Duas situações inspiraram-me para a transformação de mais um banco antigo de cozinha: a sorte de volta e meia choverem banquinhos na minha horta e o fato de precisar desesperadamente de uma mesa de cabeceira que coubesse num vão de 30 cm. Depois de navegar horas a fio em lojas online à procura de algo pequeno que não só preenchesse o espaço em causa, mas também conferisse ao ambiente uma ideia de conforto, estilo e criatividade ao deitar (sim, sou exigente), lembrei-me de 3 bancos, coçados e gastos, que jaziam há tempos na arrecadação. Quando comecei a trabalhar num deles, a minha ideia era ser eu própria a eletrificar o banco, mas cedo vi que tal empreitada tinha dois problemas: levaria um tempo de projeto e execução que eu não tinha e nada me garantia que fosse bem sucedida na intensão. Passei então para um plano B que no final revelou-se bem simples: decapei o banco e abracei a sua madeira natural assim como todas as suas imperfeições e rusticidade. E como recuei na pretensão de me estrear como eletricista, comprei aqui um candeeiro lúdico e divertido, que parece estar sentado em equilíbrio periclitante, mas na realidade foi aparafusado ao tampo. Personalizei-o com um abajur mais colorido e.....nada mais! o resto é brincar com as perninhas do boneco que servirão para apoiar óculos, o livro da vez ou o telemóvel.
BANQUINHO COM PINTURA ORGÂNICA
A chamada pintura orgânica é uma tendência recente de decoração de paredes e moveis que sempre chamou a minha atenção. Como sou muito imediatista nos meus projetos, perdendo pouco tempo na conceção dos mesmos, nada melhor do que uma proposta criativa que permite o desenho de formas livres, sem moldes ou figuras perfeitas. Em suma, uma arte sem regras que apenas pede harmonia nas cores e traço solto. Mas se por um lado gosto de ousar e experimentar técnicas novas, por outro prefiro testar em peças pequenas que não requeiram grande responsabilidade, que é como quem diz, em caso de falhanço, fica mais fácil lidar com a frustração. A escolha recaiu então sobre um banco de personalidade forte que levou uma vida de superação: décadas ao serviço da patroa na cozinha; meses aos caídos em meio das obras do andar onde foi encontrado; e um ano à mercê das intempéries na pequena varanda desse mesmo andar. Um banquinho com tal resiliência merecia que alguém o olhasse com carinho! O material usado, foi o que tinha em casa: restos de tinta chalk paint e um marcador acrílico que havia servido para outras situações. A técnica, adaptei de alguns tutoriais que assisti: comecei por traçar as formas que pretendia, a lápis, sobre o assento do banquinho, pintei-as com as cores disponíveis, fiz um ligeiro decapé e finalmente, com o marcador acrílico, desenhei os elementos vegetais. Para selar o todo, duas demãos de cera incolor. Tudo na maior descontração e sem grandes pretensões. Foi um bom treino para uma primeira vez, e deu-me vontade de arranjar uma peça diferente do banco, com superfícies maiores, onde possa brincar mais com o tamanho das formas e dos desenhos. Enquanto isso não ocorre, fiquem com o velho banco, de vida sofrida mas resistente, de volta ao andar onde sempre habitou, mas agora, com incontáveis oportunidades pela frente.
TÉCNICAS VARIADAS APLICADAS A UM MESMO OBJETO
A peça não é nada de especial, mais um banquinho rústico e de beleza duvidosa que encontrei por aí. Mas sendo pequena e de pouco valor serviu-me para continuar a testar o comportamento das Chalk Paints e também a combinação destas com stencils e transfers, coroando o todo com uma técnica que não é das minhas preferidas e portanto nunca tinha usado e que é o velho e conhecido décapé. Este termo vem do francês e significa decapar, ou seja, arrancar camadas de um dado material atribuindo ao objeto um aspeto envelhecido. E do meu ainda pouco convívio com as chalk paints, parece-me que estas «pedem» esse look desgastado, pois são tintas encorpadas, que quando aplicadas conferem às superfícies uma certa rugosidade e textura. O meu objetivo é usar estas 3 técnicas num móvel a sério e portanto este banquinho serviu para mim como tubo de ensaio para ganhar confiança e me lançar nessa tal peça maior e de mais responsabilidade. Mas enquanto isso não acontece, fica aqui o depois e o antes do pequeno banco.
ATREVA-SE A RECICLAR
BANQUINHO COM POMPONS DE FELTRO
BANQUINHO FLORIDO
O que me chamou a atenção neste, foi o seu assento redondo. Já passaram pelas minhas mãos muitos bancos mas nunca um de assento redondo. Faltava-lhe uma perna, que consegui encontrar uns metros adiante, e uma trave horizontal. Essa, não apareceu e fui obrigada a fazer uma nova. O que aliás, acabou por ditar todo o resto: a madeira diferente da nova trave destoou o que me levou a pintar parte dos pés com tinta spray fluorescente e a usar no estofo um estampado garrido, saído lá dos anos 70. Só para que conste: as fotos não têm filtro, ok? foi o banco que ganhou luz própria!
AS DUAS VERSÕES DE UMA BANQUETA
Desta vez, para o tornar ainda mais versátil e permitir que ele passeie sem limitações pela casa, o banquinho ganhou dois visuais: um romântico com capa acolchoada ornada de berloques e uma versão rústica com pintura de stencil no tampo. Agora é vê-lo a saltar daqui para acolá, a acomodar mais uma pessoa à mesa, a levar as plantas para apanhar sol ou tão simplesmente, a enfeitar aquele canto sem graça.
PLANOS PARA O QUARTO ROSA
BANQUINHO FORRADO COM RETALHOS
Final feliz num estilo tudo junto e misturado, para uma peça que tinha destino traçado (lixo). E agora quem duvida que se trata do mesmo, sou eu.
DUPOND ET DUPONT
Mas lá se fizeram os dois à estrada, de roupa nova (ou melhor dizendo, de capas novas) para continuarem as suas aventuras e convivência mútua, no país do Tintin.
DE PATINHO FEIO A CISNE
BANQUINHO RENOVADO
O MODESTO BANQUINHO
BANQUINHO DE ROUPA NOVA
BANCO MOCHO
DOIS BANCOS RESGATADOS
Refiro-me a bancos, banquinhos, banquetas.



















