DO QUE AS PESSOAS DEIXAM PARA TRÁS

21.11.14
É uma situação que já presenciei algumas vezes na minha vida profissional, e que sempre me entristece. Na semana passada voltou a acontecer: um apartamento antigo, habitado por mais de 50 anos pela mesma família, é devolvido ao senhorio (a empresa onde trabalho) com todo o recheio. A família, por esta ou aquela razão coloca a senhora idosa num lar e entrega o apartamento sem nem mesmo tirar de lá os objetos pessoais.
Cabe ao senhorio, depois de alguns trâmites legais, esvaziar a casa para colocá-la novamente, se assim o desejar, no mercado de arrendamento ou venda.
Quando abrimos a porta de casa, deparamo-nos com cenas corriqueiras da vida doméstica, e parece que até ontem, esteve lá gente. Ou então, que alguém foi ali e já volta. Os armários e as arcas estão cheias de roupa, as escovas de dentes esperam no copo na casa de banho, a loiça utilizada repousa no escorredor, e as peças lavadas ainda estão no estendal.
E pergunto-me: será que não existe uma jarra, um quadro, uma foto, um móvel por mais banal que seja, que possa ter algum valor sentimental para um filho ou neto? ninguém na família gostaria de ficar com uma recordação da mãe ou da avó? Não há ali uma cadeira que conte uma história? um objeto que provoque um sorriso? a mesa de jantar não trará a evocação de um Natal? Ou será que a vida é tão, mas tão corrida, que não há tempo para nada, nem mesmo para guardar uma lembrança?
Quando tirei as fotos abaixo, 3 homens de uma empresa de mudanças embalavam os móveis para serem armazenados; algumas loiças, roupas pessoais e de cama e mesa estavam a ser encaixotadas para irem para doação; os livros separados para entregar a alfarrabistas.
Uma ou outra peça, vem comigo para casa. Praticamente todas as jarras que tenho vieram parar às minhas mãos nestas circunstâncias, assim como bules, pratos, chávenas, aos quais dou sempre uso. E quando os tiro do armário, recordo-me de onde vieram e a quem pertenciam. 






































46 comentários:

  1. Oh Val que triste... imaginar que esses objectos e essa casa já tiveram alguém com uma vida a dar uso e significado a tudo o que aí está... não consigo perceber uma casa a ser deixada com tudo do dia a dia, a não ser que não houvesse ninguém, sem filhos, sem irmãos, sem primos, sem amigos... mas infelizmente é uma realidade que existe.
    Para a próxima chama-me para ir contigo, pode ser? Adoro coisas assim... nem imagino o que vai sair das tuas mãos... o banquinho? Ou é mais uma cadeira? Acho que ainda te falta completar a meia dúzia :) :)
    Um grande beijinho
    Teresa

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  2. Tudo isto é tão triste....ver a louça a escorrer na cozinha, a escova de dentes,coisas que decerto eram apreciadas por alguém e significavam algo e de um momento para outro abandonadas...ia escrever sem ninguém lhes dar valor mas isso não é verdade, vão para pessoas que precisam, que irão dar valor. Vão também para ti outras peças que darás valor...mas não deixa de ser triste esta sensação de perda para alguém que deixou de poder cuidar das suas coisas. E é como dizes como não existe ninguém da família que queira guardar alguma coisa?...beijinhos

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  3. Meus Deus!!!!
    É impressionante os verdadeiros tesouros que são deixados para trás. A mim, faz-me uma grande confusão, eu tenho em casa, imenso "tarecos" vindos da casa dos meus avós, que mesmo que arrumados e sem lhes dar utilidade, sou incapaz de me desfazer.
    Essa casa está recheada de móveis maravilhosos. Eu se estivesse no teu lugar teria na minha profissão um problema, queria ficar com imensas coisas.
    Adoro a cadeira de braços, a pequena arca, o móvel de canto, o espelho, o móvel preto...enfim.
    Bjs e bom fds,
    MJ

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  4. Val, este post, estas imagens conseguiram pôr-me super nostálgica...
    Esta parece a casa típica da avó... Com aqueles canecos velhinhos onde se ferve o leite, a colher da sopa torta, os pratos e chávenas esbeiçados... A pia da cozinha de mármore (ou granito, não sei distinguir)... Fogo, que nó que me dá!
    Parece que a casa parou no tempo... Ficou vazia à espera que a dona volte e a dona já não mais volta :-(
    Este post fez-me pensar no fim das nossas vidas e como eu desejo um dia não ter um fim triste... Peço desculpa por estes dasabafos Val e até evito pensar nisso, gosto de viver o presente e aproveitar tudo ao máximo mas estas fotos em mim fizeram o meu pensamento voar para o fim das nossas vidas...
    E o quão pena é a família não ficar com nenhuma recordação... Uma das minhas avós já é velhinha, mas eu já lhe fui dizendo em tom de brincadeira, mas que quando ela morrer eu quero uma coisa que ela tem (ela já o sabe), e não é pelo bem material, é mesmo pela lembrança em si... Quero poder recordá-la naquele objecto sempre que o usar para toda a minha vida :-)
    As pessoas desaparecem (infelizmente, é a lei da vida) mas as lembranças são o que ficam e isso é tão bom de ser preservado :-)
    Pronto, acho que já me estiquei um bocado no comentário, por isso despeço-me com um grande beijinho*** Adorei demais este post!!!

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  5. Oi Val, quanta preciosidade, quanta história, quanto sacrifício, qual uma colcha de retalhos emendada durante a vida. Tenho alma portuguesa, que gosta de guardar histórias, lembrar através da peça a qual lembrança pertencia. Já havia começado a distribuir os "tesouros" aos meus filhos.
    Mas, qual ave de rapina, roubaram-me os sonhos, os tesouros e sempre argumentam que sou acumuladora. Como essa sra., com tantos tesouros e morrer sozinha. Os filhos só querem o que lhes interessa. Abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  6. Fiquei comovida com este post. É tão triste. :( Não tenho palavras para isto.
    Aqueles móveis vintage são tão lindos. Recuperados ficariam peças lindas! <3

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  7. Boa tarde, Val
    aqui:15:43 tarde de sexta-feira com sol e céu azul.
    Talvez, com a mesma pressa e irreverência, deixam a idosa no asilo, sem mesmo sair do carro.
    Triste realidade.
    Parabéns pelo ato de guardar algo dessas pessoas, evocando um momento e imagem.
    bjs e um excelente final de semana.
    Mari

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  8. é uma pena, Val, a vida testemunhada através destes objetos deixados para trás, sem ninguém querer agarrara nestas memórias!

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  9. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  10. Nossa Val... sem palavras!! Um apartamento cheio de vida e cores deixado de lado... é muito triste mesmo.
    Beijos,

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  11. Val nem imaginas como este teu post mexeu comigo. Como é possível acontecerem coisas assim.... Eu sou mesmo muito emotiva e custa-me a acredita que existem pessoas que simplesmente são indiferentes como nesta situação que aqui nos contas. Tantas coisas, tantos objectos, histórias, memórias, tudo deixado assim... que triste!
    Beijinho grande

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  12. Custa-me tanto, mas tanto saber disso... sao situaçoes que me custam só de imaginar. Com certeza foram pessoas que tiveram filhos que cuidaram deles, netos e agora nada... ??? Nada, mesmo?!
    Que confusao....
    Enfim eu adoro casas com alma portuguesa, esse chao, a cozinha, adoro!
    E estava meeesmo a precisar de uns candeeiros de parede como esses, bolas... uns com tanto e outros com tao pouco ;)

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  13. Nossa Val me emocionei com esse post. Como alguém pode virar as costas pra tudo isso? Quanta história deve ter essa casa, se sou eu, levo tudo pra minha casa e nem penso duas vezes.
    beijos
    http://casinhadanane.blogspot.com.br/

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  14. Olá amiga :)
    Deve ser muito emotivo encontrar uma casa assim ,eu não ficaria indiferente,faz me pensar .........
    Por aqui normalmente um quer isto o outro quer aquilo e vamos assim ficando com bocadinhos daqueles que já não estão entre nós .
    Tudo não poderíamos trazer ,mas alguma coisa havia cá de ficar .
    Essa casa tem muitos tesouros e muita peças para poderes criar Val .
    Aqui andamos a tentar recuperar uma secretária que pertencia á Bisavó do meu marido
    São peças impagáveis ,contam historias e até trazem muito orgulho .
    A vida é isto mesmo temos de saber aceitar as decisões e as formas de viver de cada um .
    Mas que é triste ....é ....
    Bom fim de semana
    bj grande
    Lulu

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  15. Confesso que fiquei bastante emocionada ao ler estas linhas. Tão triste constatar que tudo fica para trás...que não somos mesmo nada. Guardo com grande esmero e amor pertences dos meus avós e nem consigo imaginar tais cenários. Essa casa em particular parece bem bonita e fiquei apaixonada pela luz e pela cozinha. Beijinhos

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  16. Val querida, que coisa triste, me deu uma pena desta senhorinha, ninguém se interessou por tantas peças, objetos lindos, certamente cheios de histórias e recordação, puxa vida, o ser humano muitas vezes é muito cruel.
    Encantou-me vários objetos da casa.
    Beijo, querida.

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  17. OI VAL QUERIDA
    Que triste vê este tipo de coisa. Quanta vida foi deixada para trás. Foi tirado um pedaço da vida dela ali. Amiga feliz domingo para vc. Com carinho.
    Ana

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  18. Caramba, Val, também fico de cara! Nunca me deparei com casos como os seus, onde a casa toda ficou esquecida, mas me deparo vez ou outra com pessoas se desfazendo de itens de parentes próximos sem o menor remorso. Inclusive, recentemente, recebi uma remessa aqui em casa: uma cama, 2 criados, penteadeira. Veio tudo da avó da minha cunhada, pois iriam esvaziar a casa e estavam sem saber para onde enviar. Rapidamente ofereci minha casa para alojar tudo, independente do que viesse. Acho que por receio de abarrotar aqui, algumas coisas foram levadas sem lá pra onde, infelizmente. Fiquei com o coração apertado, pois jamais iria me desfazer dos itens de minha avó, inclusive me ofereci a dar um trato nas peças para que pudessem ser absorvidas na casa de alguém mais próximo que eu. Mas, não obtive nenhum sinal de interesse. Muitas vezes, fico sem saber se é algum tipo de pouco caso, se as pessoas não enxergam algum sentimento ali, ou se é porque não conseguem conviver com aquilo, julgam velho e sem graça. De qualquer modo, em minha casa sempre há vaga, agora tenho "novas peças velhas" morando aqui: a penteadeira virou um aparador num canto da sala e os criados se tornaram mesas laterais na minha garagem, juntamente com a cama que transformei num banco cheio de almofadas, onde sempre tem alguém curtindo uma preguiça gostosa no final de semana. Beijos!

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  19. Olá Val,
    Este teu post também me tocou bastante, as fotos têm todas elas voz própria. Não compreendo a situação porque não seria capaz de o fazer. Haveria sempre uma ou outra (ou muitas) peças que me trariam lembranças e que quereria guardar. Por outro lado, vi nas imagens tantas peças cheias de potencial! Até dói...

    Bjs

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  20. Olá boa tarde, Val até deu-me uma tristeza em ler este post.
    Realmente será que a vida é mesmo assim tão corrida??
    Será que ninguém se interessa pelas historias e pelo passado das famílias???
    São perguntas que nunca teremos respostas.
    Bom final de semana ♥
    Bjinhos ♥
    http://sarranheira.blogspot.pt/

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  21. Val, este teu 'post' de hoje tem, contrariamente ao que é costume por aqui, uns tons escuros. Põe-nos a pensar sombriamente sobre o que será das nossas próprias coisas um dia que partamos... Não que isso me interesse minimamente, mas a verdade é que o valor que alguns objectos têm para nós não corresponde, como se vê nestes casos que mostras, ao que outros lhes atribuem. E choca-me, sim, que os parentes mais chegados não queiram guardar nada e de tudo se desfaçam, de uma forma tão fria e tão desligada...
    Eu sinto-me muito (demasiado) presa a coisas que foram dos meus pais, pelo que não me identifico com esta atitude.
    Estou como tu, portanto...
    Um grande beijinho

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  22. hola Val querida !! que pena !! un departamento tan lleno de vida con tambo lindo muebles vintage dejados de lado....espero que tenga un bendecido comienzo de semana
    ceriños

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  23. Inacreditável! Acho que se tivesse o teu trabalho teria um problema grave, é que eu queria trazer tudo comigo, para guardar e preservar. Não percebo como uma família não guarda algumas destas peças (os serviços lindos, a cadeira, os móveis anos 60) para memória futura. Enfim, vejo muitas lojas a irem comprar esses recheios e depois vendê-los a preços exorbitantes aos amantes do vintage. Tenho pena da senhora, que deixou toda a sua vida para trás em caixotes carregados por mãos desconhecidas:(

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  24. Nossa Val!
    É triste saber que muitos não se importam com peças que podem ter passado de geração para geração e se interrompe com tanta facilidade a história de uma vida.
    Eu com certeza não deixaria passar tantas coisas belas.
    Um super beijo

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  25. Oi Val
    Como eu queria ter a sorte que vc teve de poder levar algumas coisas ,
    mas que tristeza não é , até parece que as pessoas vão voltar , esta nova geração
    só daria importancia se tivesse uma tv tela grande led aparelhos de som , tablet deixados
    para tráz.
    beijinhos.

    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  26. Que tristeza Val... como é possível realmente :(
    Mas existes tu :) que levas alguns objetos nestas situações e recordas-te dessas pessoas e isso já é um gesto muito bonito ;)

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  27. Val,

    Vemos essas situações e nos doem. Eu fico indignada, parece que a pessoa era um objeto tão sem importància quanto os outros que foram deixados para trás. Só que o "objeto maior" tiraram ele do meio caminho, assim como movem uma cadeira que atrapalha uma passagem e pronto. Uma pena. Lindas louças e imagino quantas vezes foram usadas no dia a dia e em grandes ocasiões.Quantas lembranças e histórias pra contar tem cada coisa.
    Faz bem em aproveitar, eu também aproveitaria sem pensar duas vezes. E levaria também os móveis.Lindos, o louceiro, o baú, a cadeira, levava tudo...rsrs...Na próxima me chama que vou com uma carrinha :)
    Aqui na Espanha é comum isso também, ainda mais em caso de falecimento.Os filhos querem o imóvel limpo prá vender logo e jogam tudo no lixo sem dó nem piedade.
    As ONG´s já oferecem prá retirar tudo nesses casos. Eu acho certo a família doar o que não interessa, mas depois de ter analizado todo o conteúdo. Deixar prá trás tudo assim, é uma vergonha. Quanto a cola da decoupagem, aqui se chama ALKYL ( tem cheiro de cola, mas é bem grossa). Mas dá prá usar até cola escolar, dessas brancas comuns.
    Passe em menor quantidade pois tem mais água e aguarde secar bem antes de dar outra demão por cima da figura.Besitos

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  28. Oi Val! SIM, é muito triste e confesso que já presenciei essa situção aqui na Alemanha.
    É uma pena mesmo! Eu tentei pegar o maior nr possível da bisavó do meu marido aqui, e ele até reclamou. Mas disse que são objetos que irão contar as nossas filhas uma parte da história da família e a família dele é muito pequena. Ele olhou pra mim e disse que eu tinha razão!
    uma linda semana! Beijos carinhosos

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  29. A mim também me faz uma confusão enorme Val! Suponho que talvez lhes custe mexer nas coisas, lhes traga recordações, ... não sei!
    O serviço de chá de loiça chinesa é um mimo, o armário louceiro de vidro verde também, a caneca com o cavalo, o banco com losangos encarnados e brancos, ... enfim, eu acho que provavelmente ia encher uma carrinha.
    Bj e boa semana!

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  30. Para alguém como eu ( como tu sabes) que valoriza tanto os objectos que fizeram parte da história da nossa família e da nossa própria história, faz-me muita confusão este desapego ou este desprezo ... das duas uma ou a senhora era uma besta e a última coisa que a família quer são recordações ou então são estes últimos umas bestas ... não sei ... em qualquer um dos casos é triste ...

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  31. Val,
    O que você não pega pra você, vai pra onde?
    Olha, manda pra cá!
    Gente, que dó. Quanta coisa linda. Eu reformava, dava um jeito.
    A gente sempre conhece alguém que que conhece mais alguém e assim vai...
    Essa cadeira do estofado vermelho parece uma de imperador, daquelas que vemos nas novelas de época na TV.
    Interessante você ter registrado isso.
    Olha, sobre meu retorno: estou me organizando pra voltar em breve. A vida tá muito corrida, mas pretendo voltar a costurar pra loja de novo e os posts voltarão a aparecer no blog.
    Não vejo a hora de isso acontecer, porque é uma terapia pra mim.

    Um beijo! ♥

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  32. Nossa Val!!! Fiquei muito impressionada com sua postagem. Sinceramente eu não sabia que isso acontecia. E respondendo aos seus questionamentos... sim, sim, sim ... sempre acho que as coisas tem valor sim, valor sentimental, de carinho mesmo. Minha vó recentemente faleceu e meu tio que morava com ela disse pra eu ir até a casa dela e pegar algo que eu quisesse para ter de recordação. Eu fui, entrei na casa que frequentei duas vezes por ano nas férias durante toda a minha vida, e não encontrei muita coisa. Ela adoentada há anos, foi distribuindo suas louças e seus poucos objetos decorativos aos filhos mais próximos. Então não me restou quase nada que pudesse vir comigo para os mais de 600 km de distância que nos separava. De repente vi escondida, quase tímida, uma pequena tesoura antiga e não tive dúvidas, peguei aquela pequena joia e perguntei ao meu tio, posso levá-la? Ele todo contente disse: é claro que sim. Hoje a tesourinha segue contente comigo bem próxima da minha máquina de costura para continuar a me refrescar a memória a respeito de uma mulher muito forte e generosa, que foi minha querida vó. Amei sua postagem, obrigada! Bjs, Clau.

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  33. Infelizmente Val esta situação é muito triste, a pessoa que morava aí devia ter cuidados com suas coisinhas e do nada tudo desaparece de sua vida, pena que isto acontece bastante neste mundo, onde pessoas só pensam em si :-(
    Achei lindas as louças trabalhadas e a cadeira de braço com tecido estampado, o bom é que você dará valor e sentimentos a alguns objetos que outros simplesmente acham que são lixo.
    O único problema é você ter que arrumar mais espaço para guardá-los, com certeza dá vontade de levar quase tudo, né?
    Beijinhos e tenha uma ótima semana!
    Ene ♥

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  34. Olá Val,
    Uma postagem especial, me deixou com as mãos coçando de vontade de recuperar um móvel destes, também gosto de pensar nas lembranças e emoções que guardam, que a verdade ninguém saberá por mais que imagine. Entrar numa casa assim deve dá uma sensação de abandono e solidão, tomara que quem deixou tudo para trás tenha um motivo e que não tenha sido só indiferença, pois isso seria mesmo uma pena.
    Beijinhos

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  35. Querida Val, este post deixou-me com um misto de sentimentos. Se por um lado faço um esforço por me desapegar dos objectos e acreditar que serão os momentos que me farão recordar os meus entes queridos quando partirem, por outro tenho muita dificuldade em fazê-lo. Ver esta casa assim...deixa-me o coração apertado e pergunto, como tu, "ninguém na família gostaria de ficar com uma recordação da mãe ou da avó?"
    Tenho de reconhecer que não tenho conseguido esse desapego...tenho a casa povoada de recordações e objectos de casa dos meus pais e felizmente eles ainda não partiram. Penso que me dá algum conforto essas memórias. Mas a verdade é que todos temos formas diferentes de encarar estes momentos..
    Ainda assim não deixei de sorrir com os objectos lindos que nos mostraste!
    Beijinhos

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  36. Conheci o seu blog à pouco tempo, fui lendo e gostando, e lendo e lendo... e gostando mais ainda.
    Gostei muito! Parabéns pela escrita, pela partilha. Nunca comentei.
    Mas com este post fiquei emocionada, sentida, como é que se pode ser assim, fechar a porta e ir embora de uma vida de um passado e não querer levar nada...pela recordação pela lembrança de um familiar, parente . NADA.
    Mas depois há o reverso da moeda: a Val não tinha ligação afectiva à casa, dá nova vida a esses objectos, vai dar vida às lembranças (essas que outros não quiserem ).Por linhas tortas completou-se o ciclo.
    Gosto disso, sou um pouco assim, apegada aos objectos.

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  37. Olha, eu dou valor a esses objectos. Ainda mais por terem pertencido a alguém. Alguns consigo mesmo visualizar a afeição que outra pessoa nutria por eles. Um conjunto de chá, uma coisa simples, uma cadeira de sentar...

    Não sou idosa mas hoje passei uma boa parte do meu tempo a pensar neste tipo de coisa. Nós todos vamos um dia falecer. Pode ser idoso mas também pode ser já amanhã. As coisas que eu aprecio - sei, são consideradas "lixo" para alguns. Os meus livros, quem os vai "amar" e desejar ter a sua companhia, como eu? Os meus hobbies, quem vai se interessar em folhear? As minhas colecções de documentários? Aquele objecto que todos me dizem que é horroroso e que me faz sorrir e me sentir bem cada vez que olho para ele?

    O que vejo acontecer ultimamente é esses recheios "espalhados" por toda a parte, de modo a constituirem negócio e lucro para alguém. Isso me entristece. Da pessoa ninguém quer saber, os objectos são considerados velhos e sem valor - e é uma ideia equivocada, pois até são mais valiosos que muitos actuais, até mesmo peças de roupa e acessórios, por serem vintage, podem ter alguns tantos interessados dispostos a pagar bom dinheiro por uma mala de pele. Quando minha avó faleceu essas coisas dela foram para o lixo. Hoje gostaria de ter ficado com mais objectos para mim, embora também me baste aquele que escolhi. É que considero esses objectos bonitos por representarem uma era. É quase como terem o direito de sobreviver até que também um dia, a vida dite que chegam ao fim. Não deviam ser considerados "lixo" só porque a vida do proprietário se extinguiu. Têm a sua própria durabilidade.

    Mas queria era dizer que me entristece o lucro. Muitas pessoas "caçam" este género de objecto e já não é para lhe chamar antiguidade e ir vender na feira da ladra. Agora anda por toda a parte, em sites como o OLX e um outro que não é de vendas mas de trocas - dá até dó. Percebe-se que os objectos foram de alguém, alguns ainda estão na casa e são fotografados pendurados nas paredes, são descritos como se fossem muito especiais (valiosos e raros), mas no fundo quem os possui só os olha com a ambição do dinheiro. É que nem aceitam propostas razoáveis, mantêm os artigos a aguardar sabe-se lá que valor ou negócio! Uma vez fui também a uma exposição de coisas antigas no meio da cidade, mas quando entrei fiquei triste, pois percebi que tudo era recheio de casas, de falecidos. Existe uma diferença entre objectos comercializados e "comercializados". Nada impede ninguém de tentar vender uma cadeira, um quadro... mas estou a dizer é que é TUDO! Até um saco-botija todo desfeito eu já vi alguém a querer negociar. As pessoas tentam por tudo, até mesmo lixo, tal é a ânsia, a avidez. Antes era mais seleccionado, talvez dividido entre familiares e o que sobrasse talvez doassem ou vendessem. Agora tudo é negócio. Até já vi e sei que é recorrente, pessoas em torno dos caixotes de lixo de casas que sabem estar em mudanças, e retirarem de lá objectos deitados fora para serem comercializados! É óbvio que se tratam de despojos da vida de alguém. Me repulsa um pouco. Ainda bem que tu dás valor a algumas coisinhas. Espero que outros também dêem.

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  38. Nossa!
    Vi todas as imagens agora... Consegui ver uma mão com todo o cuidado a pendurar a concha da sopa debaixo do suporte onde delicadamente antes arrumou uma caneca. E o retrato? Deixado para trás, como se não fosse ninguém. Insignificante

    Entendo o que os familiares pensam - já vi isso. É tudo lixo, nada tem valor, ainda em vida quando se imaginam a ter de lidar com o falecimento já dizem que as coisas não lhes interessam para nada, que nada tem valor e que delas não precisam. Esta mentalidade de que só o que é de valor deve ser preservado me incomoda, porque estabelece que o que conta é o valor monetário quando devia-se estar focado no emocional. E o que sabem perceber que poderá ter valor, por estar danificado e precisar de restauro, não estão para ter trabalho. Agora que deixassem todo o trabalho de remoção para o senhorio, inclusive coisas pequenas, isso é que não sabia. Um dia ainda encontram escondido um pequeno tesouro. E é bem feito se este não for devolvido à família, acho eu.

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  39. Olá novamente Val,

    Deixo novo comentário, só mesmo para dizer que mostrei este post ao meu pai... Estávamos a falar de casas abandonadas, em remodelações de casas antigas e na conversa abri o seu blog e mostrei-lhe! Até ele gostou das fotos que viu... Este post definitivamente mexeu comigo :-)

    Beijinhos grandes***

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  40. É muito triste mesmo.. na área onde trabalho já assisti a situações parecidas. Também perto de casa houve um despejo recente e vimos junto ao lixo molduras com fotos de crianças pequenas, objectos pessoais, roupas...

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  41. Fiquei com o coração apertado!
    Como é que é possível?

    ResponderEliminar
  42. .

    Uau! Quanta beleza o seu
    blog tem...
    Vou seguir você para não
    perdê-lo de vista. Caso
    você goste do meu, prometa
    que vem me seguir, prometa!

    Beijos.



    .

    ResponderEliminar
  43. Val, minha amiga! Já faz algum tempo que tenho o meu blog, e nunca, até o dia de hoje eu li uma postagem que me arrancasse lágrimas dos olhos... Chorei, chorei, chorei por esta pessoa que durante uma vida inteira cuidou de sua casa e teve que deixa-la pra trás, talvez inconsciente do que fazia, já não comandava seu próprio corpo, sua mente. Chorei por estes filhos, desprovidos de um mais puro sentimento... O amor. Como pode não querer recordar uma infância, um almoço com os pais, uma recordação sequer. A casa parece que a dona foi logo ali e já já vai voltar, foi comprar um pão para o lanche dos filhos. É triste, muito triste mesmo. Estamos vivendo o final dos tempos...´´Naquele tempo, muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros,...Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará...`` Texto da Bíblia- Evangelho de Mateus 24. Fiquei muito triste em ver a verdade da vida e das pessoas. Um bj amiga.

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  44. Que triste! Sorte têm os objetos que são escolhidos para seguir com você...
    Bjs

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