A história deste banquinho é a seguinte: via várias vezes a senhora que limpa o prédio onde moro, periclitantemente equilibrada em cima do dito cujo, a polir as pedras das colunas que ficam na entrada. Um dia propus-lhe um negócio: eu arranjava-lhe um escadote em condições e ela, em troca, dava-me a banqueta. A resposta veio imediata: que se fizesse a permuta rapidamente, pois ela era pessoa baixinha, o banco curto, e estava mais do que evidente a dificuldade que tinha em aceder a cantos altos. E foi assim que eu ganhei um banco velho e sujo, e ela, um escadote novo e reluzente. A meu ver, troca mais do que justa! Depois seguiu-se a fase da ansiedade: lixar a tinta antiga para enfim descobrir as virtudes e os defeitos do banco. A coisa boa foi a sua estrutura, que se revelou robusta e bonita. A notícia má veio com a descoberta de um tampo minado pelo caminho dos bichos. Umas bases para pratos quentes, feitas em pompons de feltro, e que eu utilizava bem pouco em casa, foi a solução que encontrei para transformar o tampo agonizante num assento colorido e confortável. Desfiz as bases e colei uma a uma as bolas. A princípio julguei que a minha ideia iria resultar num banco frágil, quase só para enfeite, em que com o sentar, pompons se iriam soltar a pouco e pouco. Mas não, com doses generosas de cola de contato e os pompons bem chegados uns aos outros, obtive um "maciço" sólido e um banquinho de arrancar sorrisos!
COMER COM OS OLHOS
31.1.18
Já aqui disse várias vezes que não cozinho. E é verdade, a criatividade que tenho em certas áreas, falta-me em absoluto na cozinha. Tenho pena, pois nunca meus filhos poderão dizer que certo cheiro ou paladar lhes recordam a casa da mãe. Em contrapartida, adoro cozinhas (como arquiteta é mesmo a parte da casa onde mais gosto de intervir) e sou a louca das loiças! Esta última característica traz-me dois problemas: o primeiro de ordem logística, a casa não cresce e é-me cada vez mais difícil arranjar espaço para os serviços. E o segundo, um debate moral: estarei eu a gastar demais e a transformar-me numa acumuladora de pratos, pratinhos, copos, talheres, bowls, mini cassarolas, tábuas e afins? Para me consolar, costumava dar a mim própria a desculpa de que é o meu único vício e não tão nocivo assim, até que há uns dias, passou-me pelas mãos um artigo que dizia que investir em loiças é não só uma maneira de deixar a mesa mais atrativa mas também um conceito de alimentação saudável. É não olhar apenas para os nutrientes, ir mais além e enxergar na comida o prazer, as relações, as partilhas. E fez-me tão bem ler e pensar sobre isto porque de repente o meu único vício deixou de ser uma futilidade. Eu sou uma pessoa visual, sempre fui, como com os olhos, e assumo: venho carregada de pratos nas viagens, compro loiças online, herdo peças. Considero os meus serviços pessoais e intransmissíveis porque são descombinados e compostos por peças avulsas. Tem o prato branco mas também tem o colorido, os estilos são os mais diversos, os formatos e tamanhos variados. Traços que me permitem misturar e obter combinações menos óbvias à mesa. As fotos a seguir não são minhas. A comida obviamente também não. Mas os pratos, são. O meu acervo é tão grande que volta e meia combino com a minha amiga de longa data, Lena, a mentora do projeto Seëds e empresto-lhe peças. São imagens que me enchem os olhos. Gosto de ver como a culinária da Lena torna os meus pratos tão fotogénicos, e aprecio a forma como as minhas loiças exaltam ainda mais as suas criações, já de si, tão atraentes.
DIZ QUE FUI POR AÍ
24.1.18
Este fim de semana fui à Bélgica. Já perdi a conta das vezes que visitei aquele país que trago no coração, de forma que minhas idas lá não são mais turísticas e sim puro deleite de passear pelas ruas, sem pressa e sem destino. O tempo foi curto para matar saudades e colher inspirações, mas nas minhas deambulações tropecei por elementos de outros tempos, que foram concebidos para usos específicos, mas que pelo seu forte apelo visual, metamorfosearam-se e acabaram por tornar-se protagonistas dos ambientes. E foi assim que os bules levaram uma camada de tinta spray e reinam agora dependurados do teto. Que gavetas solitárias transformaram-se em prateleiras. Que bancos ganharam pedais e a cadeira de cinema veio para a esplanada. Que o pé de máquina virou mesa. Que as malas de viajem converteram-se em apoio para plantas. Que o carrinho de mão, bem, esse não mudou muito de funções, mas tornou-se um belo recipiente para bolbos. Flanar pelas ruas, é das coisas que mais gosto de fazer. De tal forma que muitas vezes antes de sair de casa, aviso: "se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí".
PLANOS PARA O QUARTO DAS FILHAS
16.1.18
Neste final de ano aconteceu algo sui generis lá em casa. Aproveitando a rara ocasião em que as duas filhas estavam presentes, uma vez que ambas estudam fora e é difícil coincidirem em Lisboa, dei-lhes um ultimato para que fizessem uma limpeza aos armários do quarto delas, separando a roupa que já não servisse ou quisessem. Saí de casa e disse-lhes que queria tudo limpo e organizado até ao final da tarde, quando eu voltasse do trabalho. Mas qual a minha surpresa quando ao regressar, dei com a entrada do apartamento atafulhada de sacos: as duas não só tinham separado a roupa para doação como ainda embalaram tudo o que se encontrava no quarto e que elas definiram como artigos infantis que nada mais tinham a ver com elas. Ensacaram bonecas, porta retratos, desenhos, bijuterias, CDs, livros, enfeites. E perante a minha cara de espanto, viraram o feitiço contra o feiticeiro e lançaram-me o repto: que eu me livrasse dos móveis coloridos, das secretárias de estudo que já não utilizam e lhes desse finalmente um quarto de adulto. Reivindicam madeira natural e cores neutras (vá lá, depois de muita conversa vão deixar-me colocar um só elemento com cor) e uma zona de chill out. Eu sei que elas têm razão em pedir este refresh. São 22 anos de uma decoração que evoluiu com elas até uma certa altura mas depois parou. Parou porque elas não estavam cá. Parou por preguiça minha (confesso). Parou porque a maior parte do tempo o quarto tem estado fechado e esquecido. Planos, tenho alguns. Dúvidas, muitas. A única certeza é que quero começar por tirar o lambril de madeira verde, arranjar uma cor para as paredes na paleta dos cinzas, e tentar remodelar uma ou duas peças velhas que tenho guardadas. O resto, como sempre, confio no acaso, vai cair do céu e vai dar certo!
O quarto depois do desbaste:
O quarto depois do desbaste:
PRESENTES À MEDIDA DE CADA UM
5.1.18
Eu sou uma chata quando se trata de dar e receber presentes: assim como não me agrada que me despachem com algo que nada tenha a ver comigo, também não gosto de oferecer qualquer coisa. Como a maioria das pessoas, fujo da corrida aos centros comerciais na época do Natal, mas para evitar os shoppings, sou obrigada a puxar pela criatividade para arranjar prendas com as quais as pessoas se identifiquem ou se surpreendam. Este ano, dois itens fizeram especial sucesso entre os presenteados, e por se tratarem de peças e "momentos" relativamente fáceis e acessíveis de serem concretizados, achei que partilhar aqui poderia vos servir de inspiração quando a oportunidade de oferecer se apresentar ao longo do ano e vos faltar a imaginação. A ala das crianças da família foi corrida a aventais e os sobrinhos adultos, levaram cada um, um "vale brunch". Eu explico: fiz batas dupla face, coloridas e algo lúdicas para as meninas e um avental de pequeno chef para o menino. Se me tivesse sobrado mais tempo, teria juntado a estas peças elementos tais como colheres de pau ou formas de bolachas, para que os pequenos se sentissem incentivados a ir para a cozinha, meter as mãos na massa e divertirem-se. Mas tal nem foi preciso, pois os miúdos assim que desembrulharam os presentes, já se paramentaram com os aventais e não mais os tiraram. O fato de terem dois lados, também os deixou numa dúvida cruel. Foi engraçado de assistir. Quanto aos sobrinhos mais velhos, já na casa dos 20 e poucos, ao se depararem com os vales brunch, ficaram um pouco confusos, mas eu logo apressei-me a explicar: que eles agendassem uma data onde pudessem estar todos, num local aprazível, previamente definido por mim. O resto, seria por minha (nossa) conta. Decidimos logo ali o dia e hora em que nos encontraríamos, e isto, não parece, mas é importante, porque se deixarmos para combinar noutra ocasião, o "vale" acaba por cair no esquecimento e perde a graça. Uma semana depois, lá estávamos todos, junto ao rio, num sábado, a meio da manhã. Nós lá de casa chegámos com os cestos de piquenique carregados. No menu, café, sumo de laranja natural, bolo de limão, iogurte com dois tipos de granola, panquecas com mirtilos e maple syrup, sandes com recheio de abacate. Fiz questão que nada fosse de papel ou descartável, a ocasião pedia um certo requinte! Mas a comida foi o menos importante, bom mesmo foi estar com os sobrinhos, ouvi-los e sabermos deles.
SO THIS IS CHRISTMAS
24.12.17
Natal para mim é uma época de mixed feelings. Gosto da beleza e do significado da quadra mas sinto falta da magia de outros natais e de pessoas que já nos deixaram. Acho que é por essas razões que a decoração de casa fica sempre para o último dia, dessa forma vou protelando. Adio, mas não evito, pois a noite de 24 e o dia 25 acabam sempre por chegar. Então vamos viver esses dias com alegria! Sentemo-nos logo à noite à volta de uma mesa bonita, sim, mas principalmente que seja uma mesa repleta de memórias, sonhos, afetos e paz. E deixo-vos a mensagem de John Lennon que é para mim a ideia mais simples e bonita de Natal: "So this is Christmas, I hope you have fun".
MÓVEL REPAGINADO COM STENCIL
18.12.17
O que safou este móvel do abandono definitivo, é que era Agosto, mês desesperante em Lisboa, em que meia cidade está de férias, a outra metade em suspensão, faz um calor de rachar e eu com muito pouco que fazer. Achei que lixá-lo até à exaustão e descobrir o que poderia estar por baixo da tinta, seria uma boa maneira de aproveitar os finais de tarde de verão que se arrastam com luz até às tantas. Sim, eu sei, há gosto para tudo. Só não contava é que o móvel fosse feito de várias madeiras e contraplacados, tivesse portas e interiores irremediavelmente manchados e partes bem maltratadas pelo bicho. Algumas razões fizeram no entanto com que eu não desistisse dele a meio do processo: a sua frente assimétrica, os pés palito e o pesadíssimo tampo em pedra de lioz. Dois meses depois, com a peça totalmente virgem e sem decisão de acabamento à vista, acontece de eu embarcar de rajada para os EUA e trazer de lá inúmeros stencils, uma técnica bem em voga ali pelos anos 90 e que ressurge agora em força, com desenhos bem criativos e atuais. Ouro sobre azul para alguém como eu, que gosta de padrões mas que gosta muito mais ainda, de misturar padrões. O móvel está lá em casa, de passagem, pois a sua transformação ainda não acabou. Ele, que durante mais de 50 anos morou numa cozinha, vai ser reinaugurado como bancada de casa de banho. Curiosos? ah, eu também, mas vamos ter que segurar a ansiedade!
E OS "TEA COZY" VÃO PARA....
15.12.17
Antes de mais quero agradecer a todas as leitoras que participaram do sorteio. Foram 28 mensagens bonitas de se ler. E para quem diz que colocar peças feitas por mim "em jogo" é um ato de generosidade meu, eu vou explicar que é justamente o contrário! É puro egoísmo: gosto de costurar, adoro conjugar cores e padrões e realizar novos projetos. Só que não posso ficar com tudo! A solução é, portanto, oferecer a quem aprecia este tipo de trabalho. Desta forma fico livre para tentar outros voos!
Mas vamos ao que importa: as ganhadoras. Pelo programa random foram sorteados os números 11 e 28:
5 ANOS
8.12.17
NOTA→→ para quem ficou na dúvida: o sorteio é válido para Portugal e estrangeiro, ok? ninguém vai ficar de fora!
CADERNOS DE RECEITAS
30.11.17
Na prateleira da cozinha de casa, guardo os livros e cadernos de receitas que eram da minha mãe. Curioso que tenha sido eu a ficar com eles, logo eu, que não cozinho. Mais curioso ainda é que a minha mãe tivesse tantas receitas escritas ou coladas nas páginas agora amareladas dos cadernos, pois também ela, não cozinhava. Lembro-me da azáfama em casa em véspera de festas de aniversário ou Natal, a cozinha enorme, repleta de cheiros e sabores, mas sempre vinha alguém de fora confeccionar os pratos. Minha mãe, comandava: comprava os ingredientes e dava ordens, determinava as loiças, escolhia cuidadosamente a toalha, montava a mesa e elaborava os arranjos de flores. Os menus, dei-me eu recentemente conta, saiam desses livros que vos mostro. Receitas cuidadosamente copiadas nos cadernos, na sua letra gigante e bem desenhada. Gosto de folheá-los, pois ali, encontro um pouco da vida dela. Acho sintomático que as primeiras receitas dêem pelo nome de Pavê de Abacaxi, Pudim de Bananas, Galinha Copacabana, Carne recheada com Farofa e de repente haja um salto para Pudim de Bacalhau, Croquetes de Carne e Rissóis de Camarão: eram os meus pais a emigrarem do Brasil para Portugal e a adaptarem-se aos costumes da nova pátria. Assim como faz-me sorrir a organização da minha mãe que ao anotar as receitas, coloca entre parênteses os nomes das pessoas que as forneceram ou o local onde as encontrou. Ali reconheço tantos nomes e me vêm à memória as amigas dela que frequentavam a nossa casa. Também acho graça às observações de rodapé: "ótima receita para o Natal" ou ainda às apreciações: ótima, muito boa, boa. Em algumas páginas, rótulos retirados das latas ou recortados das caixas dos produtos, com fotos nada atrativas, evocam a singeleza e frugalidade de outros tempos. Vez por outra, em meio à caligrafia enorme da minha mãe, aparece a letra miúda da minha avó. Ela sim, ótima cozinheira, consequentemente grande abastecedora de receitas e também comentadora das mesmas: "Docinhos para aniversários, casamentos, etc", "quando quiser fazer mais, dobrar a receita". Manusear estes livros, por serem de receitas, deveria talvez estimular os meus sentidos. Atiçar o olfato e o paladar. Mas não. A comida nunca teve a menor importância na minha vida. Quando viro estas páginas finas e manchadas, o que me vem à cabeça são pessoas e a casa dos meus pais em dias de festa: casa cheia, iluminada e farta, onde a música tocava alta e as gargalhadas se sobrepunham.
ALMOFADAS GÉMEAS
21.11.17
Há algumas semanas chegou-me a casa um pacote recheado de mimos e de carinho. Sei que quem enviou não esperava novidades na volta do correio mas eu não resisti a retribuir em forma de almofadas para os seus filhos gémeos, dois meninos de tenra idade. Usei um tema que gosto muito e que em Portugal chamamos carinhosamente de "carrinha pão de forma" mas é a.k.a, camper van ou kombi. É um desenho que dá panos para mangas pois remete à praia, ao estilo de vida surfista e aos movimentos pacifistas hippies e flower power dos anos 60. E o desafio que me coloquei foi o seguinte: abusar de cor e flores de maneira a não cair no universo feminino. Acho que consegui. As almofadas são similares, mas não iguais, pois tal como irmãos gémeos, podem até ser parecidos, mas nunca, idênticos. Individualidade, sempre!
Deixo aqui o melhor template de uma camper van na internet. Palavra de quem acredita que um dia, ainda vai sair por aí a bordo de uma pão de forma "overmente" decorada.
Deixo aqui o melhor template de uma camper van na internet. Palavra de quem acredita que um dia, ainda vai sair por aí a bordo de uma pão de forma "overmente" decorada.
BELEZA SEM RETOQUES
12.11.17
Sempre hesito muito antes de publicar no blog os trabalhos que faço profissionalmente. Mas depois que os mostro, a onda de curiosidade em relação a conservação e restauro e a chuva de emails com perguntas sobre estes assuntos são tão grandes por parte de quem me lê, que acabo por me convencer que sim, que quem passa por aqui, tem um genuíno interesse por reabilitação de casas usadas pelas pessoas e pelo tempo. Esta intervenção foi especial, não tanto pelo apartamento em si, (sim, ele é lindo, mas estou habituada a isso, 99,9 % do meu trabalho como arquiteta é em remodelações) mas pelo que pude descobrir depois que levantei o linólio que cobria o piso da cozinha, raspei a tinta do interior da chaminé ou desmontei a parede que dividia duas salas. Por baixo do linólio, revelou-se um chão de madeira interrompido aqui e ali por mosaicos hidráulicos, num patchwork surpreendente. Sob a camada de tinta, apareceram delicados azulejos antigos. E quando descasquei cuidadosamente a parede, surgiu uma estrutura linda, de madeira, como se de um biombo se tratasse. Belas surpresas, que me levam a pensar que é um privilégio trabalhar nesta área, e uma responsabilidade acrescida deixar à vista uma beleza nua e crua, com marcas e defeitos. Sem disfarces.
FELIZ HALLOWEEN
31.10.17
Uma cirurgia da minha filha, há muito planeada, mas marcada quase de uma hora para a outra, fez com que eu, de repente, me visse sentada num voo em direção aos Estados Unidos. Não esperava lá voltar tão cedo, e o espírito da viagem foi bem diferente do que quando vamos de férias. Os dias tornam-se poucos e intensos, a máquina fotográfica não vai na mala, as prioridades alteram-se. Só que era Halloween, um evento entusiasticamente vivido pelos Americanos, e o tema estava por toda a parte: nos supermercados, nas montras das lojas, nas ruas da cidade, nos restaurantes e bares, nas fachadas das casas. E há os amigos, que num primeiro momento nos amparam, porque estamos fora de casa e em situação frágil, mas que quando passa a fase mais delicada e as coisas correm bem, regozijam-se connosco e nos convidam para a festa. E foi assim que de súbito me vi rodeada de abóboras e de coisas assustadoras, de alegria e de muita amizade.
O ROUPEIRO DE BONECAS
21.10.17
Eu sempre achei graça a miniaturas e mais ainda a móveis antigos para as bonecas. Acho que têm uma simplicidade e um charme, que os modernos, produzidos em série e em plástico, não possuem. Eram de fato réplicas de móveis verdadeiros, feitos em metal ou madeira, com pormenores interessantes, e utilizando elementos impensáveis nos dias de hoje: quem deixaria sua criança divertir-se com um brinquedo que precisou de pregos para ser montado ou exibe um espelho de verdade? Quando as minhas filhas eram pequenas, eu ia colecionando alguns, na esperança de ter suficientes para montar uma casa completa. Só que tudo isso leva tempo, e o tempo para ser criança é limitado. Elas cresceram, desinteressaram-se desse universo lúdico e as peças ficaram esquecidas cá por casa: caminhas, máquinas de costura, mesa de cozinha, louças de casa de banho e o roupeiro que vos mostro hoje. Fui dar com ele na prateleira da estante, completamente relegado e em péssimo estado. Posso garantir, no entanto, que o seu aspeto gasto devia-se não só aos seus anos de existência como também a muitas e muitas horas de brincadeiras. Enfim, peguei nele, e foi muito bom por uma vez ter uma peça pequena para trabalhar: em algumas horas, desmontei, lixei, encerei e forrei. Aaah ganhou novo fôlego o armário! e sabem do que gosto mais nele? de alguém se ter lembrado, quando o idealizou, que um prego tinha a escala certa para ser um puxador de porta!
DUAS MANTAS E A JANELA DA D. IRENE
13.10.17
Foi no estendal da D. Irene que eu pedi para pendurar as minhas mantas. A janela da cozinha da D. Irene dá para um pátio que pertence à oficina que eu frequento 1 vez por semana. É para essa oficina que levo as minhas peças velhas e é lá que tenho toda a liberdade para restaurá-las ou repaginá-las, já que em casa essas tarefas tornam-se muitas vezes impossíveis. E a cada 7 dias empoleiro-me na janela da D. Irene para dois dedos de conversa. O prédio é velho e a madeira da janela mal se aguenta. Do meu posto vislumbro parte da cozinha, também ela cheia de rachas, mas com uma chaminé em pedra, linda, e um suporte na parede que exibe tachos e panelas. Eu tenho esse fascínio pela ação do tempo sobre os objetos, e aonde a D. Irene enxerga anos e anos de uma vida de sacrifícios e solidão, eu, apenas vejo beleza. Quanto às mantas foram feitas do meu jeito, com muito carinho, para duas crianças que acabam de chegar ao mundo. Um menino e uma menina e acho que não vale a pena dizer qual manta é para quem, porque isso ficou muito óbvio. Quando digo que fi-las do meu jeito, quero explicar que exagerei na mistura de padrões, porque é esse o meu gosto, e não usei tecidos e cores para crianças, porque nunca fui de tradições!
CASAS DE BANHO E COZINHAS DO SÉCULO PASSADO
2.10.17
Quem me conhece sabe que eu adoro ver as casas dos outros, não por bisbilhotice mas sim por um genuíno prazer de descobrir como as pessoas ocupam e vivem os espaços. E se as casas dos outros são, ou foram, mansões e cottages do séc 20, essa minha indiscrição natural ainda se agudiza mais. Mas não se alastra a todo e qualquer ambiente. O que gosto mesmo de apreciar, são as casas de banho e as cozinhas de antigamente. Do tempo em que, quem tinha desafogo financeiro, não se confinava em espaços pequenos, o banhar-se e vestir-se era todo um ritual, e as refeições exigiam protocolo e etiqueta. As imagens a seguir foram tiradas nas famosas mansões de Newport. Newport fica no estado de Rhode Island, nos EUA, e era, nos finais do séc. 18, inícios de 19, uma cidade da elite, onde famílias influentes de Nova Iorque construíam suas casas de veraneio. Quando veio a grande depressão dos anos 20, e à medida que as famílias foram desmoronando, para evitar que as casas fossem vendidas pelos descendentes, demolidas ou transformadas em modernos condomínios, surgiu uma entidade, a The preservation Society of Newport County, que as adquiriu e mantém-nas abertas ao público. Sorte a nossa, que hoje em dia podemos comprar um passe que dá acesso a todas as casas, e com a ajuda de um guia áudio, passearmo-nos pelas histórias de vida dos Vanderbilt ou dos Astor. Banheiros e cozinhas antigas, são a minha perdição. Os primeiros porque encontramos neles peças que chamo de "intrusos" e as segundas, porque me fascinam aquelas mesas enormes centrais. Intrusos, para mim, são tapetes, cortinados, sofás, cadeiras, cómodas, quadros e todos aqueles elementos que deveriam esta na sala ou no quarto, mas estão nas casas de banho. Objetos que parecem estar fora do seu habitat natural, mas a meu ver, dão um charme imenso a um ambiente tão prático e ascético como uma casa de banho. Quanto às cozinhas, sou perdidamente apaixonada pelas mesas gigantes, de tampo de madeira ou pedra, pela proliferação de utensílios antigos e pelos armários louceiros que espalham-se pelas paredes e deixam o enxoval da casa todo à vista. E quando deambulo por estes espaços, divago e deixo a imaginação fluir. Tento conjecturar sobre as dezenas de empregados que eram precisos para manter estas casas e servir os patrões. E esforço-me também por imaginar os aristocratas, de férias, mas num ritmo frenético de formalidades e cerimoniais, quando um dia era planeado ao pormenor e havia horários rígidos para toda e qualquer atividade!
CARTÕES FEITOS COM RETALHOS
21.9.17
Sempre gostei de enviar e receber cartas. Quando isso deixou de existir, cingi-me à correspondência de Natal: remetia a uma longa lista de amigos, que sempre retribuía. Acabou também, substituída por um ou outro gift animado, que nos chega por whatsapp quando a quadra se inicia. Restam os cartões, dos quais não abdico, que acompanham presentes de aniversário, casamento, nascimento e outras comemorações. Quando os vejo bonitos, por aí, compro-os, mas na minha ânsia de dar uma razia nos retalhos que tenho, lembrei-me de fazer alguns com um cunho mais pessoal. Para isso, baseei-me em envelopes de medidas padronizadas (pequenos de 7,5cm X 11cm e um pouco maiores de 11,5cm X 16cm) para decidir as dimensões dos cartões, que cortei em cartolina craft de 280g. E pronto, a partir daí foi deixar a imaginação fluir! Notem que eles são desperdício zero pois podem ser reutilizados por quem os receber, basta substituir a folha branca que se encontra no interior.
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12.9.17
Não sei se também vos acontece, mas sempre que estou a fazer alguma prenda para oferecer, tenho um prazo ou data para entregar, e eu que gosto tanto de personalizar o embrulho (afinal, o cuidado começa na embalagem) acabo sem tempo para idealizar e confecionar uma tag. Nessas horas prometo a mim própria tirar uns dias apenas para fazer etiquetas, agarrar nos retalhos que se multiplicam rapidamente e em abundância, colocar a imaginação para funcionar e costurar uma série delas para ficarem de reserva. De forma a que quando for necessário, baste lançar mão do estoque. A ideia não era fazer nada super elaborado, pelo contrário, queria usar o material que entulha as gavetas de casa, entre fitas, botões, carimbos, colocador de ilhoses, corda, missangas, mini alfinetes de dama, e não ter trabalho com medidas e arremates. Quase um improviso. Se soubesse bordar ou crochetar, com certeza a produção ainda teria sido mais simpática!
Achei uma terapia divertida e agora quero evoluir para uns greeting cards, daqueles que comportam um texto maior (e não só o nome da pessoa) e acompanham um presente de aniversário, casamento, ou são enviados com votos de Natal. Aguardem.
Achei uma terapia divertida e agora quero evoluir para uns greeting cards, daqueles que comportam um texto maior (e não só o nome da pessoa) e acompanham um presente de aniversário, casamento, ou são enviados com votos de Natal. Aguardem.
OCAPOP: COR E CRIATIVIDADE
7.9.17
Tenho absoluta certeza que a maior parte das pessoas que passa por aqui já conhece a revista digital Ocapop. Mas se nunca ouviu falar, vale a pena espreitar a 8ª edição, que acaba de sair. Cheia de matérias inspiradoras escritas por colaboradores dotados e talentosos, a revista fala de decoração, DIY, nutrição, entre outros temas, mas o foco desta edição é as casas e suas diversas facetas: como podem ser alegres e acolhedoras, nosso porto de abrigo ou também espaço de trabalho. As casas podem ser (e são) muitas coisas, tal como os donos delas. Aqui eu conto como a minha casa é apenas um lugar onde a monotonia não é convidada a entrar. Mas não pare por aí, continue a ler, porque as restantes páginas são pura energia e overdose de criatividade!
CRIATIVIDADE ALHEIA
28.8.17
Sei que o Verão está no fim, mas não posso deixar de partilhar algumas ideias que vi por aí e achei cativantes. Inspirações de reuso, a maior parte delas: utilizar uma cadeira ou embarcações para transforma-las em "vasos" incomuns e decorar os jardins; recorrer a barris para indicar e iluminar a entrada de casa ou demarcar uma zona. Ou tão simplesmente aproveitar as pedras altas de um canteiro, colocar almofadas em cima, e aparecer quase que por magia, um canto agradável para sentar os amigos. Criatividade alheia, que sempre me encanta.
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