SO THIS IS CHRISTMAS

24.12.17
Natal para mim é uma época de mixed feelings. Gosto da beleza e do significado da quadra mas sinto falta da magia de outros natais e de pessoas que já nos deixaram. Acho que é por essas razões que a decoração de casa fica sempre para o último dia, dessa forma vou protelando. Adio, mas não evito, pois a noite de 24 e o dia 25 acabam sempre por chegar. Então vamos viver esses dias com alegria! Sentemo-nos logo à noite à volta de uma mesa bonita, sim, mas principalmente que seja uma mesa repleta de memórias, sonhos, afetos e paz. E deixo-vos a mensagem de John Lennon que é para mim a ideia mais simples e bonita de Natal: "So this is Christmas, I hope you have fun".

MÓVEL REPAGINADO COM STENCIL

18.12.17
O que safou este móvel do abandono definitivo, é que era Agosto, mês desesperante em Lisboa, em que meia cidade está de férias, a outra metade em suspensão, faz um calor de rachar e eu com muito pouco que fazer. Achei que lixá-lo até à exaustão e descobrir o que poderia estar por baixo da tinta, seria uma boa maneira de aproveitar os finais de tarde de verão que se arrastam com luz até às tantas. Sim, eu sei, há gosto para tudo. Só não contava é que o móvel fosse feito de várias madeiras e contraplacados, tivesse portas e interiores irremediavelmente manchados e partes bem maltratadas pelo bicho. Algumas razões fizeram no entanto com que eu não desistisse dele a meio do processo: a sua frente assimétrica, os pés palito e o pesadíssimo tampo em pedra de lioz. Dois meses depois, com a peça totalmente virgem e sem decisão de acabamento à vista, acontece de eu embarcar de rajada para os EUA e trazer de lá inúmeros stencils, uma técnica bem em voga ali pelos anos 90 e que ressurge agora em força, com desenhos bem criativos e atuais. Ouro sobre azul para alguém como eu, que gosta de padrões mas que gosta muito mais ainda, de misturar padrões. O móvel está lá em casa, de passagem, pois a sua transformação ainda não acabou. Ele, que durante mais de 50 anos morou numa cozinha, vai ser reinaugurado como bancada de casa de banho. Curiosos? ah, eu também, mas vamos ter que segurar a ansiedade!
Nota: pode vê-lo aqui já no seu local definitivo.

E OS "TEA COZY" VÃO PARA....

15.12.17
Antes de mais quero agradecer a todas as leitoras que participaram do sorteio. Foram 28 mensagens bonitas de se ler. E para quem diz que colocar peças feitas por mim "em jogo" é um ato de generosidade meu, eu vou explicar que é justamente o contrário! É puro egoísmo: gosto de costurar, adoro conjugar cores e padrões e realizar novos projetos. Só que não posso ficar com tudo! A solução é, portanto, oferecer a quem aprecia este tipo de trabalho. Desta forma fico livre para tentar outros voos!

Mas vamos ao que importa: as ganhadoras. Pelo programa random foram sorteados os números 11 e 28:

5 ANOS

8.12.17
É o tempo que estou neste mundo virtual. Manter um blog requer muita dedicação, alguma disponibilidade e doses de carinho, e isso faz-me bem, pois aprendi a tirar dele o melhor. Nestes 5 anos houve gente que entrou e saiu e houve gente que ficou. Que estreitou laços, que interagiu, que se desvirtualizou. Que incentivou, que acrescentou um novo olhar. Que levou daqui algumas partilhas mas deixou cá outras tantas ideias. E é por isso que sou fã dos blogs, um local onde tudo é mais personalizado, mais autêntico, mais inspirador. 5 anos depois sinto que vale a pena continuar e sou muito grata por tudo o que este espaço me tem proporcionado. E como quem por aqui passa, enche o meu ego ao dizer que aprecia o meu modo colorido e algo diferente de ser, vou sortear dois "tea cozy", feitos por mim, entre as seguidoras. Até 14 de Dezembro próximo, deixe um comentário aí em baixo e torça para ser uma das sortudas que pela altura do Natal estará a tomar um chá quentinho numa mesa cheia de charme! Dia 15 de Dezembro sairão os resultados! Boa sorte!
NOTA→→ para quem ficou na dúvida: o sorteio é válido para Portugal e estrangeiro, ok? ninguém vai ficar de fora!

CADERNOS DE RECEITAS

30.11.17
Na prateleira da cozinha de casa, guardo os livros e cadernos de receitas que eram da minha mãe. Curioso que tenha sido eu a ficar com eles, logo eu, que não cozinho. Mais curioso ainda é que a minha mãe tivesse tantas receitas escritas ou coladas nas páginas agora amareladas dos cadernos, pois também ela, não cozinhava. Lembro-me da azáfama em casa em véspera de festas de aniversário ou Natal, a cozinha enorme, repleta de cheiros e sabores, mas sempre vinha alguém de fora confeccionar os pratos. Minha mãe, comandava: comprava os ingredientes e dava ordens, determinava as loiças, escolhia cuidadosamente a toalha, montava a mesa e elaborava os arranjos de flores. Os menus, dei-me eu recentemente conta, saiam desses livros que vos mostro. Receitas cuidadosamente copiadas nos cadernos, na sua letra gigante e bem desenhada. Gosto de folheá-los, pois ali, encontro um pouco da vida dela. Acho sintomático que as primeiras receitas dêem pelo nome de Pavê de Abacaxi, Pudim de Bananas, Galinha Copacabana, Carne recheada com Farofa e de repente haja um salto para Pudim de Bacalhau, Croquetes de Carne e Rissóis de Camarão: eram os meus pais a emigrarem do Brasil para Portugal e a adaptarem-se aos costumes da nova pátria. Assim como faz-me sorrir a organização da minha mãe que ao anotar as receitas, coloca entre parênteses os nomes das pessoas que as forneceram ou o local onde as encontrou. Ali reconheço tantos nomes e me vêm à memória as amigas dela que frequentavam a nossa casa. Também acho graça às observações de rodapé: "ótima receita para o Natal" ou ainda às apreciações: ótima, muito boa, boa. Em algumas páginas, rótulos retirados das latas ou recortados das caixas dos produtos, com fotos nada atrativas, evocam a singeleza e frugalidade de outros tempos. Vez por outra, em meio à caligrafia enorme da minha mãe, aparece a letra miúda da minha avó. Ela sim, ótima cozinheira, consequentemente grande abastecedora de receitas e também comentadora das mesmas: "Docinhos para aniversários, casamentos, etc", "quando quiser fazer mais, dobrar a receita". Manusear estes livros, por serem de receitas, deveria talvez estimular os meus sentidos. Atiçar o olfato e o paladar. Mas não. A comida nunca teve a menor importância na minha vida. Quando viro estas páginas finas e manchadas, o que me vem à cabeça são pessoas e a casa dos meus pais em dias de festa: casa cheia, iluminada e farta, onde a música tocava alta e as gargalhadas se sobrepunham.

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