TÁBUAS

20.8.17
A ideia não é inédita, eu mesma já tinha feito uma versão caseira que podem recordar aqui, mas nesta minha viagem constatei que continua em alta, o uso de tábuas de cozinha como individuais. Quem me conhece sabe que eu não cozinho absolutamente nada, mas que adoro uma mesa posta. E geralmente quando há almoços ou jantares cá em casa, haja quem faça/traga/encomende a comida, pois eu fico só com a parte da decoração das mesas! Durante a semana, com as nossas rotinas corridas, é difícil arranjar-se tempo para uma mesa diferente. Mas eu, sou uma fã incondicional de loiças e afins, e gosto de registar ideias que vejo por aí, para poder adaptar e fazer algo mais elaborado aos fins de semana. Afinal, também se come com os olhos! Agrada-me descobrir nova disposição dos talheres, uma outra forma de colocar o guardanapo, se leva porta guardanapo ou só uma amarração, como foram os copos arrumados. E quanto mais sair das regras de etiqueta, mais eu acho graça! Estas mesas foram todas fotografadas no piso de loiças da Saks Fifth Avenue de Toronto, e bem sei que as lojas aproveitam para mostrar o máximo dos seus produtos quando montam as mesas, mas eu até acho interessante esta sobreposição over de elementos, apesar de reconhecer que "na vida real", é impossível e nada prático ter tantos itens em cima da mesa. Mais uma vez, as fotos foram feitas com o telemóvel, disfarçadamente, para não chamar a atenção, daí a fraca qualidade das imagens, mas, mesmo assim, vamos tirar inspirações e aproveitar o resto do verão e das férias para surpreender lá em casa!

PURO ACONCHEGO

9.8.17
Claire é, numa primeira aproximação, uma senhora tradicional e discreta. Mas quando se estreita a convivência, damo-nos conta da pessoa sociável, disponível para quem a procura e cativante que está à nossa frente. E assim é também a casa de 1880 que ela própria remodelou. Num olhar mais distraído, parece-nos clássica, sóbria e igual a tantas outras da região. Mas quando entramos, o que sobressai é um estilo rústico e tão feminino, envolto numa paleta pouco óbvia de tons terra, que filtra a luz e nos dá a sensação de um abraço. A cozinha, pela sua localização central, é literalmente o coração da casa e pela manhã, despertamos com o cheiro a café e pão acabados de fazer que perfuma os ambientes. Louças de família, livros de receitas, pratos pelas paredes, souvenirs deixados pelos viajantes que por lá passam, e detalhes originais da casa, como as saídas de ar quente nos pisos, rodapés altos e molduras trabalhadas das portas e janelas, convivem em harmonia. Na sala de jantar, a peça de eleição da Claire: o antigo pé da máquina de costura atua como móvel de apoio na hora das refeições. Pertencia ao seu pai, que trabalhava nos correios e servia-se da máquina para costurar e remendar os sacos e malas de couro que serviam para transportar a correspondência. Achei curiosa, a história. Assim como achei singular receber a chave de uma casa que não me pertencia, num gesto natural e sem constrangimentos. Única recomendação? deixar os sapatos à porta!

ST. JACOBS

2.8.17
Foram 3 semanas de umas excelentes férias, mas não, não vos vou contar sobre as cidades grandes que visitei, pois essas são muito bem divulgadas em qualquer site de viagens. São cidades enormes, cheias de entretenimento e sítios interessantes, entupidas de turistas e com filas para tudo. Exatamente como eu não gosto. Vou antes falar-vos de St. Jacobs, uma vila rural, situada no Canadá, a uma hora de carro de Toronto. Foi aí que fizemos o turismo que nos dá prazer, sem pressas, sem gente, a pedalar e a descobrir. Importa dizer que na região de St. Jacobs habita uma grande comunidade de Menonitas, que tal como os Amish, são desligados das novas tecnologias, têm hábitos muito conservadores e vivem daquilo que produzem. Também não gostam de ser fotografados (interpretam eles que "a pessoa não deve se sentir vaidosa ao se ver gravada numa imagem"), e é por isso que não vou poder partilhar aqui as crianças lindas que vi a brincarem no jardim de casa ou a ajudarem os pais na lida: os meninos vestidos de calças e suspensórios, camisa branca ou xadrez, chapéu de palha tal qual os pais, as meninas com vestidos compridos, avental e touca branca na cabeça, à semelhança das mães. Assim como guardarei na memória e não na máquina, famílias inteiras deslocando-se nos buggies puxados por cavalos, dirigindo-se ao mercado ou ao meeting point (termo que usam para designar a igreja deles). Cenas que pareciam saídas de um filme de época e que muito me enterneceram. Vão ver aqui algumas fotos entre as centenas que bati, mas as melhores, essas, pelas razões explicadas acima, não pude tirar. Ficaram só na minha retina.

Pedido feito à entrada da cidade: conduza como se os seus filhos vivessem aqui.
























PAUSA PARA RECONECTAR

22.6.17
Dentro de alguns dias, parto. Ou melhor, partimos. Uma oportuna super promoção da TAP fez-nos comprar por impulso passagens para Toronto e Boston. Claro que pesou, e muito, o fato da minha filha estar a fazer um estágio a poucos quilómetros de Boston. Não vejo a hora de descontrair, receber novos estímulos, colher inspirações, absorver referências e abraçar a minha filha depois de quase 6 meses. No entanto, os dias que antecedem uma partida são sempre de ansiedade, originada pelo misto da vontade de zarpar com a necessidade de deixar o trabalho organizado. Andava eu a riscar tarefas da minha check-list quando a minha irmã pede-me que lhe faça alguma coisa para ela oferecer a um jovem casal. Se o tempo já estava curto, encolheu um pouco mais, mas pedido de irmã mais velha é ordem. Sim, ela não sabe, e é melhor que continue na ignorância, mas ainda mantém essa ascendência sobre mim. Cansada e com a criatividade a pedir socorro, fiz uns individuais de um patchwork simples e que não me obrigasse a pensar (muito). Para inovar em qualquer coisa, e fazer bonito com a irmã, acrescentei umas gregas, comprei guardanapos na Zara Home, que enfeitei com um crochet de principiante, e para o kit seguir completo, não esqueci os porta guardanapos. E agora é tempo de pausar. Não para desconectar, que eu não me vejo isolada do mundo, mas para fazer um restart pessoal!

ELA É LINDA SEM MAKEUP

14.6.17
Nos anos 70, os meus pais tinham o costume de levar as filhas aos jardins do Inatel de Oeiras. Aos domingos, depois do almoço, eles tomavam um refresco e apanhavam sol, enquanto nós corríamos e brincávamos por ali. Eu era criança, muito criança mesmo, mas se havia alguma coisa que me chamava a atenção no Inatel, era as cadeiras e mesas de ferro da esplanada. Gostava do desenho em leque das costas, das almofadas vermelhas nos assentos e dos pés, que mais tarde vim a saber tratarem-se de hairpin legs (ou pés "grampo de cabelo"). E, acreditem ou não, já adulta, sempre que passava a pé pelo complexo do Inatel, parava, só para contemplar o mobiliário de exterior. Era uma fascinação! Há uns meses atrás, ao chegar a Oeiras, a casa de uma amiga onde nos reunimos 1 vez por mês para fazer patchwork, deparo-me com a cadeira do meu coração à porta do prédio! Venho a saber que pertencia à vizinha de baixo, que num processo de mudança de casa, descartava na calçada o que não lhe interessava levar. Nessa hora fiquei genuinamente feliz e só  pensei na pessoa de sorte que sou. Não vão ver uma grande transformação na cadeira, apenas tirei-lhe a tinta velha, tratei a ferrugem e espetei-lhe com um mega almofadão. Embora não aparente, foram horas à volta dela e apesar do aspeto usado, a cadeira está suave ao toque e linda, linda como sempre!

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