Há tempos, enquanto fazia scroll no instagram, surgiram-me uns sacos em formato de árvore de Natal que achei bem engraçados para embrulhar algumas das prendas que tenho para oferecer. Uma vez que, como pode ler aqui e aqui, usar papel já não é, há anos, opção para mim, decidi lançar-me na confecção destes saquinhos temáticos que além de servirem como embalagens propriamente ditas ainda poderão decorar a casa. Se me dá algum trabalho a execução destes mimos numa altura em que regra geral as solicitações são muitas, é claro que sim, mas todos os anos tento organizar o meu mês de dezembro de modo a sobrar algum tempo para o que chamo de "dose extra de carinho" no empacotamento. O objetivo primeiro de usar o tecido para envolver os presentes é a reciclagem, a hipótese do invólucro vir a ser reaproveitado numa próxima ocasião. Mas não nego — e até diria que é uma parte importante de tudo isto — que uma prenda acondicionada com tempo e intenção, é garantia de um sorriso redobrado no rosto de quem a recebe. Há sempre um instante de surpresa quando alguém se apercebe de que a própria embalagem já é, por si só, um presente. E é esse pequeno brilho nos olhos, esse segundo de encantamento, que me faz repetir o ritual ano após ano.
DA AUSTERIDADE AO ACONCHEGO: A SEGUNDA VIDA DE UM PAR DE CANDEEIROS
Precisava de um par de candeeiros para as mesinhas de cabeceira de um dos quartos desta casa e lembrei-me de reciclar uns em talha, bastante austeros e fora de moda. Diria mesmo feios, apesar de não gostar de empregar essa palavra. Acho-a limitativa, preconceituosa até, pois ao rotular algo de feio fechamos a porta a um novo olhar, mais atento e afetuoso. A primeira ideia que me ocorreu foi obviamente a pintura: afinal que objeto escuro e sem graça não muda completamente com uma demão de tinta? Apliquei então um primário e a seguir Chalk paint cor palha. O resultado já foi bastante satisfatório, diria uns 200%, mas ainda assim as luminárias continuavam um pouco apagadas. Decidi então torna-las mais amareladas empregando um pincel grosso e quase seco, com muito pouca tinta a puxar para o ocre. Finalmente, lixei levemente certas partes dos candeeiros para que o dourado da talha aparecesse sutilmente por baixo da tinta e provocasse um certo contraste. O segundo passo desta transformação foi escolher os abajures e confesso que não foi tarefa fácil. Não acertei à primeira, nem à segunda… nem à terceira! Depois de meses a procurar, a testar mil possibilidades, a vasculhar lojas físicas e online, nada me convencia. E quando é impossível encontrar as medidas certas e a tal “vibe” perfeita, o que se faz? Exatamente: mete-se mãos à obra e fabrica-se os próprios abajures! Encomendei as estruturas com as dimensões que pretendia numa casa de luminárias, comprei novelos de ráfia e, nó após nó, nasceram dois abajures com toque rústico, perfeitos para suavizar as formas robustas das bases. Posso até parecer convencida, mas acredito que ganhei candeeiros com alma, peças que foram da talha austera ao encanto campestre!
A BELEZA DAS PEÇAS ANTIGAS
Restaurar móveis antigos é sempre um convite à criatividade, mas há peças atemporais, que possuem beleza própria e após anos de utilização tudo o que precisam é de cuidado, respeito e um toque renovador. Penso que esta cadeira é uma prova disso mesmo: chegou-me às mãos desgastada por décadas de uso e não pedia uma transformação drástica. Com paciência e dedicação, libertei-a do estofo coçado, lixei cuidadosamente os seus contornos e reentrâncias e apliquei-lhe goma laca como acabamento, o que lhe deu um bonito tom mel.
No fim, o que era apenas uma cadeira bonita, sim, mas sem brilho, voltou a ser uma peça cheia de charme, pronta a ser usada e admirada mais uma vez.
REMODELAÇÃO DE UMA CASA NA VILA (PARTE II)
Quando há dois anos publiquei aqui o primeiro post sobre a casa, tinha a certeza de que partilharia convosco cada etapa das obras e imaginei-vos a acompanhar tudo, passo a passo. Mas depressa percebi que a realidade era bem menos emocionante: iria simplesmente postar dezenas de fotos de um “durante” sem graça de paredes que passavam de esburacadas a rebocadas e pouco mais. Decidi então esperar pelo momento certo, e ele chegou! Hoje divido convosco o resultado final da casa, com imagens do "agora" e do "antes". Excetuando as camas, um sofá e os tapetes, praticamente tudo o resto são peças recicladas por mim, provenientes das mais variadas origens: encontradas por aí, oferecidas por amigos, herdadas da família. Foram anos de um trabalho moroso e, no fim, quando tudo ficou pronto, confirmei o que suspeitava mas relutava em aceitar: que, somando o que já tinha em uso em casa ao que estava guardado na arrecadação, seria possível montar um novo lar… e ainda sobrava!
Nas próximas fotos, vou mostrar as escolhas que fiz para cada espaço e deixar os links das peças que aparecem nas imagens e que já foram destaque em publicações do blog. Espero que gostem porque ao vivo a casa transmite ainda mais originalidade, conforto, personalidade e é tão gratificante ver o resultado dessa transformação!
DRAWSTRING BAGS
Não é segredo para ninguém que quando se trata de costura, a minha paixão são as colchas em patchwork para crianças (pode ver algumas aqui). É o tipo de projeto que faço com um sorriso nos lábios e de coração cheio! Mas quando o tempo anda escasso e fica difícil dedicar-me a uma peça tão grande e complexa, eu volto-me para uma outra preferência destinada aos mais pequenos: os drawstring bags (ou sacos com cordões, em bom Português!). Como utilizo sempre padrões bem dispostos, a prenda chama logo a atenção da criança e as mães dão-me um feedback positivo: são ideais para levar brinquedos ou muda de roupa para a escola ou passeios e o sistema de cordão para abrir e fechar é fácil, levando a criança a desenvolver o hábito de organizar os seus pertences desde cedo.
Pessoalmente, o que mais me encanta na criação destes sacos é a liberdade de mesclar estampas e cores à vontade. Como se destinam ao público infantil, um toque lúdico e divertido é não só bem-vindo, como praticamente uma condição sine qua non para que sejam tão bem aceites. E para completar, posso utilizar muitas sobras, o que, diga-se de passagem, é especialmente aliciante numa casa onde os tecidos multiplicam-se do nada!




