INSPIRAÇÃO CAÍDA NO CHÃO

16.6.26

Dizem que a inspiração vem de todo o lado. E é verdade, as ideias surgem em qualquer lugar, quando menos se espera — basta ficar atento. Estava eu num espaço infantil quando, de repente, avisto caída no chão uma pequena bolsa para transporte de fraldas e toalhitas. Achei-a tão útil e tão apelativas as estampas e as cores dos tecidos que tirei discretamente uma foto antes de a devolver à dona. Habitualmente, guardo estas imagens durante algum tempo e procuro depois mais ideias online sobre o tema, até chegar à minha própria solução. Foi assim que descobri que este tipo de bolsa se chama diaper clutch. Percebi logo que poderia ser uma excelente forma de aproveitar retalhos, caso decidisse investir em exteriores mais elaborados — e de facto, foi. Durante as minhas pesquisas, encontrei também um modelo interessante, acompanhado de um tutorial acessível e claro. Comecei por fazer dois estojos mais simples que ofereci à filha e à sobrinha para que estas pudessem fazer o test drive: usá-los nas suas rotinas com os filhos e dar-me feedback sobre dimensões, utilidade real e possíveis melhorias. As minhas duas "cobaias" foram unânimes: o estojo é útil e ajuda a organizar a mala quando saem com as crianças. No entanto sugeriram um ligeiro ajuste nas dimensões, de forma a tornar a  nécessaire mais compacta e confortável de usar. Desta colab nasceu a minha própria versão: bolsas coloridas, com medidas exclusivas que deixo abaixo para quem quiser aventurar-se!

MIMETISMO: ESCONDER O QUE NÃO SE QUER VER

8.5.26

Já ouviu falar de mimetismo aplicado à arquitetura e ao design? De forma simplificada, mimetizar significa "disfarçar" algum elemento no ambiente. Ocultar uma porta ou um armário, por exemplo. O objetivo desta técnica é manter uma estética mais limpa, com menos informação e poluição visual. Nesta casa deparei-me com um problema: precisava de ocultar as caixas de eletricidade logo à entrada da moradia. A solução mais óbvia seria escondê-las com um quadro, mas até nisso havia entraves: além de não me apetecer gastar muito dinheiro, um quadro que cobrisse as duas caixas teria que ser grande e consequentemente pesado. E com tantos fios a passarem naquela parede seria uma temeridade a colocação de buchas ou parafusos que sustentassem um eventual quadro de dimensões generosas, sob pena de furar algum tubo. Foi quando lembrei-me destas molduras do Ikea, baratinhas, levíssimas mas, sejamos honestos, um pouco feiosas. Que tal então lançar mão do mimetismo e usar a cor exata da parede para tornar as molduras e os fundos invisíveis e totalmente camuflados? Foi um trabalho fácil de executar, rápido e que, a meu ver, deu bastante resultado: os dois quadros integraram-se completamente na parede. Por serem leves, foram pendurados com simples “amigos do senhorio” e continuam fáceis de remover sempre que preciso de aceder às caixas. As ilustrações com suas cores fortes, acabaram por ganhar destaque, sem pesar no ambiente. Conclusão: fiquei fã da técnica e de certeza que vou voltar a usá-la!

Nota: as ilustrações são da autoria da artista plástica Isabel Rocha Leite.

DETALHES DE UMA PÁSCOA EM CASA

7.4.26

É a primeira vez que não vos desejo uma Feliz Páscoa atempadamente. Este ano, por várias razões, não foi possível fazê-lo. Ainda assim, boas ideias não têm propriamente prazo e podem sempre trazer inspiração. Por isso achei que fazia sentido partilhar, ainda que com uns dias de atraso, um pouco de como foi vivida a quadra aqui em casa. Optei por uma mesa simples, reaproveitando alguns itens de anos anteriores, com flores compradas no supermercado colocadas numa cesta rústica e alguns coelhos estilizados artesanais. O bolo, como sempre, foi feito pelo marido e decorado por mim. Tem sido um início de ano bastante atípico para mim e o tempo livre não abunda, mas ainda houve a oportunidade de preparar umas "cenouras" que fizeram as delícias da pequenada. Afinal, a Páscoa é alegria e o dia foi perfeito, com muito sol e temperaturas que já não se sentiam há muito tempo!

CADEIRA ESTOFADA COM RETALHOS

15.2.26

Parece que ando, sem querer, a especializar-me em restauração de cadeiras! depois desta foi a vez de uma também de estilo muito clássico mas com um trabalho de madeira bastante mais imponente. Não exatamente o meu gosto, confesso, e por isso mesmo resolvi que ao mesmo tempo que preservaria os seus traços originais, iria arriscar no estofo: um tecido fora da caixa, totalmente dissonante da época da peça e do seu desenho de forma a dar-lhe um ar mais jovial e, claro, mais a minha cara. A ocasião foi também a desculpa perfeita para finalmente experimentar a técnica Quilt As You Go (QAYG) que andava há tanto tempo na minha lista. Basicamente, o processo consiste em fixar retalhos sobre uma entretela termocolante com a ajuda do ferro de passar e depois pespontá-los, à máquina ou à mão, prendendo os retalhos à base, obtendo textura e movimento. Recomendo: é uma técnica relaxante, divertida e perfeita para dar nova vida às centenas de sobras que se acumulam em casa de quem costura. Talvez não utilizasse o QAYG num assento que viesse a ter muito uso, mas numa cadeira de quarto, como é o caso, que serve apenas como apoio, não vejo problema.

Quando verbalizei a ideia de um estofo marcante, houve quem sugerisse exatamente o contrário, ou seja, a colocação de um tecido neutro que deixasse brilhar o trabalho da madeira. Mas quem me conhece sabe que sou fã de misturas improváveis e que tenho uma queda especial pelo invulgar. Nesta cadeira tão rebuscada, não fazia sentido ser diferente: já tinha personalidade mas ganhou (ainda) mais ousadia. Tal como eu queria!

SACOS EM FORMATO DE ÁRVORE DE NATAL

11.12.25

Há tempos, enquanto fazia scroll no instagram, surgiram-me uns sacos em formato de árvore de Natal que achei bem engraçados para embrulhar algumas das prendas que tenho para oferecer. Uma vez que, como pode ler aqui e aqui, usar papel já não é, há anos, opção para mim, decidi lançar-me na confecção destes saquinhos temáticos que além de servirem como embalagens propriamente ditas ainda poderão decorar a casa. Se me dá algum trabalho a execução destes mimos numa altura em que regra geral as solicitações são muitas, é claro que sim, mas todos os anos tento organizar o meu mês de dezembro de modo a sobrar algum tempo para o que chamo de "dose extra de carinho" no empacotamento. O objetivo primeiro de usar o tecido para envolver os presentes é a reciclagem, a hipótese do invólucro vir a ser reaproveitado numa próxima ocasião. Mas não nego — e até diria que é uma parte importante de tudo isto — que uma prenda acondicionada com tempo e intenção, é garantia de um sorriso redobrado no rosto de quem a recebe. Há sempre um instante de surpresa quando alguém se apercebe de que a própria embalagem já é, por si só, um presente. E é esse pequeno brilho nos olhos, esse segundo de encantamento, que me faz repetir o ritual ano após ano.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Web Analytics