DETALHES DE UMA PÁSCOA EM CASA

7.4.26

É a primeira vez que não vos desejo uma Feliz Páscoa atempadamente. Este ano, por várias razões, não foi possível fazê-lo. Ainda assim, boas ideias não têm propriamente prazo e podem sempre trazer inspiração. Por isso achei que fazia sentido partilhar, ainda que com uns dias de atraso, um pouco de como foi vivida a quadra aqui em casa. Optei por uma mesa simples, reaproveitando alguns itens de anos anteriores, com flores compradas no supermercado colocadas numa cesta rústica e alguns coelhos estilizados artesanais. O bolo, como sempre, foi feito pelo marido e decorado por mim. Tem sido um início de ano bastante atípico para mim e o tempo livre não abunda, mas ainda houve a oportunidade de preparar umas "cenouras" que fizeram as delícias da pequenada. Afinal, a Páscoa é alegria e o dia foi perfeito, com muito sol e temperaturas que já não se sentiam há muito tempo!

CADEIRA ESTOFADA COM RETALHOS

15.2.26

Parece que ando, sem querer, a especializar-me em restauração de cadeiras! depois desta foi a vez de uma também de estilo muito clássico mas com um trabalho de madeira bastante mais imponente. Não exatamente o meu gosto, confesso, e por isso mesmo resolvi que ao mesmo tempo que preservaria os seus traços originais, iria arriscar no estofo: um tecido fora da caixa, totalmente dissonante da época da peça e do seu desenho de forma a dar-lhe um ar mais jovial e, claro, mais a minha cara. A ocasião foi também a desculpa perfeita para finalmente experimentar a técnica Quilt As You Go (QAYG) que andava há tanto tempo na minha lista. Basicamente, o processo consiste em fixar retalhos sobre uma entretela termocolante com a ajuda do ferro de passar e depois pespontá-los, à máquina ou à mão, prendendo os retalhos à base, obtendo textura e movimento. Recomendo: é uma técnica relaxante, divertida e perfeita para dar nova vida às centenas de sobras que se acumulam em casa de quem costura. Talvez não utilizasse o QAYG num assento que viesse a ter muito uso, mas numa cadeira de quarto, como é o caso, que serve apenas como apoio, não vejo problema.

Quando verbalizei a ideia de um estofo marcante, houve quem sugerisse exatamente o contrário, ou seja, a colocação de um tecido neutro que deixasse brilhar o trabalho da madeira. Mas quem me conhece sabe que sou fã de misturas improváveis e que tenho uma queda especial pelo invulgar. Nesta cadeira tão rebuscada, não fazia sentido ser diferente: já tinha personalidade mas ganhou (ainda) mais ousadia. Tal como eu queria!

SACOS EM FORMATO DE ÁRVORE DE NATAL

11.12.25

Há tempos, enquanto fazia scroll no instagram, surgiram-me uns sacos em formato de árvore de Natal que achei bem engraçados para embrulhar algumas das prendas que tenho para oferecer. Uma vez que, como pode ler aqui e aqui, usar papel já não é, há anos, opção para mim, decidi lançar-me na confecção destes saquinhos temáticos que além de servirem como embalagens propriamente ditas ainda poderão decorar a casa. Se me dá algum trabalho a execução destes mimos numa altura em que regra geral as solicitações são muitas, é claro que sim, mas todos os anos tento organizar o meu mês de dezembro de modo a sobrar algum tempo para o que chamo de "dose extra de carinho" no empacotamento. O objetivo primeiro de usar o tecido para envolver os presentes é a reciclagem, a hipótese do invólucro vir a ser reaproveitado numa próxima ocasião. Mas não nego — e até diria que é uma parte importante de tudo isto — que uma prenda acondicionada com tempo e intenção, é garantia de um sorriso redobrado no rosto de quem a recebe. Há sempre um instante de surpresa quando alguém se apercebe de que a própria embalagem já é, por si só, um presente. E é esse pequeno brilho nos olhos, esse segundo de encantamento, que me faz repetir o ritual ano após ano.

DA AUSTERIDADE AO ACONCHEGO: A SEGUNDA VIDA DE UM PAR DE CANDEEIROS

16.11.25

Precisava de um par de candeeiros para as mesinhas de cabeceira de um dos quartos desta casa e lembrei-me de reciclar uns em talha, bastante austeros e fora de moda. Diria mesmo feios, apesar de não gostar de empregar essa palavra. Acho-a limitativa, preconceituosa até, pois ao rotular algo de feio fechamos a porta a um novo olhar, mais atento e afetuoso. A primeira ideia que me ocorreu foi obviamente a pintura: afinal que objeto escuro e sem graça não muda completamente com uma demão de tinta? Apliquei então um primário e a seguir Chalk paint cor palha. O resultado já foi bastante satisfatório, diria uns 200%, mas ainda assim as luminárias continuavam um pouco apagadas. Decidi então torna-las mais amareladas empregando um pincel grosso e quase seco, com muito pouca tinta a puxar para o ocre. Finalmente, lixei levemente certas partes dos candeeiros para que o dourado da talha aparecesse sutilmente por baixo da tinta e provocasse um certo contraste. O segundo passo desta transformação foi escolher os abajures e confesso que não foi tarefa fácil. Não acertei à primeira, nem à segunda… nem à terceira! Depois de meses a procurar, a testar mil possibilidades, a vasculhar lojas físicas e online, nada me convencia. E quando é impossível encontrar as medidas certas e a tal “vibe” perfeita, o que se faz? Exatamente: mete-se mãos à obra e fabrica-se os próprios abajures! Encomendei as estruturas com as dimensões que pretendia numa casa de luminárias, comprei novelos de ráfia e, nó após nó, nasceram dois abajures com toque rústico, perfeitos para suavizar as formas robustas das bases. Posso até parecer convencida, mas acredito que ganhei candeeiros com alma, peças que foram da talha austera ao encanto campestre!

A BELEZA DAS PEÇAS ANTIGAS

24.9.25

Restaurar móveis antigos é sempre um convite à criatividade, mas há peças atemporais, que possuem beleza própria e após anos de utilização tudo o que precisam é de cuidado, respeito e um toque renovador. Penso que esta cadeira é uma prova disso mesmo: chegou-me às mãos desgastada por décadas de uso e não pedia uma transformação drástica. Com paciência e dedicação, libertei-a do estofo coçado, lixei cuidadosamente os seus contornos e reentrâncias e apliquei-lhe goma laca como acabamento, o que lhe deu um bonito tom mel.

No fim, o que era apenas uma cadeira bonita, sim, mas sem brilho, voltou a ser uma peça cheia de charme, pronta a ser usada e admirada mais uma vez.

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