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TOALHA DE VERÃO

31.8.19
O verão este ano foi particularmente agitado com a preparação do casamento da sobrinha, evento de peso que trouxe a Lisboa grande parte da nossa família do Brasil, além dos convidados dos noivos, provenientes do Reino Unido, Austrália, Egipto...Enfim, foi como se de repente todos os caminhos viessem dar a Lisboa, com toda a logística e responsabilidade que acarreta receber tantas pessoas de fora. A família chegada foi chamada a colaborar para levar a bom porto a festa e, claro, diminuir a ansiedade e nervosismo não da noiva, mas da minha irmã. Tudo isto para explicar que os dias de ócio foram corridos, mas intensos, e que pelo meio, ainda deu para comprar tecidos floridos, juntá-los em tiras e fazer uma toalha que me permitisse sonhar que estava tudo calmo, descontraído, e o final das férias marcariam não o início da maratona de comemorações do enlace mas o retorno às rotinas. Mais desta casa de férias, podem recordar aqui e aqui. É um local que me abraça, enche-me de boas energias e que mimo com muito carinho.


TROCA DE CASA

20.5.18
A cerimónia de final de curso da filha que estuda nos EUA obrigou-nos a nova travessia do Atlântico. Numa cidade pequena, onde a grande maioria dos habitantes são estudantes (relembre aqui), em semana de graduation, os hotéis esgotam e os preços das diárias disparam. Foi em meio a essa dificuldade de encontrar um local para ficar que veio a proposta: Mary Ann, uma senhora aposentada do departamento de atletas da universidade quer conhecer Portugal e sugere uma troca de casa. A chamada home swap: combinamos as mesmas datas para as respetivas estadias e instalamo-nos. Ela em nossa casa, nós, na dela. E foi assim que, de repente, vi-me acomodada numa casa de campo nos arredores de Columbia, enquanto ela, hospedava-se no nosso apartamento no centro de Lisboa. "This will be fun for both of us" disse-nos ela. E foi. Mary Ann esqueceu o carro e galgou Lisboa toda a pé. Nós, longe de tudo, usávamos o seu truck para nos deslocarmos. E a casa? a casa representava totalmente a personalidade da dona, repleta de objetos rústicos e memórias de alguém que tinha sido criada numa farm e que se define como uma country girl.  Com uma planta tipicamente Americana, que integra cozinha, sala de jantar e estar e que se abre a um porch rodeado de verde, os nossos vizinhos mais próximos eram bois, vacas, cavalos, esquilos, coelhos, veados, pássaros, rãs e demais espécies que não consegui identificar. Impossível descrever aqui a cacofonia que faziam à noite e o agradável que era adormecer com esta trilha sonora. Uma experiência única, enriquecedora e inesquecível !

PLANOS PARA O QUARTO DAS FILHAS

16.1.18
Neste final de ano aconteceu algo sui generis lá em casa. Aproveitando a rara ocasião em que as duas filhas estavam presentes, uma vez que ambas estudam fora e é difícil coincidirem em Lisboa, dei-lhes um ultimato para que fizessem uma limpeza aos armários do quarto delas, separando a roupa que já não servisse ou quisessem. Saí de casa e disse-lhes que queria tudo limpo e organizado até ao final da tarde, quando eu voltasse do trabalho. Mas qual a minha surpresa quando ao regressar, dei com a entrada do apartamento atafulhada de sacos: as duas não só tinham separado a roupa para doação como ainda embalaram tudo o que se encontrava no quarto e que elas definiram como artigos infantis que nada mais tinham a ver com elas. Ensacaram bonecas, porta retratos, desenhos, bijuterias, CDs, livros, enfeites. E perante a minha cara de espanto, viraram o feitiço contra o feiticeiro e lançaram-me o repto: que eu me livrasse dos móveis coloridos, das secretárias de estudo que já não utilizam e lhes desse finalmente um quarto de adulto. Reivindicam madeira natural e cores neutras  (vá lá, depois de muita conversa vão deixar-me colocar um só elemento com cor) e uma zona de chill out. Eu sei que elas têm razão em pedir este refresh. São 22 anos de uma decoração que evoluiu com elas até uma certa altura mas depois parou. Parou porque elas não estavam cá. Parou por preguiça minha (confesso). Parou porque a maior parte do tempo o quarto tem estado fechado e esquecido. Planos, tenho alguns. Dúvidas, muitas. A única certeza é que quero começar por tirar o lambril de madeira verde, arranjar uma cor para as paredes na paleta dos cinzas, e tentar remodelar uma ou duas peças velhas que tenho guardadas. O resto, como sempre, confio no acaso, vai cair do céu e vai dar certo!

O quarto depois do desbaste:









CASAS DE BANHO E COZINHAS DO SÉCULO PASSADO

2.10.17
Quem me conhece sabe que eu adoro ver as casas dos outros, não por bisbilhotice mas sim por um genuíno prazer de descobrir como as pessoas ocupam e vivem os espaços. E se as casas dos outros são, ou foram, mansões e cottages do séc 20, essa minha indiscrição natural ainda se agudiza mais. Mas não se alastra a todo e qualquer ambiente. O que gosto mesmo de apreciar, são as casas de banho e as cozinhas de antigamente. Do tempo em que, quem tinha desafogo financeiro, não se confinava em espaços pequenos, o banhar-se e vestir-se era todo um ritual, e as refeições exigiam protocolo e etiqueta. As imagens a seguir foram tiradas nas famosas mansões de Newport. Newport fica no estado de Rhode Island, nos EUA, e era, nos finais do séc. 18, inícios de 19, uma cidade da elite, onde famílias influentes de Nova Iorque construíam suas casas de veraneio. Quando veio a grande depressão dos anos 20, e à medida que as famílias foram desmoronando, para evitar que as casas fossem vendidas pelos descendentes, demolidas ou transformadas em modernos condomínios, surgiu uma entidade, a The preservation Society of Newport County, que as adquiriu e mantém-nas abertas ao público. Sorte a nossa, que hoje em dia podemos comprar um passe que dá acesso a todas as casas, e com a ajuda de um guia áudio, passearmo-nos pelas histórias de vida dos Vanderbilt ou dos Astor. Banheiros e cozinhas antigas, são a minha perdição. Os primeiros porque encontramos neles peças que chamo de "intrusos" e as segundas, porque me fascinam aquelas mesas enormes centrais. Intrusos, para mim, são tapetes, cortinados, sofás, cadeiras, cómodas, quadros e todos aqueles elementos que deveriam esta na sala ou no quarto, mas estão nas casas de banho. Objetos que parecem estar fora do seu habitat natural, mas a meu ver, dão um charme imenso a um ambiente tão prático e ascético como uma casa de banho. Quanto às cozinhas, sou perdidamente apaixonada pelas mesas gigantes, de tampo de madeira ou pedra, pela proliferação de utensílios antigos e pelos armários louceiros que espalham-se pelas paredes e deixam o enxoval da casa todo à vista. E quando deambulo por estes espaços, divago e deixo a imaginação fluir. Tento conjecturar sobre as dezenas de empregados que eram precisos para manter estas casas e servir os patrões. E esforço-me também por imaginar os aristocratas, de férias, mas num ritmo frenético de formalidades e cerimoniais, quando um dia era planeado ao pormenor e havia horários rígidos para toda e qualquer atividade!

PURO ACONCHEGO

9.8.17
Claire é, numa primeira aproximação, uma senhora tradicional e discreta. Mas quando se estreita a convivência, damo-nos conta da pessoa sociável, disponível para quem a procura e cativante que está à nossa frente. E assim é também a casa de 1880 que ela própria remodelou. Num olhar mais distraído, parece-nos clássica, sóbria e igual a tantas outras da região. Mas quando entramos, o que sobressai é um estilo rústico e tão feminino, envolto numa paleta pouco óbvia de tons terra, que filtra a luz e nos dá a sensação de um abraço. A cozinha, pela sua localização central, é literalmente o coração da casa e pela manhã, despertamos com o cheiro a café e pão acabados de fazer que perfuma os ambientes. Louças de família, livros de receitas, pratos pelas paredes, souvenirs deixados pelos viajantes que por lá passam, e detalhes originais da casa, como as saídas de ar quente nos pisos, rodapés altos e molduras trabalhadas das portas e janelas, convivem em harmonia. Na sala de jantar, a peça de eleição da Claire: o antigo pé da máquina de costura atua como móvel de apoio na hora das refeições. Pertencia ao seu pai, que trabalhava nos correios e servia-se da máquina para costurar e remendar os sacos e malas de couro que serviam para transportar a correspondência. Achei curiosa, a história. Assim como achei singular receber a chave de uma casa que não me pertencia, num gesto natural e sem constrangimentos. Única recomendação? deixar os sapatos à porta!

SOUS LE CIEL DE PARIS

21.2.17
É num primeiro andar "a contar vindo do céu", com parede em pedra, vigas aparentes e porta de vidros coloridos, que mora a Zeyna. Do seu país natal, Marrocos, trouxe o colorido dos tapetes, a típica mesa baixa com bandeja de latão, bules e tajines. Mas mais do que isso, e é o que aprecio na casa de um jovem, trouxe a descontracção e a informalidade. Eu diria, a total liberdade de decorar inerente à pouca idade e ao início de vida. Uma falta de constrangimento que resulta em naturalidade: se não há molduras, as fotos vão diretamente para a parede num desenho abstrato; mesa de cabeceira não precisa existir, se há um pequeno tapete que supre as necessidades; e para que fim roupeiros fechados e sisudos se um carrinho expositor de loja os pode substituir? Na pequena cozinha, tudo à vista e à mão de semear para um quotidiano sem cerimónias. E parece que os objetos ganham o seu lugar com espontaneidade, apesar de na sala, uma planta estar estrategicamente colocada sob a luz generosa da janela. E se olharmos por essa janela? mais telhados sob os céus de Paris.

NOTA: as fotos foram tiradas pela minha filha, com o telemóvel (o que explica a pouca qualidade das imagens), num fim de semana que passou chez Zeyna.

ALMA DE COLECIONADOR

6.2.17
Quem o conhece, sabe que ele é fora do comum, com gostos requintados, algo extravagantes por vezes, eu diria. E que a sua casa é o espelho disso mesmo: do seu inconformismo, da sua ousadia e da sua sensibilidade. Ele é um viajante e um colecionador por natureza. Aprecia cerâmicas, vidros, bibelôs, bules esmaltados, moveis rebuscados. E só na casa dele é possível misturar candeeiros de cristal com ninfas, porcelanas orientais com faisões empalhados, e tudo isto fazer sentido e não cansar. Pode não ser o meu, nem o seu gosto. E pode até ser o contrário do conceito de casa vivida do qual tanto se fala e apregoa hoje em dia. Mas em tempos de abertura e queda de preconceitos, encanto-me com a excentricidade do Missael, e ele consegue sempre surpreender-me a cada vez que transponho a sua porta, mesmo eu sabendo antecipadamente que do lado de lá espera-me o improvável.


O QUARTO DOS NETOS (DO MEU PAI) NA CASA DA PRAIA

15.8.16
Durante aproximadamente 1 ano, fui reformando peças e levando-as para lá, na esperança de que no fim, tudo se coordenasse e o quarto, que por 3 décadas foi quase um depósito, se transformasse num cómodo acolhedor. Aqui, mostrei como ele estava desprezado e os planos que tinha para reabilita-lo. E finalmente, um abajur, um espelho, um oratório, uma arca, uma mesa e duas mantas depois, o quarto dos netos do meu pai na casa de praia da família, foi oficialmente inaugurado. E aprovado.

Se quiser recordar o resto da casa, é por aqui o caminho.

UMA CASA DE BRAÇOS SEMPRE ABERTOS

31.7.16
São 20 anos de amizade que começou quando as nossas filhas mais velhas conheceram-se na pré primária e nunca mais se largaram. Mais tarde, as nossas segundas filhas nasceram com poucos meses de diferença e tornaram-se também melhores amigas. A coincidência já não existiu com os terceiros filhos, se bem que é com esta família que o mais novo pede para ficar quando viajamos e não queremos deixá-lo sozinho em casa. E todos os anos por altura das férias de verão, a Maria João e o Raul tentam reunir as deles, os nossos, e mais alguns amigos do tempo da escola para um almoço. Eu digo tentam, pois nem sempre é tarefa fácil garantir que jovens sempre tão cheios de compromissos consigam estar presentes em dado dia às tantas horas. É mesmo preciso arranjar uma data com relativa antecedência, consultar os intervenientes e obrigar todos a assentar na agenda. O encontro dá-se na casa de fim de semana do casal, em que chegamos cedo para almoçar mas entre conversas animadas e mergulhos na piscina, a refeição vira lanche que transforma-se em ceia e inevitavelmente saímos sempre já noite fechada. A Maria João capricha na mesa e no cardápio e duas coisas não podem faltar: um Gaspacho de entrada e uma Baba de Camelo à sobremesa. Esta casa cativa-me, é muito usada e festejada. Aprecio a forma como elementos rústicos misturam-se com peças de design e itens com certo requinte. Gosto das alusões a África, continente que lhes está no coração, dos livros e revistas que por força da profissão dos dois, enchem estantes e espalham-se pelas mesas e da arte que se vê nas paredes. Uma miscelânea, que se funde em espaços com paredes que delimitam, mas nunca chegam até ao tecto. É uma casa aberta e cheia de luz em todos os sentidos, transponível, um convite aos amigos e à natureza. Um brinde à amizade.

AT THE HOLYOAKS

13.5.16
Quando entrei na casa da Melissa e do Josh, foi paixão à primeira vista. Pela casa e pela família. Entro pela lateral, Melissa abraça-me com afeto, como pessoa visual que sou, meu olhar prende-se a uma mesa com cadeiras coloridas, mas rapidamente desvio a atenção porque 4 crianças pequenas e um cão correm alegremente na minha direção. São 6 da tarde de um domingo, e tinha sido convidada para jantar. Sim, jantar ao final da tarde, pois em Columbia a vida começa e acaba cedo. Poucas vezes senti-me tão à vontade em casa de pessoas que tinha acabado de conhecer. Apesar da temperatura baixa, estão todos descalços e de roupas leves. Josh, na cozinha, ultima os preparativos, enquanto outros convidados bebem um aperitivo. Descubro que Melissa sabe mais de mim do que aquilo que imagino, porque a minha filha encarregou-se de lhe mostrar o blog. Ela não lê português, mas segue-me. Diz que se inspira nas imagens. Fico lisonjeada mas muito encabulada também. E com a mesma espontaneidade com que me abraçou à entrada, pega-me pela mão e mostra-me a casa. Com orgulho aponta-me os moveis pintados por ela e os objetos que expressam os gostos e o percurso da família. Diz-me que sempre que pode vai aos "garage sales" da cidade e explica-me que no verão a vida é feita lá fora, no terraço de chão azul e guirlanda de luzes. Senta-se ao piano e toca La vie en rose. É uma casa onde cabem os sonhos. Do casal, dos filhos, e os nossos também.

CASA 2420

27.4.16
É uma casa geminada e igual a todas as outras que estão à volta. As janelas são pequenas, a orientação solar não é das melhores e por conta disso a luz não entra como se desejaria. Apenas uns tímidos raios de sol pela manhã no quarto, e mais uns quantos da parte da tarde, na cozinha. Mas fica numa rua tranquila e é simpática. Ou melhor, talvez as três pessoas que lá moram tenham conseguido lhe dar alguma graça, mais, muito mais, pela jovialidade e alegria de viver que têm do que propriamente com o sentido estético que possuem. 
A Kelli trouxe o que estava esquecido no sótão dos pais. A Lauren completou a sala com usados encontrados online. A Bea contribui com móveis baratos do Walmart, e alguns itens desviados da casa da mãe. Pelo meio, herdaram a mesa de jantar com cadeiras de uma colega que regressava ao país de origem. Peças que não combinam nem conversam, muito menos se harmonizam, mas formam um todo que, de alguma forma, acolhe-nos e abraça-nos.
Aqui fiquei duas semanas e durante esse tempo houve casa arrumada, flores frescas e mesa cuidada. Mudei alguns móveis de lugar, pendurei os quadros jazidos no chão. Com uma fita métrica de costura a fazer de régua, uma tesoura de cozinha, e sem tirar as gavetas do sítio, dei um up na cómoda enfadonha. A Bea já está habituada a esta mãe que gosta de inventar, mas como a cada dia havia uma novidade, justificava-se perante a surpresa das housemates com um "well, you know, that´s what she does for living". Elas, divertidas, respondiam que estava tudo "so cool", o que para os meus ouvidos, não só soava a elogio como era sinónimo de "go ahead"!

EM CASA DA TIA

23.10.15
Por vezes o melhor das férias nem é a quebra de rotina que se avizinha ou a expetativa da viagem a empreender, mas sim o fato de ficarmos hospedados na casa da família. Casa que é nossa velha conhecida, que tem hábitos característicos, que contém tantas recordações e onde somos recebidos com muito carinho. Assim é a casa onde vivem os meus tios há mais de 50 anos. Um oásis no meio da cidade, que começou pequena, foi ampliada com a chegada dos filhos, modificou-se quando estes casaram, e continua em mutação, não tivesse a minha tia, uma mente inquieta e um marido colaborante. Um lar sempre cheio também, de objetos com valor sentimental, de netos, de amigos, e da parte lusa da família, que de vez em quando atravessa o oceano e instala-se lá.
Na casa da tia há muitas lembranças de viagens e peças de afeto que falam dos donos e da família, mas há três coisas que gosto particularmente de rever e contemplar quando lá vou: a parede com a coleção de azulejos para a qual contribuo sempre que surge oportunidade; a mesa e cadeiras de ferro que ladeiam essa mesma parede e que antigamente era o mobiliário do alpendre da casa da minha avó; e o jardim de inverno com azulejos amarelos na sala de jantar, que desde pequena espantava-me pois quando chovia, molhava dentro de casa e pouco depois com o calor próprio do clima equatorial, secava, deixando um cheiro característico no ar. Para quem vinha da Europa, esta comunicação explícita entre exterior e interior era coisa quase insólita!
Apesar das constantes alterações, há elementos que se conservam, tais como as madeiras maciças das portas e janelas, a pouca luz que entra na casa no intuito de enganar o clima quente e húmido da região, a vegetação alta e densa do jardim que invade também os interiores, o cheiro a tapiocas acabadas de fazer, logo pela manhã. E claro, há algo que se perpetua e até se acentua com o passar dos anos, e que é o afeto dos tios.

MORENINHA, A CASA NA PRAIA

27.8.15
Adoro esta casa. Não é minha, é da família, portanto todos a usam. Mas sinto como se pertencesse só a mim. Talvez porque seja eu que a frequente mais. Talvez porque não me canse de apreciar a sua luz. Talvez porque ainda tenha tanto da minha mãe nela. Foi construída há quase 30 anos, com materiais e decoração típicos do Sul de Portugal. Soluções simples e práticas, como se quer numa casa de praia. Gosto do branco imaculado das paredes, do formato em U da casa, de não ter janelas para a rua e da luz entrar a rodo pelo pequeníssimo jardim de inverno e pelo pátio interior. Até gosto do fato de cada quarto ter uma cor. O "meu" é o amarelo. Além do azul, ainda existe um rosa que não mostro aqui por se encontrar em reforma, mas virá a seu tempo. É o maior, o que tem mais camas e consequentemente o preferido dos jovens da família, que sempre conseguem lá acolher mais um amigo. Cuido dela como posso, mimo-a, trago mais um artesanato, penduro alguma coisa aqui, mudo algo acolá, sempre com o sentimento ambíguo de que ela é minha, sem ser. Pergunto-me por vezes se estarei a impingir os meus gostos, mas como ninguém se manifesta, sigo. Um azulejo na fachada indica que a casa tem o nome de "Moreninha", a alcunha da minha bisavó, que a minha mãe quis homenagear.

A CASA EM WILLIAMS BAY

14.8.15
As fotos chegaram-me por WhatsApp e terão que perdoar a falta de foco, os ângulos nem sempre bem escolhidos e o contra luz, mas foram os meus filhos que as enviaram. Talvez saibam que tenho uma filha nos EUA. É uma Student Athlete, ou seja, alguém que participa de competições desportivas, patrocinada pela universidade em que estuda. Este ano, por força das circunstâncias, houve uma cisão familiar no que toca às férias. Os pais ficaram em casa, e os filhos rumaram à terra do Tio Sam para juntarem-se à irmã. O desporto fomenta as amizades, e depois de 2 anos a fazer parte de uma equipe e a partir em grupo em longas viagens para torneios através dos Estados Unidos, é natural que a Bea tenha estreitado laços e que os pais das colegas, sabendo-a tão longe de casa, a recebam como se ela fosse da família. Pois foi em família que os três sentiram-se durante a estadia na casa dos Starcks, e eu como mãe só tenho a agradecer o acolhimento. Eles encantaram-se com o local e com a descontração da casa. Praticaram stand up paddle e kayak nas águas do lake Geneva, fizeram barbecue e o tradicional marshmallow bonfire.
A casa, é daquelas que me arranca sorrisos, com vários elementos e soluções que fazem bem aos olhos, como as cadeiras turquesas da piscina e a cozinha que comunica com a sala de jantar. Situação esta que pelas fotos abaixo é difícil constatar, mas como eu tive direito a um home tour via skype, não pude deixar de notar! Também morri com o pequeno atrelado como mesa de centro na sala de estar e as malas de viagem que fazem vezes de mesinhas de cabeceira.
Numa família maioritariamente feminina (mãe, 4 filhas e 2 netas), é na cave que o pai tem o direito de expressar o sua paixão pelo Texas. E como expressa! a casa de banho é repleta de elementos alusivos aos cowboys! É ali também que ficam expostos as fotos da filha atleta, as camisolas usadas em jogos decisivos, os troféus. Uma casa vivida, por dentro e por fora.

O QUE QUERES SER QUANDO FORES GRANDE?

18.4.15
Se uma casa é o espelho de quem a habita, o que dizer de um quarto de adolescente?
Este é o quarto do meu filho David e a pergunta "o que queres ser quando fores grande" fica respondida mal se passa pela porta.
David é um apaixonado pela aviação, e todos os seus momentos livres (e não livres) giram em torno do assunto. O quarto dele, que começou por ser um quartinho azul para o único rapazinho da família, transformou-se por força das circunstâncias no seu mundo temático. É ali que David pesquisa sobre aviões, troca ideias e experiências com colegas do "Aviation Lovers", pilota o Flight Simulator. Boa parte das suas economias são gastas em modelos miniatura, em "Add-ons" para tornar o mais realista possível os seus voos virtuais ou em aparelhos que lhe permitem ouvir em tempo real as comunicações entre pilotos e torre de controle. Um dos seus hobbies é o aircraft spotting que consiste em ir para lugares estratégicos e com boa visibilidade sobre a pista dos aeroportos, fotografar os aviões. O Flight Radar 24 permite-lhe saber exatamente qual aeronave vai pousar ou descolar, a origem ou o destino e a que horas. As fotos são depois postadas em várias comunidades de entusiastas do tema.
Para quem tem medo de avião, viajar ao seu lado é uma tranquilidade: à mínima turbulência David tem uma explicação técnica e lógica para o fenómeno. Tão lógica que até nos convence.
Lembro-me dele ter  6 ou 7 anos, e a professora dizer-me que viu-se obrigada a tirá-lo do lugar perto da janela, pois de cada vez que passava um avião, ele desconetava-se da aula. E é assim até hoje, sempre de olhos postos no céu.
"O meu sonho é estar aos comandos de um avião, sobre o oceano, à noite, com os passageiros a dormirem e só se ouvir o ronco dos motores" confidencia-me ele muitas vezes. E eu acredito que ele chegue lá.

MISTURAR SEM PRECONCEITOS

22.9.14
A Lies é Italiana e o Mauro, Brasileiro. Conheceram-se em Portugal, onde moraram muitos anos até se mudarem para os EUA e daí partirem para a Indonésia. Em Lisboa conservaram sempre o apartamento. Já não os via há algum tempo e tinha-me esquecido de como a casa deles é diferente. Única mesmo, eu diria, pois ali não há modelos nem regras, as coisas e as pessoas simplesmente entram e arranjam um lugar. É a casa mais descontraída e aberta aos amigos, e aos amigos dos amigos, que conheço. Espelhando, e de que maneira, a ausência de rotina do casal, e a forma desembaraçada de como encaram a vida.
Na casa, tudo está à vista e ao alcance de todos. Livros, Cds e Dvds, quadros e posters, objetos e moveis trazidos daqui e dali, convivem sem inibições e não há a preocupação de manter tudo asséptico e arrumado. É esse caos (quase) controlado que me atrai e a meu ver, é também aí que reside o encanto da casa. Uma desordem que pode ser perturbadora para alguns, mas que no contexto e para quem conhece o casal, apenas transmite um estilo de vida sem preconceitos.

NOSSA CASA NOS ANOS 70

13.9.14
Hoje o registo é diferente. Algo que tinha em mente há algum tempo: mostrar-vos a memória mais para trás que eu tenho de decoração, de estética, de dedicação ao lar. Pouco mais de um minuto, início dos anos 70. Minha mãe com um certo orgulho, mostra o apartamento alugado onde mora em Lisboa. Meu pai filma, para a posteridade. Nestes tempos as comunicações são difíceis e as tecnologias dão os primeiros passos. Um filme super 8 com a luz potente de um flash, é tudo o que se pode almejar, para um dia mostrar à família, lá longe no Brasil, como se vive na Europa.
Aparece o quarto das filhas, o papel de parede atrás das camas, uma estante repleta de bonecas (não me lembro das minhas amigas terem tantas bonecas quanto nós), uma cortina romântica na janela. O quarto do casal, um tanto ou quanto austero, o terço na cabeceira, e a almofada em ponto de Arraiolos, trabalho da minha mãe, na senhorinha ao canto. Depois vem a cozinha, impecavelmente limpa e arrumada para o outro dia. Mania que herdei: não vou dormir sem a cozinha estar pronta para a manhã seguinte. No parapeito da janela, vasos pintados de encarnado, pois na falta de um jardim (que ficara na sua terra) era aí que minha mãe cultivava sua paixão pelas plantas. O dedo verde, esse, não se me transmitiu.
E pelo meio, a animar o cenário, 3 crianças: duas filhas e um sobrinho. 
É como recordo minha mãe, atenta e cuidadosa com a casa. Se havia pouco, fazia muito. Se nada houvesse, inventava. E foi sempre assim, até partir.



Em tempo: para quem pergunta, sou a miúda com franjinha  no cabelo!

A CASA (NOVA) EM BRUXELAS

6.9.14
E quando ficou tudo arrumado e eu finalmente sentei-me na sala para estrear a poltrona e descontrair, é que me dei conta de que as movimentações tinham começado em abril, e se estendido até aquela noite de agosto.
Tudo começou com um whatsApp da filha, estava eu nos EUA. Ela dizia que tinha encontrado a casa ideal (espaços generosos, luz natural abundante, a 4 estações de metro da faculdade) para dividir com 2 colegas. Ponto negativo: um dos quartos era muito pequeno, e uma das amigas só compartilharia o apartamento com elas se tivesse a certeza de que toda a sua mobília caberia no dito cômodo. Era hora do jantar em San Diego (madrugada em Bruxelas) e os guardanapos da mesa serviram para rabiscar e trocar ideias. Aparentemente boas, porque convenceram a jovem indecisa.
Este foi o Kick-off para uma ideia, a princípio um tanto ou quanto peregrina, que começou a se formar: a arrecadação cheia, móveis a pedirem uma segunda oportunidade, e se eu recuperasse alguns, e se eu arranjasse um transporte, e se eu cuidasse da mudança? Ainda na dúvida, só precisava de mais um empurrãozinho e este surgiu quando vagou um apartamento da empresa onde trabalho, e eu fui visitá-lo para iniciar as obras: na sala, o inquilino tinha deixado um conjunto de sofá e duas poltronas. Era a deixa que me faltava! a sala estava completa! e a partir daqui, quem acompanha o blog, assistiu às peripécias: dei cara nova a um candeeiro, discuti com a filha por causa da mesinha azul, deixei de pedir opinião e fiz por minha conta e risco a dupla de bancos. Mas também contei com a ajuda de profissionais para estofar os sofás e dar laca a um aparador. Com os colegas de escritório que arranjaram uma sala desocupada, e foram recebendo e estocando as peças à medida que iam ficando prontas. Com o sr Serafim dos transportes, que apareceu na página do Facebook "Portugueses na Bélgica" e prontificou-se de imediato a fazer o trabalho. Com o marido que embarcou nos meus delírios e já em Bruxelas e junto com o filho, montaram pacientemente todos os móveis do Ikea (sim, também houve recurso ao milagroso Ikea!!). E com os vossos blogs que leio diariamente e de onde pesquei ideias, sobretudo de arrumação e organização. Um trabalho em equipa, para chegar a bom porto! Ainda não está acabado, suponho eu. Há paredes vazias, faltam cortinas e alguma iluminação. Mas agora a bola está com as três residentes do andar, que com tempo, se encarregarão dos detalhes!


UMA CASA INSPIRADORA

4.4.14
Gosto de entrar na casa dos outros e perceber que ela traduz a individualidade dos seus moradores. Que tudo é simples, mas é inspirador. Que ao longo do tempo se foram montando espaços com personalidade e memórias. Que nunca nada está terminado. Pelo contrário, há evolução à medida que a família cresce, as situações se alteram ou os gostos mudam. Que afinal não é uma casa, mas um lar. Porque tem vida interior, cheira a flores frescas, tem o novo e o antigo, herda e aproveita, junta afetos e arte, e tudo sempre com alguma dose de improvisação.

Nesta casa, a colcha transforma-se em toalha de mesa para receber os amigos,

UMA CASA EM LONDRES

20.2.14
Vamos até terras de Sua Majestade, conhecer mais uma casa da vida real?
Da velha construção, dessas típicas dos bairros de Londres, com longos quarteirões de casas num mesmo estilo, apenas resta a fachada. Lá dentro, foi tudo renovado, transformado em espaços abertos e integrados, com recurso a ideias e truques bem interessantes.


































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