DESFAZER E TORNAR A FAZER #1

15.3.15
Sempre tive a mania de sacos de pano. E sempre tive vários: para os sapatos, as meias e a roupa interior na hora de viajar, para organizar o material de ginástica dos filhos quando estes eram crianças, para mandar o lanche para a escola ou levar o almoço para o trabalho. Só que não tinha máquina, não sabia costurar, nem conhecia quem pudesse mos fazer, então comprava-os quando me deparava por aí com algum interessante.
Há uns 3 anos atrás queria desesperadamente um saco para quando fosse comprar o pão. Importa dizer que sou eu a padeira da casa, e que sempre me chateou vir da padaria com os pães num saco de papel craft. Até porque achava mal empregado: o saco pardo já vinha todo amachucado, e eu com pena de vê-lo acabar no lixo quando na verdade via nele mil e uma possibilidades de fazer bonitos embrulhos. Lembro-me de nessa altura ainda ter ido a casa do meu pai, na esperança de que numa gaveta, jazesse esquecida alguma saca, antiga e maravilhosa, talvez até bordada, quem sabe. Mas nada. E acabei por comprar um saco desenxabido, de um tecido fininho, até grande demais para o pretendido, com um sistema de fecho de plástico, enfim, uma coisa triste e enfadonha, que durou e durou e serviu...até este fim de semana. Quando, inspirada por muitos dos vossos blogs, ousei desfazê-lo e voltar a fazê-lo, usando a imaginação e aquilo que houvesse em casa. Confesso que gostei desse mundo novo que se abriu de desconstrução/reconstrução e que agora ando receosa de olhar para as camisas do marido ou os vestidos das filhas com olhos de ver. O mais seguro será mesmo não apurar muito a vista...

LÁ FORA

6.3.15
É praticamente oficial: a primavera está a chegar. E não é só no calendário! Na vida real as temperaturas estão amenas e os dias mais longos. O céu pintou-se de azul, aqui e ali brota uma flor, e até já se pensa em aposentar botas, edredons e o mau humor dos dias cinzentos. É hora de olharmos para o nosso jardim, terraço ou varanda com outros olhos e resgatá-los de um longo e tenebroso inverno. Pelo menos essa será a minha tarefa do fim de semana: limpar os vasos, podar o que sobreviveu, replantar, comprar umas mudas, acrescentar e fertilizar a terra. Isto numa primeira fase. Em progresso estão novas almofadas e uma manta para vestir o velho banco que terá de resistir mais um ano. E at last, mas sobretudo not least, virão as ideias simples, divertidas e baratas para deixar a área verde ainda mais acolhedora e com uma identidade muito, muito própria!



ONTEM E HOJE

26.2.15
A ideia consiste em recriar fotos antigas, com as mesmas pessoas e na mesma posição. Para ficarem realmente fiéis, o ideal é as imagens serem tiradas no mesmo lugar e com roupas semelhantes. Não fui a esse preciosismo, seria impossível, mas em Julho último, reuni 3 filhos e 3 sobrinhos, e tentámos a experiência numa sessão fotográfica familiar, bastante íntimista e que não estava nos meus planos partilhar. Até que a Joana, no seu dia de anos, presenteou-nos com este vídeo emocionante, que me fez repensar. Sobretudo porque a ocasião acabou por ser um fim de tarde de muitas gargalhadas e memórias, em que os seis divertiram-se e recordaram com saudades férias e momentos esquecidos no passado.
O resultado, é uma série de imagens que relata o antes e o agora de uma amizade e mostra-nos o crescimento e a transformação de seis crianças. No "nosso" caso em concreto, em algumas situações, foi difícil reproduzir com rigor as posições, porque os mais novos acabaram por ficar mais altos que os irmãos ou primos mais velhos, e isto obrigou a reajustes. Mas valeu o esforço!

Cerca de 20 anos separam as 2 fotos abaixo:




CASA GRANDE chocolatier

20.2.15
Quem mora no norte de Portugal, está com sorte, pois além da marca ser de lá, existem lojas em Vila do Conde, Matosinhos, Barcelos, Gaia, entre outras cidades. Parece que em Lisboa também há um franchising, mas sinceramente, devo estar a perder qualidades, pois além de ter pesquisado online, ainda dei-me ao trabalho de agarrar na bicicleta e pedalar pela zona do Príncipe Real e São Bento, onde hipoteticamente se situa o espaço, mas ambas as iniciativas não tiveram sucesso!
Enfim, não conhecia a marca, e foi no último fim de semana, em passeio pelo Porto, que ao passar pela Rua Ferreira Borges, fui atraída pelas cores e pormenores do ambiente retrô e apesar de ser hora do almoço, imediatamente entrei, sentei-me e pedi uma meia de leite. Eu nem gosto de meia de leite. Ou tomo leite, ou café, mas nunca os dois misturados. Mas tão absorvida estava pelos detalhes que nem raciocinei: o que eu queria mesmo, era tempo para fotografar.
Fiquei conquistada de vez, quando a meia e o salame de chocolate (que também pedi num impulso) vieram servidos nas porcelanas que de há um tempo a esta parte, ocupam o meu coração, as loiças holandesas da pip Studio .
De todos os tipos de chocolates, pãezinhos, bolos e doces que se pode saborear na Casa Grande, não vou falar, pois são inegavelmente deliciosos. Mas vou dizer-vos que me perdi no bom gosto do espaço, na calma do colorido suave, na originalidade das garrafas de leite transformadas em candeeiro, na delicadeza dos produtos protegidos pelas cloches. Preciso voltar, para dispensar a meia e regalar-me com um chocolate quente da casa, extremamente espesso.


ALMOFADAS SPIDER WEB

12.2.15
Spider Web é o nome oficial dos blocos usados nestas almofadas. Mas eu prefiro chamá-las de almofadas caleidoscópio. Afinal, a cada momento que as trocamos de posição, surgem aos nossos olhos combinações novas e inesperadas. Tal e qual o brinquedo que tinha em criança e que me facinava.
Fi-las numa tentativa desesperada de acabar com as centenas de retalhos que tenho. Mas parece que tudo o que consegui foi obter sub retalhos dos retalhos, fragmentos mínimos que parecem não servir para nada mas que faz pena deitar fora. A sensação que tenho é que literalmente, os bocados de pano reproduzem-se dentro das caixas. Quanto mais corto, acerto, harmonizo e utilizo, mais o monte aumenta. A vantagem de ter descoberto este bloco, é que fui obrigada a organizar os retalhos por cores. Digamos que continuo com uma porção de azuis, um punhado de encarnados, uma quantidade de neutros, uma mão cheia de verdes. Além do rosa e do amarelo. Mas pelo menos tenho a casa arrumada e a cabeça pronta para outros projetos.

























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