O CHARME DOS ANTIGOS DESK SETS

26.7.26

Tal como eu, o meu pai também gosta de velharias e objetos vintage que tem vindo a colecionar ao longo da  vida. Uns compra-os, outros vai "herdando" de familiares e amigos que conhecem bem esta sua paixão e acabam por lhe oferecer peças. Inicialmente, o acervo foi-se acumulando aqui e ali, de forma algo desordenada, até que uma das minhas irmãs decidiu meter mãos à obra e distribuir as peças pelos escritórios da empresa da família. O resultado foram pequenos espaços expositivos que passei a chamar de "mini museus". O mais curioso é que o meu pai, apesar dos seus quase 94 anos, continua a presidir à empresa e a conviver diariamente com esta coleção. Havia, contudo, duas peças que ainda não tinham encontrado lugar nas prateleiras, por estarem bastante degradadas: dois organizadores de secretária, provavelmente do início do século XX, conhecidos genericamente como Desk Sets. Um deles é um porta correspondência com tinteiros; o outro uma bandeja que agrupa, além de dois tinteiros de vidro, um pequeno suporte metálico destinado às antigas penas de aparo. Estes conjuntos eram presença habitual em escritórios, escolas, entidades públicas e até em secretárias domésticas numa época em que praticamente só se escrevia à mão (ou à máquina). Particularmente aprecio bastante objetos concebidos para um fim muito específico mas cuja estética não foi descurada. Ao ponto de, cem anos depois, já sem utilidade prática, se assumirem como peças decorativas. A seguir, mostro um pouco do processo de recuperação destes dois organizadores e o ambiente em que ambos acabaram por ser integrados: a entrada de um dos escritórios. Achei particularmente feliz a forma como a minha irmã conseguiu colocar lado a lado peças de origens, escalas e épocas tão diferentes de forma harmoniosa, dinâmica e leve. Tirou partido da iluminação e de truques simples que explico a seguir. Boa visita!

INSPIRAÇÃO CAÍDA NO CHÃO

16.6.26

Dizem que a inspiração vem de todo o lado. E é verdade, as ideias surgem em qualquer lugar, quando menos se espera — basta ficar atento. Estava eu num espaço infantil quando, de repente, avisto caída no chão uma pequena bolsa para transporte de fraldas e toalhitas. Achei-a tão útil e tão apelativas as estampas e as cores dos tecidos que tirei discretamente uma foto antes de a devolver à dona. Habitualmente, guardo estas imagens durante algum tempo e procuro depois mais ideias online sobre o tema, até chegar à minha própria solução. Foi assim que descobri que este tipo de bolsa se chama diaper clutch. Percebi logo que poderia ser uma excelente forma de aproveitar retalhos, caso decidisse investir em exteriores mais elaborados — e de facto, foi. Durante as minhas pesquisas, encontrei também um modelo interessante, acompanhado de um tutorial acessível e claro. Comecei por fazer dois estojos mais simples que ofereci à filha e à sobrinha para que estas pudessem fazer o test drive: usá-los nas suas rotinas com os filhos e dar-me feedback sobre dimensões, utilidade real e possíveis melhorias. As minhas duas "cobaias" foram unânimes: o estojo é útil e ajuda a organizar a mala quando saem com as crianças. No entanto sugeriram um ligeiro ajuste nas dimensões, de forma a tornar a  nécessaire mais compacta e confortável de usar. Desta colab nasceu a minha própria versão: bolsas atrevidas, com medidas exclusivas que partilho abaixo para quem quiser aventurar-se!

MIMETISMO: ESCONDER O QUE NÃO SE QUER VER

8.5.26

Já ouviu falar de mimetismo aplicado à arquitetura e ao design? De forma simplificada, mimetizar significa "disfarçar" algum elemento no ambiente. Ocultar uma porta ou um armário, por exemplo. O objetivo desta técnica é manter uma estética mais limpa, com menos informação e poluição visual. Nesta casa deparei-me com um problema: precisava de ocultar as caixas de eletricidade logo à entrada da moradia. A solução mais óbvia seria escondê-las com um quadro, mas até nisso havia entraves: além de não me apetecer gastar muito dinheiro, um quadro que cobrisse as duas caixas teria que ser grande e consequentemente pesado. E com tantos fios a passarem naquela parede seria uma temeridade a colocação de buchas ou parafusos que sustentassem um eventual quadro de dimensões generosas, sob pena de furar algum tubo. Foi quando lembrei-me destas molduras do Ikea, baratinhas, levíssimas mas, sejamos honestos, um pouco feiosas. Que tal então lançar mão do mimetismo e usar a cor exata da parede para tornar as molduras e os fundos invisíveis e totalmente camuflados? Foi um trabalho fácil de executar, rápido e que, a meu ver, deu bastante resultado: os dois quadros integraram-se completamente na parede. Por serem leves, foram pendurados com simples “amigos do senhorio” e continuam fáceis de remover sempre que preciso de aceder às caixas. As ilustrações com suas cores fortes, acabaram por ganhar destaque, sem pesar no ambiente. Conclusão: fiquei fã da técnica e de certeza que vou voltar a usá-la!

Nota: as ilustrações são da autoria da artista plástica Isabel Rocha Leite.

DETALHES DE UMA PÁSCOA EM CASA

7.4.26

É a primeira vez que não vos desejo uma Feliz Páscoa atempadamente. Este ano, por várias razões, não foi possível fazê-lo. Ainda assim, boas ideias não têm propriamente prazo e podem sempre trazer inspiração. Por isso achei que fazia sentido partilhar, ainda que com uns dias de atraso, um pouco de como foi vivida a quadra aqui em casa. Optei por uma mesa simples, reaproveitando alguns itens de anos anteriores, com flores compradas no supermercado colocadas numa cesta rústica e alguns coelhos estilizados artesanais. O bolo, como sempre, foi feito pelo marido e decorado por mim. Tem sido um início de ano bastante atípico para mim e o tempo livre não abunda, mas ainda houve a oportunidade de preparar umas "cenouras" que fizeram as delícias da pequenada. Afinal, a Páscoa é alegria e o dia foi perfeito, com muito sol e temperaturas que já não se sentiam há muito tempo!

CADEIRA ESTOFADA COM RETALHOS

15.2.26

Parece que ando, sem querer, a especializar-me em restauração de cadeiras! depois desta foi a vez de uma também de estilo muito clássico mas com um trabalho de madeira bastante mais imponente. Não exatamente o meu gosto, confesso, e por isso mesmo resolvi que ao mesmo tempo que preservaria os seus traços originais, iria arriscar no estofo: um tecido fora da caixa, totalmente dissonante da época da peça e do seu desenho de forma a dar-lhe um ar mais jovial e, claro, mais a minha cara. A ocasião foi também a desculpa perfeita para finalmente experimentar a técnica Quilt As You Go (QAYG) que andava há tanto tempo na minha lista. Basicamente, o processo consiste em fixar retalhos sobre uma entretela termocolante com a ajuda do ferro de passar e depois pespontá-los, à máquina ou à mão, prendendo os retalhos à base, obtendo textura e movimento. Recomendo: é uma técnica relaxante, divertida e perfeita para dar nova vida às centenas de sobras que se acumulam em casa de quem costura. Talvez não utilizasse o QAYG num assento que viesse a ter muito uso, mas numa cadeira de quarto, como é o caso, que serve apenas como apoio, não vejo problema.

Quando verbalizei a ideia de um estofo marcante, houve quem sugerisse exatamente o contrário, ou seja, a colocação de um tecido neutro que deixasse brilhar o trabalho da madeira. Mas quem me conhece sabe que sou fã de misturas improváveis e que tenho uma queda especial pelo invulgar. Nesta cadeira tão rebuscada, não fazia sentido ser diferente: já tinha personalidade mas ganhou (ainda) mais ousadia. Tal como eu queria!

SACOS EM FORMATO DE ÁRVORE DE NATAL

11.12.25

Há tempos, enquanto fazia scroll no instagram, surgiram-me uns sacos em formato de árvore de Natal que achei bem engraçados para embrulhar algumas das prendas que tenho para oferecer. Uma vez que, como pode ler aqui e aqui, usar papel já não é, há anos, opção para mim, decidi lançar-me na confecção destes saquinhos temáticos que além de servirem como embalagens propriamente ditas ainda poderão decorar a casa. Se me dá algum trabalho a execução destes mimos numa altura em que regra geral as solicitações são muitas, é claro que sim, mas todos os anos tento organizar o meu mês de dezembro de modo a sobrar algum tempo para o que chamo de "dose extra de carinho" no empacotamento. O objetivo primeiro de usar o tecido para envolver os presentes é a reciclagem, a hipótese do invólucro vir a ser reaproveitado numa próxima ocasião. Mas não nego — e até diria que é uma parte importante de tudo isto — que uma prenda acondicionada com tempo e intenção, é garantia de um sorriso redobrado no rosto de quem a recebe. Há sempre um instante de surpresa quando alguém se apercebe de que a própria embalagem já é, por si só, um presente. E é esse pequeno brilho nos olhos, esse segundo de encantamento, que me faz repetir o ritual ano após ano.

DA AUSTERIDADE AO ACONCHEGO: A SEGUNDA VIDA DE UM PAR DE CANDEEIROS

16.11.25

Precisava de um par de candeeiros para as mesinhas de cabeceira de um dos quartos desta casa e lembrei-me de reciclar uns em talha, bastante austeros e fora de moda. Diria mesmo feios, apesar de não gostar de empregar essa palavra. Acho-a limitativa, preconceituosa até, pois ao rotular algo de feio fechamos a porta a um novo olhar, mais atento e afetuoso. A primeira ideia que me ocorreu foi obviamente a pintura: afinal que objeto escuro e sem graça não muda completamente com uma demão de tinta? Apliquei então um primário e a seguir Chalk paint cor palha. O resultado já foi bastante satisfatório, diria uns 200%, mas ainda assim as luminárias continuavam um pouco apagadas. Decidi então torna-las mais amareladas empregando um pincel grosso e quase seco, com muito pouca tinta a puxar para o ocre. Finalmente, lixei levemente certas partes dos candeeiros para que o dourado da talha aparecesse sutilmente por baixo da tinta e provocasse um certo contraste. O segundo passo desta transformação foi escolher os abajures e confesso que não foi tarefa fácil. Não acertei à primeira, nem à segunda… nem à terceira! Depois de meses a procurar, a testar mil possibilidades, a vasculhar lojas físicas e online, nada me convencia. E quando é impossível encontrar as medidas certas e a tal “vibe” perfeita, o que se faz? Exatamente: mete-se mãos à obra e fabrica-se os próprios abajures! Encomendei as estruturas com as dimensões que pretendia numa casa de luminárias, comprei novelos de ráfia e, nó após nó, nasceram dois abajures com toque rústico, perfeitos para suavizar as formas robustas das bases. Posso até parecer convencida, mas acredito que ganhei candeeiros com alma, peças que foram da talha austera ao encanto campestre!

A BELEZA DAS PEÇAS ANTIGAS

24.9.25

Restaurar móveis antigos é sempre um convite à criatividade, mas há peças atemporais, que possuem beleza própria e após anos de utilização tudo o que precisam é de cuidado, respeito e um toque renovador. Penso que esta cadeira é uma prova disso mesmo: chegou-me às mãos desgastada por décadas de uso e não pedia uma transformação drástica. Com paciência e dedicação, libertei-a do estofo coçado, lixei cuidadosamente os seus contornos e reentrâncias e apliquei-lhe goma laca como acabamento, o que lhe deu um bonito tom mel.

No fim, o que era apenas uma cadeira bonita, sim, mas sem brilho, voltou a ser uma peça cheia de charme, pronta a ser usada e admirada mais uma vez.

REMODELAÇÃO DE UMA CASA NA VILA (PARTE II)

15.8.25

Quando há dois anos publiquei aqui o primeiro post sobre a casa, tinha a certeza de que partilharia convosco cada etapa das obras e imaginei-vos a acompanhar tudo, passo a passo. Mas depressa percebi que a realidade era bem menos emocionante: iria simplesmente postar dezenas de fotos de um “durante” sem graça de paredes que passavam de esburacadas a rebocadas e pouco mais. Decidi então esperar pelo momento certo, e ele chegou! Hoje divido convosco o resultado final da casa, com imagens do "agora" e do "antes". Excetuando as camas, um sofá e os tapetes, praticamente tudo o resto são peças recicladas por mim, provenientes das mais variadas origens: encontradas por aí, oferecidas por amigos, herdadas da família. Foram anos de um trabalho moroso e, no fim, quando tudo ficou pronto, confirmei o que suspeitava mas relutava em aceitar: que, somando o que já tinha em uso em casa ao que estava guardado na arrecadação, seria possível montar um novo lar… e ainda sobrava!

Nas próximas fotos, vou mostrar as escolhas que fiz para cada espaço e deixar os links das peças que aparecem nas imagens e que já foram destaque em publicações do blog. Espero que gostem porque ao vivo a casa transmite ainda mais originalidade, conforto, personalidade e é tão gratificante ver o resultado dessa transformação!


DRAWSTRING BAGS

24.6.25

Não é segredo para ninguém que quando se trata de costura, a minha paixão são as colchas em patchwork para crianças (pode ver algumas aqui). É o tipo de projeto que faço com um sorriso nos lábios e de coração cheio! Mas quando o tempo anda escasso e fica difícil dedicar-me a uma peça tão grande e complexa, eu volto-me para uma outra preferência destinada aos mais pequenos: os drawstring bags (ou sacos com cordões, em bom Português!). Como utilizo sempre padrões bem dispostos, a prenda chama logo a atenção da criança e as mães dão-me um feedback positivo: são ideais para levar brinquedos ou muda de roupa para a escola ou passeios e o sistema de cordão para abrir e fechar é fácil, levando a criança a desenvolver o hábito de organizar os seus pertences desde cedo.

Pessoalmente, o que mais me encanta na criação destes sacos é a liberdade de mesclar estampas e cores à vontade. Como se destinam ao público infantil, um toque lúdico e divertido é não só bem-vindo, como praticamente uma condição sine qua non para que sejam tão bem aceites. E para completar, posso utilizar muitas sobras, o que, diga-se de passagem, é especialmente aliciante numa casa onde os tecidos multiplicam-se do nada!

PEQUENO ESCADOTE ANTIGO EM MADEIRA

21.5.25

Não sei o que me levou há alguns anos, a entrar numa Thrift store nos EUA, sair de lá com um mini escadote e ainda me ter dado ao trabalho de trazê-lo para Portugal enfiado na mala de porão. Acho que foi mesmo isso que me chamou a atenção: o facto de ser a réplica de um escadote de madeira comum, mas em ponto pequeno. Não resisti ao charme. Veio comigo mas nunca chegou a ter real utilidade, exceto talvez por breves momentos em que foi incorporado a alguma decoração de Natal ou Páscoa. E logo, como era de se esperar, acabou relegado à arrecadação, saindo de lá apenas agora, quando precisei de uma peça pequena que fizesse vezes de mesa de cabeceira. Tinha também guardado mais um candeeiro destes que queria usar, então juntei o útil ao agradável e acabei com uma construção muito parecida a esta (perdão pela falta de originalidade) mas, se a ideia resultou uma vez, porque não reproduzi-la numa segunda oportunidade? O processo de limpeza  do escadote foi fácil e relativamente rápido: lixar pacientemente, abraçar os defeitos, assumir o aspeto rústico e aí está! Missão superada com sucesso.

FELIZ PÁSCOA CHUVOSA

21.4.25

Com um pouco de delay, contingências da vida real, venho desejar que a vossa Páscoa tenha sido passada da melhor forma. Frio e chuva fizeram-se sentir por todo o país, fenómenos atípicos de uma primavera que debutou no calendário, mas parece não existir na prática. No entanto, a época é de júbilo e renascimento. Que no aconchego das vossas casas, abraçados pelas vossas famílias e à volta da mesa linda e farta tenham disfrutado de bons momentos!

PEQUENO ARMÁRIO DE RETROSARIA

7.4.25

Não me lembro bem como a peça veio parar às minhas mãos, há 20, 25 anos ? O que sei é que na altura não percebia nada de recuperação/restauração de móveis e portanto pedi a um amigo de um amigo, supostamente entendido no assunto, que fizesse uma limpeza ao pequeno armário que se encontrava algo deteriorado. E de fato, o antigo organizador, propriedade da Companhia de Linhas Coats and Clark (segundo carimbo que se encontra dentro das gavetas) voltou com melhor aspeto e durante um bom tempo serviu como mesa de apoio do sofá de casa,  até que desapareceu para a arrecadação e por lá ficou. Decidi resgatá-lo recentemente, no processo de mobilar esta casa que entretanto ficou pronta (mostrarei brevemente) e conta com, diria, 90% dos móveis oriundo de várias proveniências: ora encontrados na rua, abandonados em andares antigos, ou ofertados por amigos. Uma mistura interessante, verão a seu tempo!

Mas voltando ao pequeno armário de retrosaria, além das superfícies riscadas e da falta de um puxador, incomodava-me o verniz escuro que não deixava ver bem os dizeres que o organizador ostentava: palavras e desenhos pintados à mão num estilo bastante simples, anunciando a marca de linhas "carta". Infelizmente, apercebi-me desde o início que lixar o verniz escuro da peça iria consequentemente apagar desenhos e letras e fazer desaparecer a patine do tempo. Mas não tive alternativa. Cuidadosamente "decalquei" os dizeres em papel vegetal, para posteriormente reproduzi-los o mais fiel possível ao original, ciente de que nunca ficariam exatamente igual, pois tudo o que é feito à mão, tem os defeitos e as virtudes daquele que o executa. Foi um processo moroso e um tanto desafiante e se resultou bem ou haveria outra solução melhor que não me ocorreu, vou deixar ao vosso critério, basta fazer scrolling 👇para entender a metodologia que segui e julgar por vós próprios!

ESCRIVANINHA OBSOLETA GANHA COR, TEXTURA E PERSONALIDADE

29.1.25

Não sei se estarei errada, mas chego à conclusão que certos móveis pensados para funções muito específicas, caminham para um futuro incerto. E a escrivaninha tradicional, clássica, deve fazer parte desse lote! Construídas com gavetas, compartimentos vários, escaninhos e por vezes até com nicho secreto, serviam para guardar documentos, materiais de escritório e instrumentos de escrita. Mas na era digital em que vivemos, quem se senta a uma secretária para ler ou escrever? Estas e outras considerações passaram-me pela cabeça quando resolvi dar cara nova à escrivaninha escura e pesada (no sentido literal do termo, diga-se) que durante décadas vi na casa dos pais do marido, servindo ora de mesa de trabalho do sogro, ora de secretária de estudos da cunhada. Um móvel ultrapassado, diria eu, que para agravar, ainda tinha uma estante para livros, colocada sobre a base, mas que descartei completamente. Se já não é fácil aligeirar visualmente uma escrivaninha e encaixa-la numa casa atual, que dizer de uma escrivaninha + um alçado! Ponderada a decisão de meter mãos à obra no móvel obsoleto, decidi usar materiais que já tinha vontade de experimentar há algum tempo, nomeadamente o papel para decoupage e o decor wax ambos comprados neste site, mas à venda em inúmeros outros locais online. Quando se trata de tornar mais atrativa uma peça austera, a troca de puxadores é, a meu ver, quase inevitável, assim como acho também muito simpático forrar as gavetas. No tampo da escrivaninha usei um tapete de feltro que confere mais conforto à superfície de trabalho e ainda faz vezes de mouse pad para quem usa o rato. Enfim, não foi um trabalho fácil, passou por muitas etapas e consumiu bastaaaante do meu tempo (e por vezes da minha paciência) mas entre a peça mofar para todo o sempre numa arrecadação ou ser de alguma utilidade lá em casa, fiquei com a segunda opção! 


NATAL É QUANDO O HOMEM QUISER

1.1.25

Não foi um Natal tradicional, daqueles passados em casa da irmã, decoração da mesa bem planeada, menu organizado atempadamente, árvore montada a rigor, presentes providenciados para todos. Não. Desta vez escolhemos um alojamento airbnb, colocámos bacalhau e um peru na mala, presentes limitados a uma só pessoa (amigo secreto) de modo a evitar excesso de peso e desembarcámos numa Bruxelas fria e chuvosa para um Natal a 15 que acabou por ser celebrado com pompa e circunstância em dois dias, 23 e 24, pois afinal, não dizem que o Natal é quando o Homem quiser? Este talvez tenha sido o Natal que menos prometeu mas mais nos proporcionou, aquele no qual menos expectativas tínhamos (casa alugada, tempo péssimo) mas em que tudo  se conjugou de forma extraordinária, intensa e diria mesmo, mágica, provando definitivamente que Natal é família, afeição, amizade. Houve de tudo um pouco: uma árvore linda e original deixada pela dona da casa, um Pai Natal poliglota que chegou a 23, as tentativas hilariantes de adivinhar quem era o nosso amigo secreto, as ceias, nos dois dias, protagonizadas na enorme ilha da cozinha, com a panela do bacalhau à mistura já que a casa não tinha mesa de jantar. Enfim, doses de imprevisibilidade e improvisações que sempre acabam por dar certo quando há vontade das pessoas em estarem juntas e fazerem o máximo com aquilo que têm ao seu alcance. Na minha mala carreguei uma surpresa para filhos e sobrinhos: as cartas que eles tinham escrito para os seus "eu do futuro" há 10 anos, na véspera de Natal de 2014. As cartas, escritas na adolescência e lidas em voz alta pelos seus autores, acabou por se transformar num momento bastante emotivo, que arrancou gargalhadas mas também algum desalento pelos sonhos e ilusões que não vieram a concretizar-se. Tenho memórias de bonitos Natais com a minha família mas este acabou por ser muito especial. 2024 foi um  ano extraordinário para mim, com ótimas notícias e eventos muito felizes. Saio dele grata e de coração cheio e só espero que o próximo, que está a horas de chegar traga para todos os que por aqui passam saúde e realizações, sejam elas pequenas ou grandes, mas importantes para todos vós. Feliz 2025! 

EMBALAGENS E ETIQUETAS PARA PRESENTES DE NATAL

16.12.24

Já há alguns anos que para mim, os fins de semana que antecedem o Natal são bastante atarefados, dedicados à produção de embalagens e etiquetas para os presentes que serão oferecidos na quadra. Desde que resolvi limitar ao máximo o uso de papel de presente, que fazem embrulhos lindos mas trazem também um grande impacto ambiental, tenho procurado inspiração e puxado pela criatividade para confeccionar invólucros cujo objetivo maior é poderem ser reutilizados. Ou seja, a pessoa recebe a oferta e aproveita o pacote para embalar outro presente e desta forma evitar algum desperdício. Não é novidade que neste tipo de projeto tento jogar com o que tenho em casa, uso tecidos mais em conta para o corpo dos sacos e retalhos, geralmente com padrões alusivos à época, para detalhes e aplicações. Este ano resolvi também dedicar-me um pouco mais à máquina de bordar, pois se, de facto, não praticarmos, não aprendemos a tirar todo o potencial que este tipo de equipamento oferece. Óbvio que é mais tempo "perdido" em tentativas e erros mas no final, penso que as experiências correram bem. Portanto o que vão ver aí para baixo é de tudo um pouco: embalagens lúdicas, outras mais sérias, aproveitamento de materiais vários, personalizações. No quesito etiquetas, também houve inovações com a introdução de carimbos e decalques. Quando vos mostro este tipo de trabalho, não é à espera que quem visita o blogue, venha a fazer pacotes tão elaborados. Não. A intenção é apenas motivar, sugestionar. A 8 dias do Natal, o tempo urge, eu sei, mas se tem em casa algum tecido engraçado, umas fitas sobrantes e boa vontade, é meter mãos à obra!

Mais sugestões de embalagens e etiquetas, pode ver aqui!

RESULTADO DO SORTEIO

9.12.24

Obrigada a todos que participaram no sorteio de 12 anos deste espaço. É sempre gratificante saber que continuam a passar por aqui apesar do apelo maior de outras redes e que o colorido apresentado e as ideias que vão aparecendo são fontes de inspiração para quem me lê. 

Passando ao resultado propriamente dito, que deveria ter sido anunciado ontem mas por chamados da vida, atrasou-se um dia, foram 7 os participantes e o número sorteado pelo Random Number Generator foi o: (tchan na na na)











O/a premiado/a é a pessoa que comentou em 3/12 ás 12:34 !

Parabéns e por favor entre em contato através de lavionrosedeco@gmail.com 

beijos a todos!

12 ANOS

30.11.24


Parece que foi ontem mas já lá vão 12 primaveras! Este ano vim cá menos vezes do que aquilo que pretendia. Não é que não tenha feito coisas, que não queira estar mais presente ou que as novidades não abundem. A desculpa é a de sempre: o tempo não dá para tudo e eu que em termos de organização não sou exemplo! Também tive uma vida mais corrida neste ano de 2024, duas filhas casaram no estrangeiro com todos os preparativos e viagens envolvidos e um projeto grande que durante meses tomou boa parte da minha atenção e dedicação. No entanto, uma coisa é verdadeira: posso vir poucas vezes, mas quando me veem no blog, podem ter certeza que é com todo o meu carinho, empenho e vontade de vos inspirar. Não sou de criar expetativas, mas 2025 promete: finalmente as obras desta casa acabaram, então muitas ideias giras vão aparecer por aqui! stay tuned

E como aniversário sem prenda não existe, se for seguidor(a) e comentar aqui em baixo até dia 07 de Dezembro próximoesta necessaire tamanho XXLcheia de cor e boa disposição pode ir aí para casa! Dia 08/12 publicarei o resultado. Vamos deixar uma palavrinha e cruzar os dedos?



DE MÓVEL CONTADOR A CÓMODA ALTA

11.10.24
Há uma característica em mim que considero um defeito, não é grave mas por vezes, ao contrário do que à priori se possa pensar, limita-me: nos meus trabalhos, sejam eles qual forem, não gosto de repetir cores, padrões, blocos (no caso do patchwork) ou processos. O que me agrada é a novidade, o tentar algo diferente, aprender novas técnicas, ou seja, por mais contraditório que pareça, o desconhecido não me assusta, o que me desmotiva mesmo é a segurança daquilo que já conheço. Isto para dizer que repetir a mesma cor em dois moveis diferentes parece-me redutor e sem criatividade, mas desta vez não tive escolha: a lata de tinta pela metade jazia na dispensa, era exatamente o tom que se encaixava no contexto onde iria ficar o móvel e last but not least, existia o fator pressa que não me permitia grandes divagações nem inovações. No fim do trabalho, agradou-me a forma como ficou a peça, apesar de apenas ter levado um belo banho de chalk paint Paprika red (sim, aquela já usada aqui) e de ter sido completamente despido da over dose de ferragens barrocas que ostentava, dando lugar a uma mão cheia de puxadores minimalistas. Gavetas forradas nos mesmos tons e eis que surge uma cómoda, na minha opinião, bastante vistosa e cheia de personalidade, pois o vermelho, por mais que se queira, não consegue deixar ninguém indiferente!

NEW LOOK PARA CADEIRA ENCONTRADA NA RUA

9.9.24

Parece que a minha sorte de esbarrar em peças interessantes na rua estendeu-se ao marido, que um belo dia apareceu-me com esta cadeira em casa. A peça estava extremamente ressecada e com o estofo tão imundo que ele próprio calçou umas luvas e tratou de arrancar o assento, não fosse este estar infestado de bichos. O que me encantou na cadeira desde o primeiro momento, foram as suas curvas que me remeteram de imediato à estética dos moveis Thonet que tanto gosto. Uma sinuosidade suave que lhe confere uma personalidade ímpar. O processo de restauro foi simples mas um tanto ou quanto trabalhoso: Numa primeira fase tratei de arrancar o resto de estofagem que ainda permanecia e extraí da cadeira seguramente mais de 200 pregos que tinham servido para agarrar assento e encosto à estrutura. Seguiu-se uma segunda etapa onde lixei a madeira até à exaustão. Depois destas tarefas, tratei de consertar as mazelas que felizmente eram poucas: colar aqui e ali e disfarçar dois defeitos nos braços. Veio o acabamento que é sempre a parte melhor e mais relaxante e apliquei-lhe uma goma laca que lhe conferiu um tom mel lindíssimo. Por último foi escolher um tecido que realçasse mais ainda a beleza da cadeira e optei por um de padrão geométrico com um ar a lembrar o art deco e que, na minha opinião, foi a cereja no topo do bolo!

Carácter, individualidade, originalidade e presença seriam as palavras que eu usaria para descrever esta cadeira. Adicionaria ainda, conforto!

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