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DE CAFETEIRA A CANDEEIRO

30.7.15
Nestas noites de verão, frequentemente jantamos fora. No terraço, entenda-se. E eu já andava cansada com as reclamações da família pela alegada falta de luz no exterior. É que há certas coisas nesta casa, que apesar de terem sido pensadas há quase 20 anos e de eu até reconhecer que possam estar démodés, tenho relutância em substituir. Os apliques de parede colocados lá fora, a 30 cm do chão, que dão uma iluminação ambiente e os candeeiros de teto, de vidro colorido, trazidos de Marrocos, bonitos, mas que na prática não iluminam grandes coisas, são elementos que teimo em conservar.
Para acabar de vez com os queixumes, lembrei-me da velha cafeteira esmaltada. Um objeto que foi concebido e usado durante largos anos para aquecer a água do café; quando veio para as minhas mãos, passou a acolher as flores que alegravam a sala; podia muito bem, agora, transformar-se em candeeiro temático, ser colocado no meio da mesa, e nesta nova e derradeira função, ocasionar refeições iluminadas e agradar as hostes.
Tudo, é uma questão de exercitar o olhar, reinventar e desta forma, produzir uma decoração sem cópias.

IDEIAS DESCONTRAÍDAS PARA A MESA

23.7.15
Quando o verão instala-se e com ele chegam as férias, vem também a vontade de fazer refeições leves em mesas descontraídas. Temos mais tempo disponível para estar com a família e convidar os amigos e inovar é uma forma de sair da rotina, mesmo que continuemos em casa. As ideias que vão ver a seguir, pesquei-as por aí. São simples, criativas, e adaptadas à nossa realidade, podem fazer a diferença na hora de sentar à mesa. O meu conselho é o do costume: olhos bem abertos e antenas ligadas pois a inspiração está por todo o lado!

No Porto chamou-me a atenção esta mesa comunitária, onde tudo está à mão de semear, mesmo antes de iniciar a refeição: uma bela água fresca e aromatizada, frutas da época, e até canetas de feltro para as crianças não se maçarem. Reparem na loiça simples e nas flores secas colocadas de forma despretensiosa. Uma mesa informal e aconchegante, fácil de reproduzir, onde descomplicar parece ser a palavra de ordem.

JUNTAR MESAS DIVERSAS

1.7.15
Quem me lê há algum tempo, sabe o quanto eu gosto de misturas. Mesclar estilos, cores e padrões, desde que haja um equilíbrio visual, constitui para mim um autêntico desafio e um deleite para os olhos. A minha amiga Sylvia, surpreendeu os convidados na sua festa de aniversário, quando inovou ao montar composições diferentes no grande jardim de sua casa. Juntou longas mesas comunitárias com quadradas, usou pratos clássicos combinando-os com copos arrojados, atreveu-se na oposição das cores. As mesas forradas de branco e pés simples, deixaram que as loiças de família e os copos laranjas fossem os protagonistas, enquanto que outras com tampo em vidro, película a imitar painel de azulejos e base capitonné, recebiam pratos prateados e copos na mesma cor ou num amarelo ovo contrastante. Lanternas com velas no centro das mesas e cadeiras ghost  foram os elementos comuns que unificaram o todo, confirmando que, se hoje em dia não existem regras, o importante é saber harmonizar!


TOALHA DE MESA COM BOLSOS JEANS

17.6.15
Tenho esta toalha xadrez há largos anos, e quando os filhos eram pequenos foi-me muito útil, pois era a mais descontraída da casa. Com cara de verão, de piquenique e de ar livre, cobria a mesa, transformava-se em manta no jardim e serviu-me para várias festas e comemorações dos miúdos. Mas ultimamente tinha caído em desuso, substituída pela moda dos individuais e sousplats que tanto gosto. Foi portanto da toalha preterida que lembrei-me quando quis associar a espontaneidade do jeans a um padrão que sugerisse informalidade. A parte difícil foi convencer marido, filhos e sobrinhos a doarem bolsos. Persuadi-los que calças e bermudas, mesmo novas e perfeitamente em uso, não deixavam de ter o seu charme, ainda que com menos uma algibeira no traseiro. Antes pelo contrário, as peças ganhavam uma certa irreverência, e eu, uma toalha nova. Não dizem que jeans é versátil, eclético, multifacetado? em suma, que dá com tudo? concordo em absoluto. Basta variar nos acessórios que enfeitam e cabem nos bolsos e teremos uma toalha diferente a cada refeição.


1/4 DE GAVETA

10.6.15
É muito comum uma pessoa viajar e comprar um souvenir da terra por onde passou. Já não é tão usual alguém entrar num apartamento para fazer uma obra de remodelação e lembrar-se de trazer uma lembrança. Da velha cozinha que vos mostrei aqui fiquei com uma gaveta, ou melhor 1/4 de gaveta, pois na altura, pedi ao carpinteiro que a cortasse, deixando-a somente com 10 cm de profundidade. A ideia era usá-la para organizar os temperos que mais utilizamos em casa, transportando-os de forma prática, consoante a refeição tivesse lugar na sala, na cozinha ou ao ar livre. E assim foi: lá veio ela, reduzida a menos de metade, com as suas várias camadas originais de tinta e seu puxador em concha, ferrugento. Só que esta semana, tal arqueóloga num trabalho de investigação, deu-me uma vontade imensa de pôr a descoberto o que as grossas camadas de pintura escondiam. E revelou-se a sua enorme gratidão: uma gaveta em madeira de casquinha, com encaixe macho-fêmea na lateral. Forrei o seu interior com tecido e a caixa de transporte para os temperos e sementes TOP + da família continua a fazer, mais do que nunca, um grande brilharete à mesa. 

A TOALHA DA LU

10.4.15
Qualquer semelhança entre a toalha abaixo e outra que poderão ter visto aqui no blog, não é mera coincidência.
Esta, a cara do verão, um autêntico raio de sol, é a versão da Lu, que mora em Minas Gerais, no Brasil. Postou-a no seu instagram e sem nunca ter tido qualquer contato comigo, "tagou-me", deixando-me sensibilizada com suas palavras:

"Vi (...) me apaixonei e fiz a minha! Vou contar que, se alguém me mostrasse essa toalha de mesa pronta, eu diria que JAMAIS seria capaz de fazer algo parecido...Mas fui em frente e fiz!!! Em exatas 7 semanas estava pronta e ficou mais linda que pensava! Prova que a gente pode tudo que quiser (...) Sempre chegamos a algum lugar, mesmo que não seja onde imaginávamos chegar!!! De quadrinho em quadrinho fui remendando minha vida, construindo um novo caminho, novos horizontes! "navegar é preciso, viver não é preciso"...não, não é! nunca se sabe o que vai ser, onde vai dar, a que fim vamos chegar! seja em um simples forro de mesa, seja em um grande projeto de vida!"

É uma sensação única quando alguém inspira-se em algo que partilhámos, e não só entusiasma-se a fazer, como interpreta-o à sua maneira. Babei na combinação dos tecidos e na explosão de amarelos e laranjas que remete-me aos girassóis de Van Gogh. Mas mais importante ainda é quando o simples ato de cortar quadrados e uni-los, leva-nos a constatar o quanto determinação e vontade são fundamentais no desbravar de novos caminhos.
E agora tenho um problema: dois amores. A toalha da Lu e a minha. E não tenho a certeza da qual eu gosto mais!
Obrigada Lu, por mostrar-nos a sua toalha numa produção tão cuidada, seu quintal florido e essas crianças lindas!

MESA DE PÁSCOA

5.4.15
A mesa está pronta para receber e reunir a família neste dia de Páscoa. Algo incompleta, com marido e uma das filhas num outro continente. Mas a vida é assim, às vezes estamos juntos, outras vezes, nem por isso. Importante é agradecermos e seguirmos com os nossos sonhos.
Páscoa é ressurreição e vida. Neste domingo, o que desejo aos que por aqui passam, é que reflitam e celebrem. Celebrem muito, a renovação e a alegria. Feliz Páscoa!


CENTROS DE MESA

30.3.15
Para os 18 anos do filho, a minha irmã decide montar uma tenda no jardim e alugar 4 grandes mesas redondas com pratos, copos, guardanapos, toalhas, tudo branco e básico. Os amigos levaram a música e as strobe lights, a comida foi confecionada em casa. É típico desta minha irmã, não sair da sua zona de conforto, mas desta vez, exagerou, encomendando tudo o mais trivial possível, com a desculpa de que "para rapaz, é difícil escolher outra coisa".  Depois lança-me o repto, e de um dia para o outro, pede-me que arranje alguma ideia para os centros de mesa. O "alguma ideia" dela, significava um arranjo simples, bonito e de preferência, sem gastar muito. Exigência: usar a quantidade de velas brancas que lhe tinha sobrado dos cinquenta anos do marido. Sem tempo para divagações, e com budget limitado, passei na florista e trouxe uns quantos ramos de flores campestres. Recolhi pela casa, todos os bules, leiteiras, cafeteiras, açucareiros e xícaras órfãos de pai, mãe e restante família. E recorri ao Ikea (Where else?) para comprar lanternas, porta velas e castiçais. Ao chegar ao local do aniversário, reparei que no jardim havia à descrição rodelas de troncos de árvores. O resultado foi o que vem a seguir, fotografado ao fim da tarde enquanto ajudava na montagem, e à noite, já com as velas acesas. A festa esteve animada, com aniversariante e amigos participativos e felizes, e só terminou já altas horas, quando a polícia bateu à porta. Quem mandou não convidar os vizinhos?

A minha bancada de trabalho:
                                                             

MESA POSTA

19.1.15
Sei que não se deve mostrar o presente antes de o oferecer, mas não consegui resistir. Ainda na sequência das capas que fiz para os individuais em MDF, e depois de comentar várias vezes com a Camila, que precisava investir em porta guardanapos pois eram acessórios quase inexistentes aqui em casa, eis que em meados de Dezembro, recebo uma caixa cheia deles. Lindos, coloridos, enfeitados com flores e pássaros e, o melhor, feitos com charme e carinho pela mãe da Camila!
Ao pensar em como retribuir tal gentileza, lembrei-me que também nas nossas trocas de comentários e emails, a certa altura a Camila sugeriu que capas em patchwork ficariam lindas, ao que eu respondi que concordava, mas seria bastante trabalhoso fazê-las. Que presente melhor poderia eu oferecer a uma "meseira assumida" do que as tais capas em patchwork, para que ela continue a nos brindar no seu blog com mesas lindas e criativas? 
Então aí está: para Camila, uma mesa posta, ou melhor, um aparador violeta, com individuais e loiça patchwork, porta guardanapos como só a mãe dela sabe fazer, chocolate belga e muffins de lavanda. A receita dos muffins, é da Neuza, é excelente e pode conferi-la aqui. A lavanda, é outro agradecimento público que eu preciso fazer: foi-me amavelmente enviada pela  própria Neuza, é produção dela e já rendeu vários bolos e fornadas de muffins, deliciosos e super, super perfumados!


INDIVIDUAIS EM MDF COM CAPAS REVERSÍVEIS

13.11.14
Foi neste post da Camila que vi a ideia e não descansei até conseguir concretizá-la: uns sousplats redondos, em MDF, cujas capas vão sendo trocadas ao sabor do gosto e do humor, consoante se esteja voltada para montar uma mesa colorida, de cariz rústico, temática, ou algo  mais sofisticado. As opções são infinitas e o padrão das capas é que vai ditar a tendência.
A Camila, que no It Glamour mostra-nos que as mesas podem ser simples mas sempre com charme, foi uma querida, e por email mandou-me as medidas das placas de MDF para que eu pudesse pedir a um carpinteiro para as cortar.
Com as rodelas em mãos, era a minha vez de entrar em cena, que entusiasmada ante a perspetiva de poder montar mesas diferentes apenas vestindo e despindo as "bolachas", lembrei-me de fazer os invólucros em dupla face e desta forma multiplicar a versatilidade dos mesmos.
E foi assim, que surgiram 4 mesas, que se desdobraram em 8, e que vos mostro em seguida. Notem que  pratos, talheres, guardanapos e demais adereços são rigorosamente os mesmos no lado A e B de cada capa.

Para iniciar, uma proposta Outonal numa 1ª versão:

PRESENTES PARA A FAMÍLIA

23.7.14
Foi uma semana a costurar a todo o vapor.
Queria mandar uns presentes feitos por mim para duas tias e a irmã que moram longe. Como tenho poucas vítimas, preciso aproveitar estas ocasiões em que alguém daqui vai visitar a família, para praticar. E uma vez que as três gostam de coisas de casa, decidi-me por uns individuais. Na verdade, optei por individuais porque não tive imaginação para muito mais. A alternativa seriam almofadas, mas estas ocupam demasiado espaço numa mala. Poderia mandar só a capa para a almofada, mas sei por experiência própria que correria o risco do recheio nunca ser comprado e as ditas irem parar numa gaveta. Em tempos recebi uma capa, e fiquei sempre com a sensação de que a oferta vinha pela metade.
Enfim, o parto não foi fácil, porque o tempo escasseou, e eu tenho alma de artista e não sei fazer nada sob pressão. Tinha planeado costurar algo mais elaborado, mas rapidamente dei-me conta que não haveria tempo hábil para tal, e o máximo que consegui almejar foi uns conjuntos, cada um no seu estilo, com um bolsinho lateral, que na hora de arrumar a mesa, desse para brincar com os adereços e quebrar a monotonia.
O que foi muito positivo nesta semana intensiva de individuais, é que finalmente deu-se o clic e aprendi a fazer o viés sem medos nem hesitações e já não há segredos para mim de como cosê-lo à peça e dobrar os cantos. Aleluia!!

E assim surgiu um conjunto em candy colors, romântico, para uma das tias. Atenção: acessórios não incluídos.

#toalhademesa #colchadecama

29.6.14
Na minha cabeça a toalha para a mesa grande do terraço já estava mais que pronta. Mas na vida real, só ontem consegui acabá-la. A receita não tem segredo e é até enfadonha: cortar exaustivamente quadrados de 21x21cm, unir os quadrados em tiras, juntar essas tiras até obter o tamanho desejado. Forrar. Nada de enchimento.
Usei fat quarters e uma boa parte dos tecidos, vieram da City Quilter, em Nova Iorque. Gostaria de vos ter falado sobre essa quilt shop em NYC e não o fiz porque foi mesmo impossível fotografá-la, e um post sem fotos, não vale. Mas se visitar a cidade e gostar de patchwork, não deixe de lá ir. Além da oferta infindável de toda a sorte de apetrechos, aviamentos e livros da especialidade, eles têm alguns tecidos exclusivos e desenvolvidos por eles, notadamente as reproduções do metro de NY, o mapa da cidade ou os ícones da Big Apple.
Mas voltando ao meu assunto, ao todo foram 143 quadrados e 38 padrões diferentes. Resultou numa toalha de mesa feliz, exatamente como eu queria. E quando não estiver a ser utilizada como tal, afinal temos um verão curto, talvez possa dar o ar da sua graça alindando a cama.   
Eu diria que a peça é tão versátil, que pode fazer dela #whateveryoulike.

FELIZ ANO !!

2.1.14
Há já uns bons anos que a passagem de ano dos sem-festa acaba por ser lá em casa. Inevitavelmente, a minha irmã telefona dois ou três dias antes e pergunta: "então? pode ser aí?", já sabendo de antemão a resposta. E então começa a correria: o marido e o cunhado compõem o menu e compram os ingredientes, já que são eles que vão para a cozinha; a irmã dá palpites e apoio moral; e eu fico com a déco. Uma sociedade que até tem funcionado!
Este ano, entre membros da família sem programa, filhos jovens que ainda não têm alvará de soltura e amigos caídos de pára-quedas, contámos doze.
E os doces da árvore espalharam-se pelas mesas.
Os candy cane que a filha trouxe dos EUA, transformei-os em corações, e é de coração que vos desejo um Ano feliz, com saúde, harmonia, e tudo o mais que almejarem.
Ao contrário da maioria, eu não sou pessoa de fazer balanço do que passou, e também não gosto de planear. Tudo na minha vida, sempre aconteceu sem preparações antecipadas. Mas há uma coisa que eu quero muito para 2014, e vou fazer o possível e o impossível para que se concretize: uns meses sabáticos.
Este ano, eu quero e preciso de um tempo para mim, afastada do trabalho, dos horários e das obrigações. Um período dedicado a coisas que gosto e nunca pude "perder" tempo com elas: fotografia, costura, crochet, restauro... Não sei quando será exatamente, nem como será, mas vou fazê-lo.

E é com esta certeza que vos desejo um doce e colorido Ano Novo!!


UM NATAL DIFERENTE...

26.12.13
...foi aquele que passámos este ano.
A filha mais velha mora na Bélgica e não lhe convinha vir a casa. E quando Maomé não vai à montanha, a montanha desloca-se. E lá rumámos nós em direção a Bruxelas.
De antemão, sabia que um jantar de Natal, só para nós 5 e numa casa de estudantes, carecia de alguma organização antecipada ou seria recheado de improvisos.
Assim sendo, ainda em Lisboa, preparámos o cardápio. Por unanimidade, o bacalhau ficou de fora (o apartamento é pequeno e a ventilação duvidosa). O peru acompanhado de castanhas Portuguesas iria já assado na mala do marido, e aterrou em Bruxelas na própria véspera de Natal, em meio a uma enorme tempestade, que nos fez temer o pior (marido e peru ilhados num qualquer aeroporto Europeu). Para um gostinho de Brasil, também seguiria farinha de mandioca para ser transformada numa bela farofa. E como em Roma sê Romano, os doces seriam os tradicionais do Natal Belga: mini troncos de Natal, petit Jesus em pasta de açúcar, cougnous (um pãozinho em brioche) tarte de cerejas.
Ficou por minha conta, a tarefa de pensar numa mesa bonita. Lembrei-me de comprar um tecido alusivo e cortar uma toalha simples para a ceia. Separei para levar, guardanapos (desta vez de pano), alguns enfeites rústicos que tenho, por ser este o ambiente da casa, e preparei um kit com algum material, banal quando estamos na nossa terra, mas sempre complicado de encontrar no estrangeiro, tais como pioneses, vários tipos de cordel, velas de réchaud, e outras insignificâncias mais, fundamentais na hora de se montar uma mesa.
Pratos e copos, escolhi-os sem muito tempo para pensar, na Maisons du Monde, loja com mil ideias para a casa, em variados estilos, no centro de Bruxelas e a preços aceitáveis. Sempre naquela minha mania de misturar os serviços, e em meio a um mar de gente que fazia as últimas compras de Natal.
Foi uma Consoada diferente, feliz e tranquila, os cinco reunidos novamente, como não estávamos há cerca de meio ano.



UM NATAL NADA CONVENCIONAL

6.12.13
The Conran Shop, é uma das lojas que mais gosto de visitar em Londres.

Do designer Britânico Terence Conran, conhecido por ter fundado nos anos 60 a cadeia de lojas Habitat, the Conran Shop enche-nos os olhos e as medidas com ícones clássicos do design, peças contemporâneas, elementos vintage Style, além de iluminação e acessórios para a casa.

Como se não bastasse a loja em si, a sua localização é mais um fator que justifica a visita: fica situada no Michelin House Building, um edifício de 1911, onde funcionavam os escritórios e o depósito de pneus da marca Michelin. Sir Conran recuperou a construção nos anos 70, e como homem dos 7 ofícios que é, além da loja, ainda instalou no mesmo espaço um dos seus restaurantes e Oyster Bar

Não é uma loja propriamente acessível, mas apreciar e sonhar não custa nada.

E este ano, em termos de propostas para o Natal, a minha opinião é que eles se suplantaram com sugestões de mesas para todos os gostos.

Vou começar, com o que havia de mais clássico e bastante convencional, nas cores preto, vermelho e prata:




Passemos para um registo mais campestre, em laranja, rosa e salmão. Mesa rústica e as célebres cadeiras Tolix. Notem: sempre mega adereços que caem do teto.

AS FESTAS DE ANTIGAMENTE

22.10.13
Das dezenas de fotos antigas que tenho da minha família, infelizmente guardadas numa caixa sem que nunca ninguém, nem eu própria, tenha se preocupado em dar-lhes destino melhor, as que mais se destacam aos meus olhos, aquelas que comtemplo vezes sem conta, absorvendo cada detalhe das imagens, são as que numa sequência, contam os primeiros aniversários da minha mãe. 

Tudo naquelas fotografias, fascina-me.
Através delas, ano após ano, vejo a minha mãe passar de bébé a criança, perder os dentes, ganhar uma irmã.

Chama-me a atenção o cenário, sempre o mesmo, onde apenas um ou outro detalhe muda. As cortinas de crochet que a certa altura são substituídas por outras em renda, o relógio, a cristaleira, as flores nos dias de festa e o pormenor do frigorífico na sala, um luxo há 75 anos.

Não fico indiferente à elegância dos meus avós, em pose austera com as filhas junto à mesa, antes de começar a festa, eternizando o momento. Às roupas impecáveis, aos penteados cuidados, ao capricho extremo.

2º aniversário, Chapéuzinho vermelho, outubro 1938
E tento imaginar a deliciosa movimentação que não seria naquela casa nos dias (ou semanas) que antecediam a festa. O carinho da minha avó, que com o envolvimento de todos, até das vizinhas, decidia o tema, idealizava as lembranças, imaginava e montava as mesas, confecionava os bolos, enrolava os doces.

Festa da primavera, 3º aniversário, 1939

DOCE DE TOMATE E OUTRAS IDEIAS

9.10.13
Eu que nem gosto de cozinhar, tive o atrevimento de pedir à Manuela a receita do doce de tomate. Pedido a que ela não só gentilmente acedeu, como ainda descreveu ao pormenor todo o PAP da execução, o que para uma amadora como eu, é fundamental. 
Vale a pena visitar o blog da Manuela: os doces são de dar água na boca, tudo home made, com frutas e legumes produzidos na sua quinta. Além disso, ela adora receber e isso fica bem patente nas produções chiquérrimas de mesas, que ela monta, só para nos inspirar.

Portanto, qualquer semelhança entre o post de hoje e o blog cem manias não é mera coincidência.

A tarde de sábado foi então passada a apurar o doce, colocar o produto em frascos e finalmente decorar os potes. Essa é para mim a melhor parte: usei retalhos que tinha em casa, cordel ou ráfia para atar, e imprimi fotos em papel autocolante para servir de rótulo. Achei que não havia necessidade de escrever nada, nem sequer a data, uma vez que a produção foi modesta, ou seja, não vai durar muito...

Depois, e sempre ao jeito do cem manias, foi hora de montar as mesas. Vocês sabem que eu gosto de papéis. Acho que é um material que dá pano para mangas, não é caro, e sendo descartável, é prático e pouco trabalhoso.
Lembrei-me do Le pain quotidien, e da simplicidade com que serve os clientes em individuais de papel pardo.

TECIDOS COM VIDA

25.9.13
Provavelmente é um velho conhecido vosso, mas o fato é que só há alguns dias, ao entrar numa loja de tecidos para conferir as novidades, é que me chamou a atenção: o tecido digitalizado.
No fundo, é uma imagem ou foto impressa digitalmente num suporte, que resulta num desenho bastante realista e tridimensional.

Pensando bem, já vi em decoração a técnica da digitalização aplicada em diversos materiais e elementos, como azulejos, mosaicos, porcelanas, almofadas, painéis de parede, etecetera, mas não pensei que se pudesse comprar vulgarmente a metro, tecidos com este género de estampa.

A proximidade do aniversário de uma cunhada foi a desculpa que eu precisei para me encantar com a combinação do azul turquesa + elementos vintage sobre um fundo de madeira trompe l´oeil, e testar a minha habilidade na confeção de individuais bem humorados para as refeições do dia a dia.

Já vos devo ter dito que adoro individuais, mais até do que toalhas. Principalmente quando a mesa é bonita e não merece ficar escondida.

PARA ALEGRAR O VERÃO BELGA

3.9.13
Quem nunca comprou um tecido só por comprar? Porque achou as cores bonitas,o padrão engraçado.E sem um projeto em mente,inevitavelmente o pano vai parar numa caixa ou gaveta.

E quem é que não guarda as fitas que enfeitam os embrulhos dos presentes e as caixas de chocolates? Sem saber o que fazer delas,correndo o risco de encher ainda mais os armários,mas pode ser que um dia sirvam para adornar outras prendas.

E do nada aparece a inspiração.Sai-se pela casa à procura dos tecidos,das fitas,das linhas e dos restos de outros trabalhos. Com preguiça de ir à rua,ou impondo a si própria o desafio de elaborar algo,apenas com o que se tem à mão.Com uma dose de improviso e a torcer para no final, resultar numa peça pelo menos harmoniosa.

E com medidas que se pensa corretas, ensaiadas numa mesa imaginária, o pano cortado e as fitas aproveitadas, transformam-se num caminho de mesa (ou deveria dizer chemin?) que segue para alegrar o chuvoso verão Belga.

18 ANOS DA BEA

11.6.13
Foi difícil convencê-la a comemorar.
Ela tinha os seus argumentos:final de ano letivo,exames nacionais à porta,mente focada no seu objetivo de partir em Agosto para o Texas,onde a espera uma full scholarship de atleta.

Acontece que mãe não desiste facilmente.Afinal é a maioridade e se tudo correr como planeia,é também o início de uma nova e tão sonhada etapa em sua vida.Além do mais a data caía num sábado,excelente dia para se organizar um almoço e chamar a família.

Hesitante,ela finalmente concordou e a minha cabeça começou a fervilhar.
Eu só tinha 2 premissas:iria usar tudo o que tivesse em casa e a comida viria de fora,afinal vocês conhecem os meus fracos dotes para a cozinha...
Resolvido atempadamente o assunto "catering",que para muitos é simples,mas para mim,revela-se um bicho papão,tudo o resto foi se desenhando virtualmente na minha cabeça uns dias antes,mas concretizado mesmo,na prática,na véspera e manhã do próprio dia.
É claro que há certas coisas com as quais conto e sei que funcionam numa comemoração lá em casa:esvazio a sala e entram em cena mesas e cadeiras desdobráveis que mantenho na arrecadação,e rezo para a meteorologia ajudar e eu poder estender a festa para o terraço:



O terraço que é a salvação....
Eu tenho esta característica de nunca ter as coisas absolutamente decididas e arrumadas com antecedência.Pois parece que se ponho mãos à obra muito tempo antes,tudo se arrasta e se torna cansativo.É esquisito mas eu sou assim.Gosto do imprevisto e do improviso e geralmente resulta.Gosto de tirar tudo dos armários e decidir na hora.E ninguém pode ajudar,senão confunde.
Portanto confirmadas as 24 pessoas, arranjei lugares sentados para todos,e para montar as 3 mesas usei toalhas, serviços, talheres, copos e guardanapos diferentes.Quando não se tem tudo igualzinho,o melhor é assumir o estilo tudo junto e misturado:



Zona de chill out no terraço.Notem que chuviscou e as nuvens estão negras,mas apesar do tempo não ter aberto,a temperatura esteve amena e deu para conviver ao ar livre.No próximo verão,espero ter a parede do fundo coberta por hera e bunganvilia.
O banco está bastante feio,afinal são 17 anos a apanhar chuva e sol.Costumo tapá-lo com cobertas e almofadas,para disfarçar a madeira seca.A vantagem é que vai mudando de visual.

Deixei umas mantinhas espalhadas,caso o tempo não colaborasse....
Com a ajuda do Corel Draw e do Picmonkey,fiz uns menus simples.
Só mesmo para dar uma graça e um ar mais elaborado ao almoço.
E como todos estavam à espera,tinha que haver numa festa da Bea, algum pormenor alusivo ao tênis, que é o desporto que ela vive e respira desde os 6 anos....Encontrei na loja de doces estas mini bolas que são chicletes.
A aniversariante.Feliz.Em foto do seu instagram  #sweeteighteen

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