Uma cirurgia da minha filha, há muito planeada, mas marcada quase de uma hora para a outra, fez com que eu, de repente, me visse sentada num voo em direção aos Estados Unidos. Não esperava lá voltar tão cedo, e o espírito da viagem foi bem diferente do que quando vamos de férias. Os dias tornam-se poucos e intensos, a máquina fotográfica não vai na mala, as prioridades alteram-se. Só que era Halloween, um evento entusiasticamente vivido pelos Americanos, e o tema estava por toda a parte: nos supermercados, nas montras das lojas, nas ruas da cidade, nos restaurantes e bares, nas fachadas das casas. E há os amigos, que num primeiro momento nos amparam, porque estamos fora de casa e em situação frágil, mas que quando passa a fase mais delicada e as coisas correm bem, regozijam-se connosco e nos convidam para a festa. E foi assim que de súbito me vi rodeada de abóboras e de coisas assustadoras, de alegria e de muita amizade.
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AT THE HOLYOAKS
13.5.16
Quando entrei na casa da Melissa e do Josh, foi paixão à primeira vista. Pela casa e pela família. Entro pela lateral, Melissa abraça-me com afeto, como pessoa visual que sou, meu olhar prende-se a uma mesa com cadeiras coloridas, mas rapidamente desvio a atenção porque 4 crianças pequenas e um cão correm alegremente na minha direção. São 6 da tarde de um domingo, e tinha sido convidada para jantar. Sim, jantar ao final da tarde, pois em Columbia a vida começa e acaba cedo. Poucas vezes senti-me tão à vontade em casa de pessoas que tinha acabado de conhecer. Apesar da temperatura baixa, estão todos descalços e de roupas leves. Josh, na cozinha, ultima os preparativos, enquanto outros convidados bebem um aperitivo. Descubro que Melissa sabe mais de mim do que aquilo que imagino, porque a minha filha encarregou-se de lhe mostrar o blog. Ela não lê português, mas segue-me. Diz que se inspira nas imagens. Fico lisonjeada mas muito encabulada também. E com a mesma espontaneidade com que me abraçou à entrada, pega-me pela mão e mostra-me a casa. Com orgulho aponta-me os moveis pintados por ela e os objetos que expressam os gostos e o percurso da família. Diz-me que sempre que pode vai aos "garage sales" da cidade e explica-me que no verão a vida é feita lá fora, no terraço de chão azul e guirlanda de luzes. Senta-se ao piano e toca La vie en rose. É uma casa onde cabem os sonhos. Do casal, dos filhos, e os nossos também.
CASA 2420
27.4.16
É uma casa geminada e igual a todas as outras que estão à volta. As janelas são pequenas, a orientação solar não é das melhores e por conta disso a luz não entra como se desejaria. Apenas uns tímidos raios de sol pela manhã no quarto, e mais uns quantos da parte da tarde, na cozinha. Mas fica numa rua tranquila e é simpática. Ou melhor, talvez as três pessoas que lá moram tenham conseguido lhe dar alguma graça, mais, muito mais, pela jovialidade e alegria de viver que têm do que propriamente com o sentido estético que possuem.
A Kelli trouxe o que estava esquecido no sótão dos pais. A Lauren completou a sala com usados encontrados online. A Bea contribui com móveis baratos do Walmart, e alguns itens desviados da casa da mãe. Pelo meio, herdaram a mesa de jantar com cadeiras de uma colega que regressava ao país de origem. Peças que não combinam nem conversam, muito menos se harmonizam, mas formam um todo que, de alguma forma, acolhe-nos e abraça-nos.
Aqui fiquei duas semanas e durante esse tempo houve casa arrumada, flores frescas e mesa cuidada. Mudei alguns móveis de lugar, pendurei os quadros jazidos no chão. Com uma fita métrica de costura a fazer de régua, uma tesoura de cozinha, e sem tirar as gavetas do sítio, dei um up na cómoda enfadonha. A Bea já está habituada a esta mãe que gosta de inventar, mas como a cada dia havia uma novidade, justificava-se perante a surpresa das housemates com um "well, you know, that´s what she does for living". Elas, divertidas, respondiam que estava tudo "so cool", o que para os meus ouvidos, não só soava a elogio como era sinónimo de "go ahead"!
COLUMBIA (MO)
20.4.16
Columbia, no estado do Missouri, onde me encontro, é uma cidade que gira em torno da University of Missouri, sendo o mesmo que dizer que estou num local em que os estudantes são a grande maioria. Minha filha faz parte desse grupo, e o real propósito da minha viagem foi vir matar saudades e mimá-la no que pudesse. Portanto minha rotina nestas duas semanas de estadia foi de mãe, doméstica, motorista, psicóloga, "supporter" nos 4 torneios de ténis que assisti, já que ela joga pela universidade. E, finalmente, turista nas horas vagas. Columbia é relativamente pequena e basicamente divide-se entre o campus universitário, a downtown e como a maioria das cidades Americanas, alguns malls espalhados. Os atletas da universidade são chamados de Missouri Tigers, e por este motivo, vão ver que o tigre é tema recorrente em várias vertentes.
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