SÃO PETERSBURGO

11.11.19
A viagem à Rússia surgiu inesperadamente, um presente dos filhos pelos 60 anos do pai. Além dos bilhetes de avião já comprados com datas inadiáveis, não fossemos nós atrasar indefinidamente o passeio, também vinha um guia super completo para nós lermos e nos convencermos que nada poderia ser mais fantástico e cultural do que 10 dias em terras dos Czares. Até hoje pergunto-me como a filha mais velha, a única que trabalha e se sustenta, convenceu os irmãos a esvaziarem os seus porquinhos e entrarem nesta empreitada, mas o fato é que em meados de Setembro, lá embarcámos, marido e eu, pela segunda vez, para a Rússia.
Sim, segunda vez. Havíamos lá estado há exatos 25 anos atrás, muito pouco tempo depois da queda da cortina de ferro e da transformação da URSS em Rússia, uma época em que nada havia no país, em que não podíamos sair do hotel desacompanhados, em que comida era coisa rara e a miséria era latente. Foi portanto com grande surpresa e admiração que, após tratarmos de alguns trâmites como vistos, convite e seguro de viagem obrigatórios, desembarcámos numa São Petersburgo já gelada, mas linda, resplandecente e cheia de coisas para ver. Uma terra segura, onde andámos sozinhos por todo o lado sem nunca sermos incomodados, com uma vida social e noturna incrível e um artesanato riquíssimo. Na véspera de sairmos de Lisboa num voo matinal para Moscovo e logo em seguida, outro para São Petersburgo, lembrámos-nos do álbum de fotos de um quarto de século atrás e tirámos fotos das fotos para tentarmos identificar os locais onde tínhamos estado e compararmos as épocas.

O hotel onde ficámos era super central, perto do Museu Hermitage  e a uma curta distância da Nevsky Prospect, a principal avenida da cidade.
Foi pelo museu que iniciámos as nossas visitas. Se há um quarto de século, o antigo Palácio de Inverno dos Czares era já muito conhecido, a verdade é que me lembro de por lá deambular quase sozinha, sob os olhares atentos de umas velhas senhoras sentadas nuns banquinhos em cada sala, a guardar o acervo.



A realidade hoje é bem diferente e visitar o Hermitage pode ser uma aventura, tal a quantidade de turistas que lotam as salas. Tirar uma foto é quase impossível e é mesmo preciso esperar uma janela de oportunidade para sacar uma imagem sem ter trezentas mil pessoas à volta. A nossa estratégia foi identificarmos no guia as principais atracções do museu e apenas escolher as obras/salas que mais nos interessavam:

As duas fotos a seguir foram tiradas com pouquíssimos minutos de intervalo e ilustram bem o que quero dizer:

Fora de questão, para mim, ficar cercada de multidões que tiram fotos a tudo e todos sem nenhum critério, sinais dos tempos, eu sei, mas prefiro nesses casos ir para o exterior e aproveitar a cidade:
















Abaixo, estamos na sala do famoso relógio do Pavão Dourado, mas apreciar a obra de arte, sinceramente, impossível, só mesmo saltando por cima da multidão! O objeto fica encerrado nessa gaiola em vidro cuja ponta aparece à direita da imagem:

A Nevsky Prospect é a pricipal avenida da cidade, 5 km de prédios riquíssimos, todo o tipo de lojas, restaurantes, palácios e igrejas. vale a pena passear-se por lá e respirar a atmosfera local:

Abaixo o prédio que foi sede da Singer Corporation (sim, ela mesma, a fabricante das máquinas de costura), numa esquina da Nevsky, edifício de 1904 em estilo Art Nouveau:

E o prédio onde fica  a Yeliseev Emporium, um café e food hall onde vale a pena entrar, não só pela arquitetura em si mas também pelas iguarias e souvenirs tipo doces típicos Russos:

A Stolle foi uma das dicas do guia que eu mais gostei: as famosas pirozhki, tartes salgadas e doces, vendidas às fatias, saborosíssimas e a sair do forno . Como sou uma pessoa muito visual, escusado será dizer que adorei a massa desenhada. A Stolle é uma cadeia Russa e também está noutras cidades do país.


Mas o que não falta mesmo são restaurantes charmosos com decorações simples e aconchegantes, uma utopia há 25 anos:





Abaixo, o cafetaria do Museu Fabergé.

As tradicionais bonecas Russas ou Matrioscas estão presentes em todo o lado, nas mais diversas formas, tamanhos e funções:





Assim como os Ded Moros ou, em inglês, Grandfather Frost, personagem do folclore Russo, esculpidos em madeira e pintados à mão:

São Petersburgo é uma cidade de canais e sobre o Rio Neva cruzam cerca de 800 pontes. Escolhemos fazer um Canal Tour à noite para ficarmos com uma outra perspectiva da cidade:


No último dia fomos visitar o Peterhof Palace, mas devido às multidões e à minha implicância em relação às mesmas, fiquei-me pelos jardins:


As fotos abaixo, distam 25 anos entre elas. Eu, em frente à famosa Catedral do Sangue Derramado em 1994:
 E em 2019 (estou ali no meio):

Estátua de Poseidon, antes, e agora:


Esta foto é mais marcante. A mesma praça um tanto ou quanto desarrumada e confusa, com os veículos da época a circular, e hoje, organizada e limpa:


O programa dos filhos incluía passagens aéreas de Moscovo para São Petersburgo mas mandava-nos de volta para Moscovo de comboio. Foi interessante a jornada de 4 horas na última etapa da rota do grande Transsiberiano, que se inicia em Beijing, na China, e termina em Moscovo.

TO BE CONTINUED....

13 comentários:

  1. Val, adorei a descrição, adorei as fotos e estou a adorar o teu/vosso passeio. Muito melhor visto deste lado... :) é que eu tenho pavor de multidões e não era menina para este tipo de viagens. Fico muito feliz por aproveitar de outra maneira. Obrigada pelo delicioso e interessante registo!

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  2. Oi Val,
    Adorei suas fotos de viagem e o fato de saber que a cidade se transformou para melhor com o passar do tempo. Adoraria fazer uma viagem como esta.
    Beijos

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  3. Sabes Val, é um dos destinos que tenho em lista. Ainda há poucos dias falava com uma amiga e dizia-lhe que a maioria das pessoas quando pensa em viagens de férias por norma escolhem as zonas tropicais. Pois eu tenho o desejo de conhecer as terras frias, o norte e leste da Europa fazem parte da minha wishlist. O mais alto que já visitei, além do reino unido, foi a Holanda. Bonitos sítios nos mostras e tão interessante que é conheceres um antes e depois de uma cidade cheia de história. Ó Val, turistas a metro também é qualquer coisa que me tira do sério, a maioria não aprecia nada em condições, nem deixa apreciar. São uma espécie de praga, desculpem-me a franqueza, mas é o que sinto. A seguir à tua foto no Transiberiano, que com certeza passa por lugares absolutamente arrebatadores, dás-nos um "to be continued" e eu cá fico, curiosa, à espera que nos mostres mais lugares bonitos por onde andaste. Até já :)

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  4. Val, que presente maravilhoso! Viajei nessas suas fotos e achei surpreendente aquelas que você mostrou com 25 anos de separação. Tudo muito melhor hoje em dia, conservado, limpo.

    Sobre multidões, já tinha passado por lufares lotados antes, mas nunca parecido com o que vi na viagem de Paris que fiz no ano passado. Insuportável é a única palavra que me vem à mente. Como você mesma relatou, fotos de tudo e sem nenhum critério. As pessoas não apreciavam nada, pois andavam com os olhos sempre nas telas do celular. Selfies sem parar. Aparecer nas redes sociais era muito mais importante que a experiência, o passeio, as obras de arte, a história. Era a primeira do meu filho ao Louvre e a gente simplesmente não conseguia curtit o museu. Tirei uma foto que mostrava mais ou menos a "essência" dessas multidões, se eu achar eu mando pra vc ver.

    Falando em fotos, as suas são lindas. Amei a segunda da postagem, lindo enquadramento!

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  5. Na impossibilidade de lá ir pessoalmente, fico grata por me levar a conhecer, com pormenores únicos, uma terra longínqua com viveres tão diferentes. Parabéns pelos filhos que tem de coração tão grande.

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  6. Que presentão! As fotos ficaram lindas! Quantos passeios culturais! Também não gosto de multidão, ainda mais quando queremos ver as obras e ficam na nossa frente!

    Ah! Adorei os restaurantes! Muito obrigada por compartilhar essa viagem por aqui.

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  7. OI Val, que viagem maravilhosa. ALiás, que retorno maravilhoso após 25 anos. Um belo presente dos filhos. Já mostrei pras minhas filhas seguirem o mesmo exemplo. kkk. Amei as suas fotos. Lindas demais as matrioskas.
    beijos
    Chris


    Inventando com a Mamãe / Instagram  / Facebook /

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  8. Que belo presente! Obrigada por partilhar o antes e o agora... muito interessante!

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  9. Olá Val! Estás tão diferente de cabelo grande. Amei esta tua reportagem. Foi um lindo passeio. Tenho muita vontade de visitar os países do leste Europeu,mas Luis não anima. É tão barato de cá da Bélgica. Grata por partilhares amiga ,boa semana! Beijinhos

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  10. Val, li as duas reportagens, tens um tino para literatura turistica! Fotos e relatos maravilhosos. Só em ver daqui da tela do computador a multidão já começo a ter ansiedade. Quem sabe um dia crio coragem? Beijos

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  11. Hello again, duas cidades distintas, mas tão ricas e diversas.Adorei as fotos do passeio á noite (viagem bem comprada), dos edifcios e cafés com as famosas tartes.
    Gostei imenso das fatos do há 25 anos atrás e 25 anos depois.Que sorte é poderem repetir e verem as diferenças.
    A viagem ficará para sempre! E os vosso filhos são simplesmente uns amores .
    E sei que já teem o mesmo bichinho de voces o de viajar , vá lá que vamos ter piloto ;)
    bjs Valzinha .....amei
    Lulu

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  12. Olá querida amiga, cá faltava eu para ver o post não sei quantas vezes e só hoje escrever...hehehe.
    Adorei os teus registo fotográficos e mais ainda o antes e o depois, realmente é mesmo impressionante o quanto as coisas e nós mudamos.
    Quanto às multidões, ai jesus estive agora em Barcelona e esperava uma eternidade para conseguir fotos de jeito é mesmo desesperante.
    Gostei de te ver já que este ano não tivemos oportunidade de nos encontrarmos por os Algarves.
    Beijinhos para ti e para todos os teus familiares.

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