embora não aparente, foram horas à volta dela e apesar do aspeto usado, a cadeira está suave ao toque e linda, linda como sempre!

CADEIRA CAMPBELL´S

5.6.17
Já não sei como me veio parar às mãos esta cadeira, mas achei que mesmo sem ser bonita nem tão confortável, teria um feitio bastante adequado para que eu estampasse nela a famosa lata de sopa Campbell´s. O movimento Pop Art, com suas cores intensas e linguagem figurativa, é um estilo que tem tudo a ver comigo e que mesclado a uma peça mais clássica, consegue imprimir-lhe uma personalidade gigante. A transformação é tão inesperada que é capaz de surpreender até os mais incautos! Já tinha experimentado a técnica aqui e não se preocupem que não pretendo "popartar" a casa inteira mas sim partir para outros voos que incluam a pintura figurativa nas suas mais variadas vertentes!
 

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Web Analytics