DESFAZER E TORNAR A FAZER #3

14.2.17
Como mulher precavida e organizada que era, minha mãe tinha seu traje para a virada do século, já confeccionado pela modista e cuidadosamente pendurado no closet. Mas o destino trocou-lhe os planos, e a pouco mais de 1 mês para a grande data, ela partiu. Era um conjunto de seda, branco, como manda a tradição, saia travada e camisa com mangas curtas e flores aplicadas, bem ao estilo da minha mãe, que gostava de tecidos finos, bordados e algum brilho. Na altura em que perdi minha mãe, acabei por guardar boa parte das roupas de festa dela. Não sei bem porquê. Nem sequer as iria usar: sou mais alta, mais forte, raramente uso vestidos ou saias e também nunca tive imaginação para transformar roupas. Hoje sei, que numa primeira fase, agarramo-nos ao que era da pessoa para tentarmos permanecer perto dela (ou ela perto de nós) e só mais tarde nos apercebemos que as memórias estão na nossa cabeça e não tanto nas "coisas". Seja como for, estes últimos dias, tive entre as mãos tecidos que não estou habituada a manusear, que escorregam, desfiam mal se toca neles e estão fragilizados pelos anos. Desmanchei a camisa da festa que ela não chegou a ir e uma saia que fazia parte de outro conjunto que minha mãe usou no dia em que eu casei. Sofri com os tecidos que teimavam em se desfazer e em fugir dos meus dedos e pela primeira vez na vida, forrei, alinhavei e chuleei, mas consegui fazer aquilo que tinha imaginado: duas pequenas almofadas delicadas e com um certo requinte. Elegantes. Exatamente como minha mãe.


























A parte de cima do conjunto branco:

 A saia do meu casamento:
Parte do processo: depois de desmanchar a roupa, colei entretela nas partes bordadas e recortei cuidadosamente as flores (deixando uma margem) para posteriormente aplicar no tecido das almofadas:

30 comentários:

  1. Olá Val,
    adorei a ideia e como ficaram. Eu também espalhei vários objectos do meu pai pela casa e só no domingo passado a minha mae percebeu que um dos quadros que tenho no meu quarto é um diploma do tempo da tropa dele. Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Val,
    Ficaram lindas as almofadas e você fez uma bela homenagem a sua mãe.
    Uma forma carinhosa de preservar algo que pertenceu a ela,mas avançando no tempo,atualizando.Eu tenho um relógio de pulso era da minha vó.Quando ela faleceu eu estava aqui,minha mãe trouxe depois prá que ficasse como recordação e usasse.Tá sem pilhas,a pulseira dele é enorme prá mim,mas me falta coragem prá consertá-lo e usá-lo.
    Sinto que ainda é dela, que está só emprestado.Não sei se me entende...rsrs...Talvez pela falta da despedida,de não ir ao velório, meio paranóia,não sei.Quem sabe um dia :)
    Besitos e tenha uma semana abençoada

    ResponderEliminar
  3. Minha querida essas almofadas para além de bonitas e finas, carregam com elas saudades, admiração e muito amor. O que as torna ainda mais especiais.
    Imagino que lidar com todos esses sentimentos ao fazê- las não tenha sido fácil, mas acredito que te tenha feito bem. Recordar também é viver.
    Beijinho enorme querida ♥

    ResponderEliminar
  4. Oi Val
    Como se desfazer de peças que tiveram tanto significado para sua mãe, eu acho impossível. Com seu talento, habilidade, criatividade você construiu algo muito lindo e importante que vai durar até.... Deus sabe quando.
    Suas almofadas ficaram muito bonitas, chiques, dignas de você, minha querida.
    Grande beijo.
    Grande beijo.

    ResponderEliminar
  5. Elegantes e muito bonitas! E especiais.
    Bjo Val

    ResponderEliminar
  6. Oi Val, que lindo trabalho fizeste. Ainda assim terás uma grande recordação da sua mãe. Penso enquanto fazia a almofada, pensamentos lhe fazia lembrar de momentos vividos ao lado dela. Aqui tudo ainda é recente e a casa da frente onde meus pais moravam faz eu me emocionar muitas vezes.
    Ficaram lindas !
    Tudo de bom querida,bjsss

    ResponderEliminar
  7. Oi Val!
    Quanta sensibilidade em um post só, amei o texto e essa parte me tocou profundamente:

    "agarramo-nos ao que era da pessoa para tentarmos permanecer perto dela (ou ela perto de nós) e só mais tarde nos apercebemos que as memórias estão na nossa cabeça e não tanto nas "coisas".

    Também penso por aí, mas é difícil desapegar né? E o seu desapego foi lindo, bem elaborado, e cheio de memórias. Foi necessário se desfazer de uma forma já concebida, para trazer a energia da sua mãe para o seu cotidiano. Arrasou, querida!

    Beijo grande! Thamyrez

    ResponderEliminar
  8. Uau Val, que bem que ficaram! Excelente forma de recordar ;)
    Tem uma semana em grande! bjs*

    ResponderEliminar
  9. Oh Val! As almofadas ficaram muito bonitas e elegantes. E achei este trabalho ainda mais bonito pela história que tem por trás. Muitos parabéns!

    ResponderEliminar
  10. Bom dia, Val
    aqui: 7:57 manhã de quarta-feira com céu azul e solão.
    Primeiro: Admirável sua vontade e capricho no trabalho, segundo: As almofadas ficaram muito lindas, terceiro: Elas com certeza evocarão lembranças maravilhosas. Parabéns e grande abraço.
    Mari

    ResponderEliminar
  11. Que linda maneira de aproveitar roupas que te trazem tantas e tão boas recordações. <3

    ResponderEliminar
  12. Querida Val, um trabalho meticuloso, requintado e... nostálgico:) Mas sem sombra de dúvida, muito elegante!Como a tua Mãe!
    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  13. Que trabalho fantástico Val :)
    Um trabalho que apesar de "chato", valeu bem a pena, porque mais uma vez saiu duas almofadas lindas, lindas :)
    Adorei, adorei :)

    ResponderEliminar
  14. Olá Val,um trabalho q exigiu competências e paciente que resultou em 2 elegantes almofadas, assim como eras tua mãe um requinte. Beijinhos

    ResponderEliminar
  15. Maravilhosa tua ideia Val!!!!
    Assim vc fica mais pertinho destas lembranças!
    O bom gosto e o capricho são parte da sua herança!!

    bjus no coração
    ana

    ResponderEliminar
  16. Parabéns Val, pela maravilha das almofadas, além de bonitas têm um grande valor sentimental.
    Imagino o trabalho que deram a fazer, com essas técnicas todas, mas o resultado final não podia ser mais satisfatório.
    Olhar para elas, é recordar o requinte e alegria da tua mãe.
    Beijinho grande.

    ResponderEliminar
  17. Ficaram lindas! Eu, que pouco ou nada percebo de costura, fico fascinada com estes trabalhos. Adorava ter esta arte, este talento.
    Gostei principalmente da história por detrás destas almofadas, da persistência e da vontade, apesar do trabalho que deu. Trabalhar estes tecidos tão cheios de memórias, que fazem parte da história de vida da família e transformá-los nestes produtos tão bonitos, são uma adorável homenagem a alguém de quem se gosta e que já não está entre nós. Parabéns, pelo trabalho, pelo resultado, pela ideia. Brilhante!
    Beijinhos :*

    ResponderEliminar
  18. Transportaste as memórias para almofadas e de certeza vão ser vistas mais vezes do que as roupas guardadas, embora saibamos e dizes bem é o que lembramos não o que temos que conta. Bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  19. Olá Val,

    Que lindas almofadas, e que trabalho maravilhoso de costureira de tecido e de memórias! Você conseguiu tirar o lindo e nostálgico bordado da gaveta ou armário, onde provavelmente só era visto por você nas horas de arrumação, para o dia a dia da família com muito charme e requinte, uma linda e emocionante reciclagem.
    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  20. Val,

    As almofadas ficaram charmosas! Mas, eu colocaria essas aplicações em outra peça do vestuário, pois são lindas!
    De qualquer modo a memória foi preservada, não é?

    Bjks

    ResponderEliminar
  21. Bom dia Val
    Gostei de conhecer mais um pouco sobre a tua mãe.
    Tinha bom gosto sim senhor,achei muito bonito e bem pensado o uso que deste ao vestido que ela nunca usou.
    A seda selvagem é difícil de trabalhar, mas como gostas de desafios este foi sem duvida mais um superado.
    Fiquei curiosa onde as vais colocar ?
    Tem uma boa semana
    Grande bj
    Lulu

    ResponderEliminar
  22. Que bonita homenagem. Obrigada por partilhar connosco.

    ResponderEliminar
  23. Acho que o que escreveu é o que mais se aproxima do que sentimos - realmente não temos coragem de nos desfazer das coisas, pois achamos que assim esta pessoa estará perto de nós. Mas com o tempo, percebemos que as levamos no coração e nos pensamentos.
    Ela ficaria orgulhosa de ver tão belo trabalho! Parabéns pela customização. Ficou linda e mais linda ainda é a maneira como vc resolver eternizar essa memória.

    Abraços e feliz semana.

    ResponderEliminar
  24. Oi Val... muito legal quando a gente olha um outro olhar para um objeto e vê essas possibilidades de transformá-los em outra coisa... ficaram lindas!!
    Bjs,

    ResponderEliminar
  25. Olá, Val!

    Seu texto, de tão bem escrito, qto terno e profundo me emocionou.
    Refleti sobre o k fiz às roupas de minha mãe, que morreu nova ainda, vítima de câncer e portanto me revi no teu texto.

    As almofadas ficaram lindas e nelas está mto de sua mãe.

    Beijos, querida e boa semana.

    ResponderEliminar
  26. Val, que trabalho magnífico fizeste, paciência e perfeição, tens mãos de fada, assim tiraste essas peças do armário e tens esses lindos bordados que a tua mãe gostava sempre a vista, ela iria gostar com toda a certeza, que bonita homenagem, beijinhos

    ResponderEliminar
  27. Que trabajo más bonito , me encantan como quedaron esas almohadas como se ven con esos finos bordados ,, quedaron finos y delicados

    ResponderEliminar
  28. Adoro mae!!!! So talented :) beijinhos e muitas saudades da bibis

    ResponderEliminar

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Web Analytics