CRIATIVIDADE SEM FIM

9.8.22

Quando as pessoas olham para coisas que já existem e conseguem a partir dessa observação tecer infinitas possibilidades de transformação, isso é criatividade. Ter a capacidade de dar uma nova roupagem ou função a objetos do quotidiano, é uma qualidade que não me passa despercebida. E quando essas reutilizações e transformações se dão na rua ou em ambientes públicos, isso é sem dúvida fonte de inspiração e referências para qualquer mente fértil, tornando as cidades mais bonitas e os passeios mais prazerosos. Em Julho último estive na Noruega e não pude deixar de observar aqui e ali, utilizações originais que tiram qualquer item comum da "mesmice", não fossem os países Nórdicos ícones inspiradores do design e da arquitetura no mundo inteiro!


Em Oslo, galões de leite transformados em vasos, delimitavam a entrada de uma rua de pubs. Latas de tomate em conserva serviam de cachepots a plantas num café da estação da capital do país e mais abaixo, na estação da cidade de Dombas, um alguidar de madeira ostenta flores e vira canteiro:

CADEIRA PRIMAVERA

14.7.22

A história da agora denominada cadeira primavera aconteceu como tudo na minha vida: no imprevisto. A cadeira em si, típica dos anos 20 com um ligeiro estilo art deco no formato dos braços, encontrei-a há cerca de 30 anos num andar abandonado. Lembro-me que mandei restaura-la e arranjei um tecido neutro, pois nessa altura ainda tinha o pensamento que o a ausência de cor seria a escolha mais segura. Alguns anos e 3 filhos mais tarde, quando o "neutro" já estava cinzento do uso e pejado de nódoas, troquei o estofo para um tecido meio vintage com umas flores lilases, que não desgostava mas também não achava que tivesse agregado grande coisa. E a cadeira, foi ficando, primeiro no quarto, a seguir na sala, daquelas peças em espera para um makeover mas sem nunca chegar a sua vez. Em janeiro último acabei por pegar nela, para limpá-la do verniz escuro e tirar-lhe os riscos, mas óbvio que durante o processo não tive o cuidado de proteger o tecido (nem sei se queria de fato protegê-lo) e acabei por ser obrigada a tirá-lo. Seguiram-se meses da cadeira na sala de casa, somente em "roupa de baixo" (dracalon usado pelos estofadores) à espera que eu tivesse alguma ideia boa para ela. Até que a inspiração chegou: no ano passado ofereci-me de anos (e estendi à família) uma estadia nas Penhas Douradas, Manteigas, Serra da Estrela, pois tinha o desejo de conhecer a reabilitada Burel Factory, cuja história é fascinante e a própria visita à fábrica com a maquinaria antiga e a mostra infindável de produtos que desenvolvem é um passeio inesquecível. Ficaram-me sempre na cabeça os painéis em 3D e as suas inúmeras possibilidades, e a vontade de encher a cadeira de flores não me saia da cabeça. Os painéis não são vendidos a metro pelo que plantar um jardim na cadeira deu-me um certo trabalho: passear com ela até ao estofador para que este fizesse os moldes daquilo que iria precisar para forra-la (e trazê-la de volta para casa porque a oficina do estofador é pequena e ele não podia ter lá a peça sine die), levar os moldes à loja da Burel no Chiado para obter um orçamento, seguindo-se a tarefa complicada de decidir as cores em meio a tantas e tão bonitas, e finalmente, voltar ao estofador com os painéis e implorar-lhe que fizesse o trabalho antes de ir de férias!! Enfim, estou agora a colher os frutos, ou melhor, as flores da minha escolha e completamente in love com a cadeira primavera!

MESINHA DE CABECEIRA VIRA EXPOSITOR COM LUZ

15.6.22

Ainda na saga da reforma da sede da empresa da família, o downsize obrigou a que passássemos de uma larga receção com sofás para um pequeno recanto de espera na entrada do escritório. Não encarei este aparente downgrade como um desprestígio mas antes como um sinal dos novos tempos em que as visitas já são poucas e grande parte das reuniões são feitas online. Também achei que seria uma oportunidade única de tirar o melhor partido possível da parede curva que já existia no local, e mandei fazer um banco à medida que conseguiu dar mais destaque ainda ao dito tabique. E como as velharias são muitas e os moveis na arrecadação continuam a acumular-se, pensei que dar um novo look a uma mesinha de cabeceira clássica poderia não ser de todo descabido: a dita cuja cumpria as medidas que precisava para compor o espaço exíguo e com alguma imaginação poderia servir de expositor a mais uns quantos elementos que continuam à procura do seu lugar. Afinal, como contei aqui, tive a quem sair, o meu pai é um vintage lover, que além de não jogar nada fora, ainda traz para casa (neste caso para o escritório) mais algumas peças. A reforma da mesinha foi rápida e fiz algo que não aconselho que repitam lá em casa: usei a tinta da parede para garantir que o tom fosse o mesmo e que o móvel ficasse completamente integrado. O resultado aparente foi sensacional, mas ao vivo e a cores deixa a desejar devido à textura um tanto ou quanto áspera que adquiriu. Adiante, cumpriu o propósito que eu imaginava e para que a coisa ficasse mais "com cara" de expositor, adicionei-lhe umas luzes leds. No fim, ainda ornou com o relógio modernista que acompanha este escritório há décadas e que a um certo ponto da reforma ficou meio desasado, sem um local para chamar de seu. Prova que com o tempo, tudo se ajeita e os objetos que realmente nos dizem alguma coisa sempre acabam por encontrar o lugar ideal.

O BENGALEIRO

19.5.22

As recentes obras de downsize e remodelação que se fizeram na sede da empresa da família, foram a desculpa perfeita que encontrei para tornar o espaço com mais cara de casa e ao mesmo tempo usar algumas velharias na decoração. É que eu não sou a única fã do vintage, o meu pai também partilha do meu gosto e até exagera na aquisição de peças, entupindo o espaço com itens amontoados, numa desorganização em que nada consegue se destacar ou brilhar. No amontoado encontrava-se um bengaleiro, peça que caiu em desuso mas que quando tratada com carinho, resgata as linhas de outros tempos e segue abrilhantando o ambiente. A minha missão nas obras de remodelação, foi encontrar o espaço certo para cada objeto e definir-lhes uma função, nem que fosse só decorativa. Foi assim que tendo como ponto de partida um papel de parede revigorante e que nada tem a ver com um espaço de trabalho, o trenó juntou-se ao par de skis e tornou-se expositor de livros, a máquina de costura destacou-se no corredor, as malas de viagem migraram e se empilharam na sala de reuniões e o dito bengaleiro, depois que se despiu do verniz escuro e ganhou novos e modernos cabides, foi receber e saudar os visitantes na entrada. Fico a dever a mesinha de cabeceira que tenho no momento entre mãos e que fará vezes de apoio ao sofá do pequeno espaço de espera. Nas fotos a seguir, além das demais peças já nos seus devidos lugares, verão o bengaleiro tal como se encontra junto à entrada do escritório e também uma pequena produção de como se poderia levar esta peça para casa e torná-la destaque num quarto. Criatividade e irreverência é o que pedem os objetos antigos!

PICNIC RUG

4.5.22

Não é a primeira manta para piquenique que faço. As outras duas, que podem rever aqui e aqui, foram tão bem recebidas e passados estes anos, sei que ainda continuam a uso, que decidi costurar mais uma e leva-la para um bebé em Londres, onde fiz as fotos. Na minha opinião é uma prenda original, que não só acompanha o crescimento da criança como ainda é extensiva ao resto da família que acaba também por disfrutar da manta. Desta vez, inovei no bloco mas insisti no tecido resinado no verso, que permite mais higiene e robustez ao conjunto. Aos olhares mais atentos, talvez não passem despercebidas duas palavras bordadas num dos quadradinhos: amor e hayati (minha vida). Palavras de ternura em português e árabe, a forma que arranjei de homenagear as duas origens da criança. Apesar de eu saber que peças em patchwork são sempre únicas, gosto de torná-las ainda mais exclusivas, personalizando-as. Mantas em patchwork são especiais e só pessoas especiais as podem receber!

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