AS PORTAS CENTENÁRIAS

12.10.20

Sangue e suor. Só não cheguei às lágrimas, mas confesso que a certa altura, vontade não me faltou. Trabalhei 3 meses (fins de semana e finais de tarde após o escritório) para deixar à vista a madeira destas portas centenárias que há 25 anos enfeitam a minha casa. Junho, Julho, folguei Agosto e acabei em final de Setembro. Comecei a mexer nelas na sala de casa, enquanto esta ainda estava de pantanas com as obras; continuei no terraço, aproveitando a luz natural até 9 da noite no verão; e terminei na Oficina Monstros, quando esgotei a minha sabedoria em termos de restauro e precisei dar acabamento e igualar os diversos tons das madeiras que compõem as portas. Mas já lá iremos pois antes disso tenho que vos explicar que estas portas vieram do átrio de entrada de um prédio antigo de Lisboa que estava a ser remodelado em 1995. Na época eu colaborava na dita remodelação como arquiteta e ao mesmo tempo seguia as obras no apartamento para onde iríamos nos mudar e habitamos até hoje. No projeto de alterações do prédio, as portas não faziam mais sentido e iriam ser descartadas. Estavam em péssimo estado, com todos os vidros partidos, exceto um que apresentava um desenho de inspiração art nouveau. Nem sei bem porquê, acabei por trazê-las para o apartamento: existia um vão de passagem ainda indefinido entre a sala e o corredor mas as portas nem cabiam ali, eram muito altas e estreitas. Mesmo assim vieram, um carpinteiro cortou-as em baixo e acrescentou-as dos lados para que encaixassem na perfeição na tal abertura, vidros novos foram providenciados e branco foi a cor escolhida para tapar as demais mazelas. E assim ficou, até Junho deste ano, quando iniciei as obras na sala e num impulso decidi que iria lixar toda a tinta das portas, deixando-as na madeira original. Está claro que, apesar da minha já alguma experiência em restauro, nunca pensei que fosse passar tantas horas e dias agarrada a elas, que iria mais que uma vez ter que parar para me recuperar do dedo indicador direito que feria e sangrava e que pingos de suor manchariam a madeira no calor de Julho. Algumas vezes me perguntei porque me tinha metido nessa empreitada, mas desistir não era opção...Hoje juro a pés juntos que doravante avaliarei melhor as minhas decisões tomadas de arroubo, mas o que é fato é que estou orgulhosíssima do meu trabalho e do meu empenho e até mudei de lugar à noite no sofá só para poder olhar para elas. Acho que sim, elas estiveram ali 25 anos pintadinhas de branco mas eram...só mais um par de portas, e agora ganharam um carisma e personalidade incríveis, que talvez só tenham tido lá pelos anos 20 do século passado, quando completavam um conjunto de arco/portas em madeiras no hall de um prédio. Só que nesse tempo eu não estava lá para aprecia-las.


AZULEJOS TRANSFORMADOS EM DESCANSO PARA PRATOS

27.9.20

Este é seguramente o DIY mais simples e rápido que já apresentei no blog. Um processo tão básico que ainda hesitei em publicar, mas como dar novos usos a objetos enjeitados é assunto que sempre agrada, e quem me conhece sabe que itens para a mesa estão no meu top de preferências, optei pela publicação. Ao arrumar, ou melhor, desarrumar a sala para fazer as obras, encontrei alguns azulejos antigos e lembrei-me de transformá-los em descanso para pratos. No meu caso, mais descanso para a cafeteira e chaleira, já que não poucas vezes bebo o café ou o chá by myself e gosto de me cercar de objetos que me tragam conforto visual. Portanto providenciei cola de contato, arranjei umas sobras de cortiça, colei a cortiça no verso dos azulejos e...TCHARAN, azulejos vintage migraram do esquecimento para a mesa acrescentando a esta um toque de originalidade.

Nota importante: a luva e a pega (aqui usada como sous plat) em retalhos, foram gentis ofertas da Lete do blog Bordalinhas. Dois comjuntos chegaram de surpresa pelo correio, adoro-os e uso-os sempre!

PEQUENO ALMOÇO DE FÉRIAS

19.8.20
Não sou muito boa a caracterizar-me a mim própria mas uma das verdades insofismáveis sobre a minha pessoa é que adoro acordar muito cedo, fazer exercício e a seguir sentar-me para tomar o pequeno almoço. Exatamente por essa ordem e de preferência numa mesa onde pratos e demais adereços sejam um regalo para os olhos. Claro que se durante o ano a rotina de cedo erguer e sair para correr ou ir ao ginásio é muito natural para mim, a parte do tomar o café da manhã numa mesa bonita fica mais difícil de cumprir. Difícil mas não impossível, devo dizer, e quando sobra-me tempo faço-o. No entanto durante as férias não perdoo. Adoro o dia, o nascer do sol, a claridade, a cidade que começa lentamente a acordar, e antes de sair para fazer desporto deixo a mesa já posta, sempre várias, diferentes de dia para dia, e a família já sabe que só tem que completar: comprar o pão, fazer as panquecas, espremer as laranjas, cortar as frutas, colocar o café no fogo. É para mim, a melhor e mais prazerosa refeição do dia.  É quando se conversa e com entusiasmo se tece planos para as horas de ócio que nos esperam, é quando estamos com os sentidos mais alertas e abertos às sugestões uns dos outros. Todos os anos trago na bagagem, juntamente com os biquinis e as toalhas de praia, loiças, guardanapos, talheres e outros itens que se coordenem e me permitam diversificar as tablescapes. Nestas férias fui até um pouco mais além e providenciei uns individuais de execução bastante simples mas que me permitiram unir o útil ao agradável: quase esvaziei o saco dos retalhos (quase) e todas as manhãs começámos o dia com mais cor e energia. Exatamente como é suposto se viver o verão.

CANDEEIRO DE PÉ REPAGINADO

3.8.20
Com as obras na sala, alguns móveis mostraram os seus defeitos, ou seja, enquanto estava tudo a precisar de uma manutenção, não se notava, mas com paredes recém pintadas e elementos novos introduzidos, as falhas e deficiências das peças mais antigas e usadas, tornaram-se evidentes. Foi o caso do candeeiro de pé em talha que herdei de uma cunhada há uns bons anos. Um pouco clássico demais para o meu gosto, possivelmente jamais olharia para ele se o visse à venda numa loja, mas o fato é que depois de uma década de convívio estreito, é ele que nos dá uma luz agradável e proporciona um ambiente tranquilo à noite na sala. Além de ser flexível o suficiente para andar mais ou menos pela casa toda quando é preciso. Portanto minha relação com a peça era excelente e só me incomodava o verniz escuro, que não realçava o trabalho da madeira e tornava o todo bastante carregado. Armada de etanol e uma pequena escova de aço, limpei todo o pé do candeeiro. É um trabalho enfadonho: molhar com o liquido, esfregar com a escovinha, enxugar. Molhar, esfregar novamente, passar o pano seco. Repetir. Repetir. E repetir, até ficarmos satisfeitos, só que nunca ficamos. No caso, a madeira era nogueira e não clareou como eu esperava ou então foi o acabamento que dei (goma laca) que não cooperou. Mas melhorou bastante o ar sisudo do candeeiro, e a substituição do abajur por um mais alegre também ajudou. Vai continuar no mesmo canto de sempre, só que agora, gosto do que vejo.

MÓVEL COM DISTRESSING LOOK

20.7.20
Não é com certeza a transformação mais maravilinda que já viram por aqui. Mas eu tenho uma explicação para isso. E pode até ser que o móvel esteja acabado mas, pensando melhor, talvez não. E tenho uma explicação para isso também. Vamos então aos esclarecimentos: na sequência das obras da sala, estou igualmente a dar um up na varanda e a estante florida que brilhou ainda uns aninhos depois do último makeover que fiz, desfaleceu de vez. No entretanto encontrei um móvel pequeno de cozinha tão pegajoso de gordura que para o tirar do sítio onde se encontrava tive que usar luvas. Comecei a tirar-lhe a tinta sem saber bem que acabamento iria lhe dar nem onde o iria colocar, e veio-me a ideia de o levar para o lugar da estante mas achei-o pequeno. Foi quando lembrei-me que há tempos tinha guardado um móvel superior, também de cozinha, a que chamei "alçado", e que este, pendurado na parede acima do mais pequeno talvez fizesse um combo engraçado. Como não sei com que visual ficará o alçado (que tem uma lateral em falta e foi fazer uma visita à oficina do carpinteiro) e preciso que o conjunto tenha alguma coerência, resolvi apenas limpar o móvel de baixo e dar-lhe um acabamento em cera. Por isso digo que esta transformação não vos arrancará um UAU e que também pode não estar acabada, vai depender do caminho que o superior levar. Mas se olharem bem para as fotos do antes, vão notar a tinta velha, espessa e já sem cor, que agora desapareceu, dando lugar a um distressing (ou distressed) look, que é quando propositadamente se dá uma aparência usada a um móvel novo ou se assume a passagem do tempo numa peça já gasta. E agora vamos ver para quando o alçado já que em fila tenho outros "artigos"!

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