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EM CASA DA TIA

23.10.15
Por vezes o melhor das férias nem é a quebra de rotina que se avizinha ou a expetativa da viagem a empreender, mas sim o fato de ficarmos hospedados na casa da família. Casa que é nossa velha conhecida, que tem hábitos característicos, que contém tantas recordações e onde somos recebidos com muito carinho. Assim é a casa onde vivem os meus tios há mais de 50 anos. Um oásis no meio da cidade, que começou pequena, foi ampliada com a chegada dos filhos, modificou-se quando estes casaram, e continua em mutação, não tivesse a minha tia, uma mente inquieta e um marido colaborante. Um lar sempre cheio também, de objetos com valor sentimental, de netos, de amigos, e da parte lusa da família, que de vez em quando atravessa o oceano e instala-se lá.
Na casa da tia há muitas lembranças de viagens e peças de afeto que falam dos donos e da família, mas há três coisas que gosto particularmente de rever e contemplar quando lá vou: a parede com a coleção de azulejos para a qual contribuo sempre que surge oportunidade; a mesa e cadeiras de ferro que ladeiam essa mesma parede e que antigamente era o mobiliário do alpendre da casa da minha avó; e o jardim de inverno com azulejos amarelos na sala de jantar, que desde pequena espantava-me pois quando chovia, molhava dentro de casa e pouco depois com o calor próprio do clima equatorial, secava, deixando um cheiro característico no ar. Para quem vinha da Europa, esta comunicação explícita entre exterior e interior era coisa quase insólita!
Apesar das constantes alterações, há elementos que se conservam, tais como as madeiras maciças das portas e janelas, a pouca luz que entra na casa no intuito de enganar o clima quente e húmido da região, a vegetação alta e densa do jardim que invade também os interiores, o cheiro a tapiocas acabadas de fazer, logo pela manhã. E claro, há algo que se perpetua e até se acentua com o passar dos anos, e que é o afeto dos tios.

CHEGOU AO PARÁ, PAROU. TOMOU AÇAÍ, FICOU.*

7.11.14
Não foi por ter provado açaí que parei, e muito menos lá fiquei. Mas a verdade é que esta não foi a primeira vez que fui ao Pará e espero que não seja a última, pois voltar é a oportunidade para redescobrir e fazer várias viagens numa só, não fosse a cultura deste estado riquíssima e a culinária, uma das melhores e mais diversificadas do Brasil. Não pretendo escrever aqui um diário dos dias que passei em Belém e na Ilha do Marajó, mas apenas dar-vos a conhecer aquilo que mais me atrai na capital e nessa enorme ilha (na verdade um arquipélago), aos meus olhos de estrangeira. uma estrangeira que volta sempre.
Uma experiência a não perder é acordar bem cedo, preparado para enfrentar o calor equatorial e ir ao encontro dos sabores e os aromas do Pará no mercado de Ver-o-Peso, na parte velha da cidade.











AS FÉRIAS ACABARAM ?

19.8.13
Porventura ainda não. Talvez sobre mais uns dias. Vai depender disto, daquilo e daquilo outro. Logo se vê.

Mas Fortaleza, cidade de onde é originária e mora parte da família, ficou para trás.

Fortaleza é um paraíso para o turista: calor o ano inteiro, praias lindas, mar a perder de vista, água quente. Serras. Festa, muita festa. Frutos exóticos deliciosos, culinária diversificada. Enfim, quem visitar, tem diversão garantida.

Mas eu não sou turista. Tão pouco sou nativa, para usar um termo caro ao meu pai.
E tenho dois defeitos (juro que faço um esforço para mudar): não sou fã de praia nem grande amiga do calor!

Então tenho uma maneira muito própria de viver Fortaleza: acordo quando a cidade acorda.
E assim não perco a melhor parte do dia
Levanto-me sempre com o nascer do sol, e vou correr à beira mar.
É ali e aquela hora que muita coisa se passa.


Chegam as jangadas coloridas, carregadas de peixe, e os pescadores usam troncos e a força braçal para colocar as embarcações na praia.

Surge o rapaz do côco, aparece o vendedor de fruta e o dos chapéus de palha. O Tarcizo espera pacientemente, com seus modernos óculos espelhados, os primeiros clientes do dia. Descasca-se e escolhe-se feijão verde. A velha senhora toma o sol da manhã mas previne-se com a sombrinha rosa. E se estivermos atentos, frases aparentemente banais, dão-nos o que pensar.

A carrinha pão de forma apregoa as famosas e belas praias do litoral Cearense, enquanto os guardas zelam pela segurança dos turistas. O Dédé exibe com orgulho o seu patriotismo mas avisa que não vende fiado. E as rendeiras começam a expor os seus trabalhos.
 
É muito cedo e a praia ainda está deserta, mas no mercado do peixe a azáfama já é grande. Os merendeiros, são figuras típicas que com a  bicicleta carregada, oferecem café fresco, sumos e tapioca.

É esta a minha Fortaleza preferida. Quando se misturam pessoas, sons, cheiros e cores, mais um dia começa e o sol ainda não é tão quente.
E nunca levo saudades quando parto, pois acho que volto, e que ela vai estar ali, como sempre, imutável, à minha espera.

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