Quem me conhece sabe que eu adoro ver as casas dos outros, não por bisbilhotice mas sim por um genuíno prazer de descobrir como as pessoas ocupam e vivem os espaços. E se as casas dos outros são, ou foram, mansões e cottages do séc 20, essa minha indiscrição natural ainda se agudiza mais. Mas não se alastra a todo e qualquer ambiente. O que gosto mesmo de apreciar, são as casas de banho e as cozinhas de antigamente. Do tempo em que, quem tinha desafogo financeiro, não se confinava em espaços pequenos, o banhar-se e vestir-se era todo um ritual, e as refeições exigiam protocolo e etiqueta. As imagens a seguir foram tiradas nas famosas mansões de Newport. Newport fica no estado de Rhode Island, nos EUA, e era, nos finais do séc. 18, inícios de 19, uma cidade da elite, onde famílias influentes de Nova Iorque construíam suas casas de veraneio. Quando veio a grande depressão dos anos 20, e à medida que as famílias foram desmoronando, para evitar que as casas fossem vendidas pelos descendentes, demolidas ou transformadas em modernos condomínios, surgiu uma entidade, a The preservation Society of Newport County, que as adquiriu e mantém-nas abertas ao público. Sorte a nossa, que hoje em dia podemos comprar um passe que dá acesso a todas as casas, e com a ajuda de um guia áudio, passearmo-nos pelas histórias de vida dos Vanderbilt ou dos Astor. Banheiros e cozinhas antigas, são a minha perdição. Os primeiros porque encontramos neles peças que chamo de "intrusos" e as segundas, porque me fascinam aquelas mesas enormes centrais. Intrusos, para mim, são tapetes, cortinados, sofás, cadeiras, cómodas, quadros e todos aqueles elementos que deveriam esta na sala ou no quarto, mas estão nas casas de banho. Objetos que parecem estar fora do seu habitat natural, mas a meu ver, dão um charme imenso a um ambiente tão prático e ascético como uma casa de banho. Quanto às cozinhas, sou perdidamente apaixonada pelas mesas gigantes, de tampo de madeira ou pedra, pela proliferação de utensílios antigos e pelos armários louceiros que espalham-se pelas paredes e deixam o enxoval da casa todo à vista. E quando deambulo por estes espaços, divago e deixo a imaginação fluir. Tento conjecturar sobre as dezenas de empregados que eram precisos para manter estas casas e servir os patrões. E esforço-me também por imaginar os aristocratas, de férias, mas num ritmo frenético de formalidades e cerimoniais, quando um dia era planeado ao pormenor e havia horários rígidos para toda e qualquer atividade!
Mostrar mensagens com a etiqueta férias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta férias. Mostrar todas as mensagens
MORENINHA, A CASA NA PRAIA
27.8.15
Adoro esta casa. Não é minha, é da família, portanto todos a usam. Mas sinto como se pertencesse só a mim. Talvez porque seja eu que a frequente mais. Talvez porque não me canse de apreciar a sua luz. Talvez porque ainda tenha tanto da minha mãe nela. Foi construída há quase 30 anos, com materiais e decoração típicos do Sul de Portugal. Soluções simples e práticas, como se quer numa casa de praia. Gosto do branco imaculado das paredes, do formato em U da casa, de não ter janelas para a rua e da luz entrar a rodo pelo pequeníssimo jardim de inverno e pelo pátio interior. Até gosto do fato de cada quarto ter uma cor. O "meu" é o amarelo. Além do azul, ainda existe um rosa que não mostro aqui por se encontrar em reforma, mas virá a seu tempo. É o maior, o que tem mais camas e consequentemente o preferido dos jovens da família, que sempre conseguem lá acolher mais um amigo. Cuido dela como posso, mimo-a, trago mais um artesanato, penduro alguma coisa aqui, mudo algo acolá, sempre com o sentimento ambíguo de que ela é minha, sem ser. Pergunto-me por vezes se estarei a impingir os meus gostos, mas como ninguém se manifesta, sigo. Um azulejo na fachada indica que a casa tem o nome de "Moreninha", a alcunha da minha bisavó, que a minha mãe quis homenagear.
UM QUARTO A 6000 KM DE DISTÂNCIA
20.9.13
Há quem tenha uma segunda casa para passar férias. Há quem prefira um resort.
Eu tenho a sorte de ter um quarto. A 6.000 km de distância, na casa do meu pai. É melhor que qualquer hotel 5 estrelas, não só porque durante uns tempos volto a ser mais filha e menos mãe, mas ainda porque sou mimada com os quitutes da (nossa) Jesus.
O quarto nem sempre teve o aspeto que se vê hoje. Há alguns anos, a cama de dimensões exageradas, era um móvel planeado para o espaço, com mesas de cabeceira incluídas (muito anos 80), uma cama extra que saía de baixo, e um armador de rede para caber mais um. A explicação é simples: nós chegávamos lá com um filho, depois com dois e a seguir com três, e o quarto esticava e às tantas transformava-se num verdadeiro kibutz.
Até que o meu pai fez umas reformas, arranjou um quarto para as netas, outro para os rapazes, e felizmente uma oportuna praga do bicho da madeira comeu a minha mega cama dos eighties. Pude finalmente arrumar o quarto do meu jeito!
E fi-lo completamente diferente do quarto que tenho em minha própria casa: eu que convivo TÃO BEM com a cor, conservei as paredes brancas, arranjei moveis rústico e optei por acessórios feitos com materiais da terra.
AS FÉRIAS ACABARAM ?
19.8.13
Porventura ainda não. Talvez sobre mais uns dias. Vai depender disto, daquilo e daquilo outro. Logo se vê.
Mas Fortaleza, cidade de onde é originária e mora parte da família, ficou para trás.
Fortaleza é um paraíso para o turista: calor o ano inteiro, praias lindas, mar a perder de vista, água quente. Serras. Festa, muita festa. Frutos exóticos deliciosos, culinária diversificada. Enfim, quem visitar, tem diversão garantida.
Mas eu não sou turista. Tão pouco sou nativa, para usar um termo caro ao meu pai.
E tenho dois defeitos (juro que faço um esforço para mudar): não sou fã de praia nem grande amiga do calor!
Então tenho uma maneira muito própria de viver Fortaleza: acordo quando a cidade acorda.
E assim não perco a melhor parte do dia
Levanto-me sempre com o nascer do sol, e vou correr à beira mar.
É ali e aquela hora que muita coisa se passa.
Chegam as jangadas coloridas, carregadas de peixe, e os pescadores usam troncos e a força braçal para colocar as embarcações na praia.
Surge o rapaz do côco, aparece o vendedor de fruta e o dos chapéus de palha. O Tarcizo espera pacientemente, com seus modernos óculos espelhados, os primeiros clientes do dia. Descasca-se e escolhe-se feijão verde. A velha senhora toma o sol da manhã mas previne-se com a sombrinha rosa. E se estivermos atentos, frases aparentemente banais, dão-nos o que pensar.
A carrinha pão de forma apregoa as famosas e belas praias do litoral Cearense, enquanto os guardas zelam pela segurança dos turistas. O Dédé exibe com orgulho o seu patriotismo mas avisa que não vende fiado. E as rendeiras começam a expor os seus trabalhos.
É muito cedo e a praia ainda está deserta, mas no mercado do peixe a azáfama já é grande. Os merendeiros, são figuras típicas que com a bicicleta carregada, oferecem café fresco, sumos e tapioca.
É esta a minha Fortaleza preferida. Quando se misturam pessoas, sons, cheiros e cores, mais um dia começa e o sol ainda não é tão quente.
E nunca levo saudades quando parto, pois acho que volto, e que ela vai estar ali, como sempre, imutável, à minha espera.
DE FÉRIAS
4.8.13
O Blog vai oficialmente de férias.
Mas isso não quer dizer que a Val ficará incontactável.
Pelo contrário,eu vou continuar a vos ler, a retribuir visitas, talvez arranje tempo até para organizar um pouco esta casa e, mais importante, a fotografar tudo o que achar que vos possa interessar.
Até breve!
Subscrever:
Mensagens (Atom)








